|
Economia micro e
macro
A Microeconomia é a parte da teoria
econômica que estuda o comportamento das famílias e das
empresas e os mercados nos quais operam. Analisa a
formação dos preços no mercado de bens e serviços e
fatores de produção.
Dentro desta Teoria, temos
ainda o conceito de Coeteris paribus, que é uma condição
que analisa um mercado isoladamente, supondo que os
demais mercados sejam constantes, não sendo afetado
pelos demais. Para o raciocínio econômico, essa condição
serve também para verificar o efeito de variáveis
isoladas, independente dos efeitos de outras variáveis
como, por exemplo, a procura, a renda do consumidor,
gastos e preferências do consumidor, etc.
Os tópicos analisados na Microeconomia são
os seguintes:
I – Teoria
da Procura (Teoria do Consumidor e da Demanda de
Mercado);
II –
Teoria da Oferta (Oferta Individual, que abrange a
Teoria de Produção e a Teoria de Custos e Produção;
Oferta de Mercado);
III –
Análise das Estruturas do Mercado (Mercado de Bens e
serviços, que abrange Concorrência Perfeita,
Concorrência Monopolistica, Monopólio, Oligopólio;
Mercado de Insumos e Fatores de Produção, que contempla
a Concorrência Perfeita, Manopsônio, Oligopsônio);
IV –
Teoria do Equilíbrio Geral e do Bem Estar;
V –
Imperfeição de Mercado; Externalidades.
Quanto a Demanda de Mercado, a mesma é
definida pela quantidade de determinado bem ou serviço
que os consumidores desejam adquirir, num dado período.
É considerada como um fluxo, pois deve ser determinada
em um certo período de tempo.
A Teoria da Demanda tem alguns fundamentos:
Teoria do
Valor Utilidade: valor de um bem que se forma de acordo
com a satisfação que o bem representa para a comunidade.
Abrange o valor de uso, que significa a utilidade ou
satisfação que o bem representa ao consumidor e o valor
de troca, que se forma pelo preço no mercado, pelo
encontro da oferta e da demanda do bem ou serviço.
Teoria do
Valor do Trabalho: Considera que o valor de um bem se
forma do lado da oferta, mediante os custos do trabalho
incorporado ao bem, do tempo produtivo que é incorporado
ao bem depende dos cursos.
A Utilidade Total tende a aumentar quanto
maior for a quantidade consumida do bem ou serviço. A
Utilidade Marginal, definida como a satisfação adicional
(na margem) é obtida pelo consumo de mais de uma unidade
do bem, é decrescente, porque o consumidor vai
saturando-se desse bem quanto mais o consome.
A quantidade demandada
considera variáveis diferentes em relação ao conceito de
demanda, abrangendo o preço do próprio bem (efeito
substituição e efeito renda) ou a relação de preços de
outros bens e serviços (bem substitutos ou concorrentes,
bens complementares).
A Curva de Indiferença (CI) é um
instrumental gráfico que serve para ilustrar as
preferências do consumidor; é o lugar geométrico de
pontos que representam diferentes combinações de bens
que dão ao consumidor o mesmo nível de utilidade
(produtos que deseja construir).
Atrelado à Curva de Indiferença, existe a
variável da Restrição Orçamentária, definida como o
montante de renda disponível do consumidor, em um dado
período de tempo. Ela limita as possibilidades de
consumo, condicionando quanto ele pode gastar (produtos
que só poderão ser adquiridos de acordo com a restrição
orçamentária do consumidor).
O consumidor sempre busca situações que
maximizem sua satisfação dada a sua renda e os preços
dos bens e serviços que deseja adquirir.
Algumas variáveis afetam ainda a demanda,
sendo elas: riqueza ( e sua distribuição); renda (e sua
distribuição); preço de outros bens; fatores climáticos
e sazonais; propaganda; hábitos, gostos, preferências
dos consumidores; expectativas sobre o futuro;
facilidades de crédito.
Quanto ao preço na economia de mercado, o
mesmo é determinado tanto pela oferta quanto pela
procura. A quantidade que os consumidores desejam
comprar é exatamente igual à quantidade de produtos que
se deseja vender, não havendo excesso ou escassez de
oferta ou de demanda, existindo a coincidência de
desejos.
O preço relativo também é
uma variável que deve ser considerada; caracteriza-se
como sendo a relação entre os preços de vários bens. Se
um produto de uma mesma categoria sofre uma porcentagem
de desconto e o outro permanece com seu valor absoluto
(real), o produto que teve o desconto, ou seja, que
passou a ter um preço relativo, terá um aumento na
demanda em detrimento à diminuição da demanda do produto
que não sofreu queda de preços. Esta variação é
importante no momento da definição dos preços dos
produtos, dentro da análise microeconômica .
Encontramos ainda a
definição de oferta, que é a quantidade de determinado
bem ou serviço que os produtores e vendedores desejam
em determinado período. Representa um plano ou intenção
de produtores ou vendedores, e não a venda efetiva. As
variáveis que afetam a oferta de dado bem ou serviço
são: quantidade ofertada do bem, preço do bem, preço dos
fatores e insumos de produção, preço de outros bens,
substitutos na produção, objetivos e metas do
empresário.
Quando ocorre um excesso de
ofertas (um maior número de produtos à venda do que de
consumidores para consumi-los), os vendedores acumularão
estoques não planeados e terão que diminuir seus preços,
concorrendo pelos escassos consumidores. No caso de
excesso de demanda (muitos consumidores para comprar um
número pequeno de determinado produto), os consumidores
estarão dispostos a pagarem mais caro pelos produtos
escassos. Assim, existe uma tendência ao equilíbrio, não
existindo pressões para alterar preços e os planos dos
compradores são consistentes com os planos dos
vendedores, e não existem filas ou estoques não
planeados nas empresas.
Elasticidade
Elasticidade é a alteração
percentual em uma variável, dada uma variação percentual
em outra. É sinônimo de sensibilidade, resposta, reação
de uma variável, em face de mudanças em outras
variáveis.
A elasticidade-preço da demanda é a variação
percentual na quantidade demandada, dada uma variação
percentual do bem. Mede a sensibilidade, a resposta dos
consumidores quando ocorre uma variação no preço de um
bem ou serviço. De acordo com a elasticidade-preço
demanda, pode ser classificada como elástica, inelástica
ou de elasticidade-preço unitária.
O valor numérico da elasticidade preço da
demanda é formado pela disponibilidade dos bens
substitutos, essencialidade do bem, importância relativa
do bem no orçamento e o horizonte de tempo.
Quanto mais substitutos são os bens, mais
elástica é a demanda, pois, dado um aumento de preços, o
consumidor tem mais opções para não consumir esse
produto. Quanto mais essencial o bem, mais inelástica
sua procura, não trazendo muitas opções para o
consumidor fugir do aumento de preços.
A importância relativa, ou peso do bem no
orçamento é dada pela proporção de quanto o consumidor
gasta no bem, em relação a sua despesa total. Quanto
maior o peso no orçamento, maior a elasticidade-preço da
procura.
O consumidor é muito afetado por alterações
no preço quanto mais gasta com o produto. Dependendo do
horizonte de tempo de análise, um intervalo de tempo
maior permite que os consumidores de determinada
mercadoria descubram mais formas de substituí-la, quando
seu preço aumenta.
Elasticidade-preço cruzada da demanda é a
variação percentual da quantidade demandada do bem, dada
uma variação percentual no preço de outro bem.
A elasticidade-renda da demanda é a variação
percentual da quantidade demandada, dada uma variação
percentual da renda do consumidor. Ao lado da
elasticidade-renda da demanda é o conceito mais
difundido, sendo que a elasticidade-renda da demanda de
produtos manufaturados é superior à elasticidade renda
de produtos básicos, pois quanto mais elevada a renda, a
tendência é aumentar mais o consumo de produtos
manufaturados relativamente aos alimentos.
A elasticidade-preço da oferta mede a
variação percentual da quantidade ofertada, dada uma
variação percentual no preço do bem.
Produção
Produção é o processo pelo
qual uma firma transforma os fatores de produção
adquiridos em produtos e serviços para a venda no
mercado. A firma compra insumos e combina-os segundo um
processo de produção escolhido e vende produtos no
mercado. O processo de produção pode ser ou não
mão-de-obra intensivo, ou terra intensivo, dependendo do
fator de produção utilizado em maior quantidade,
relativamente aos demais.
A escolha do Processo de Produção depende de
sua eficiência, podendo ser avaliada pelo ponto de vista
tecnológico ou pelo ponto de vista econômico.
Eficiência
técnica: entre dois ou mais processos de produção, é
aquele que permite produzir uma mesma quantidade de
produto, utilizando menor quantidade física de fatores
de produção.
Eficiência
econômica: entre dois ou mais processos de produção, é
aquele que permite produzir uma mesma quantidade de
produto com menor custo de produção.
Tecnologia é definida como um inventário dos
métodos de produção conhecido. Método ou Processo de
Produção diz respeito a diferentes possibilidades de
combinações entre os fatores de produção, para produzir
uma dada quantidade de um bem ou serviço.
A função de produção é a relação técnica
entre quantidade física de fatores de produção e a
quantidade física do produto em determinado período de
tempo. Essa função supõe que foi atendida a eficiência
técnica e não deve ser confundido com função de oferta,
que é um conceito econômico, pois relaciona produção com
os preços dos fatores de produção, enquanto que a função
de produção é um conceito mais físico ou tecnológico,
pois se refere à relação entre quantidades físicas de
produtos e fatores de produção.
A questão do prazo é definida em termos de
existência ou não de fatores fixos de produção, que são
aqueles que permanecem inalterados, quando a procura
varia, enquanto que os fatores de produção variáveis se
alteram, com a variação da quantidade produzida.
Exemplos de fatores fixos: capital físico, instalações
da empresa. Exemplos de fatores variáveis: mão de obra e
matérias-primas utilizadas.
Defini-se curto prazo como o período no qual
existe pelo menos um fator de produção fixo; já a longo
prazo, todos os fatores variam.
Produto total (PT) é a quantidade total
produzida, em determinado período de tempo. Temos ainda
a produtividade média, que é a relação entre o nível do
produto e a quantidade do fator de produção em
determinado produto. Já a produtividade marginal é a
variação do produto, dada uma variação de uma unidade na
quantidade do fator, em determinado período de tempo.
A análise de produção a longo prazo
considera que todos os fatores de produção variam, ou
seja, a longo prazo não existem fatores fixos de
produção.
Isoquanta significa igual quantidade e pode
ser definida como sendo uma linha na qual todos os
pontos representam infinitas combinações de fatores, que
indicam a mesma quantidade produzida, expressando os
vários métodos ou processos alternativos de produção,
que proporcionam a mesma quantidade produzida. Um
conjunto de isoquantas, cada qual mostrando um nível de
produção, representa uma família de isoquantas ou mapa
de produção. A escolha de uma particular isoquanta
corresponde à escolha da quantidade que o empresário
deseja produzir, dependerá dos custos de produção e da
demanda pelo produto da firma.
A longo prazo, analisa-se as vantagens e
desvantagens de a empresa aumentar sua dimensão e seu
tamanho, o que implica demandar mais fatores de
produção, introduzindo o conceito de rendimentos ou
economias de escala. Pode ser definida do ponto de vista
tecnológico como dos custos:
Economia
de escola técnica ou tecnológica: quando a produtividade
física varia, com a variação de todos os fatores de
produção.
Economia
de escola pecuniária: quando os custos por unidade
produzida variam, com a variação de todos os fatores de
produção.
Podemos ter rendimentos crescentes,
decrescentes, constantes ou em escalas.
Rendimentos crescentes de uma escola é
quando todos os fatores de produção crescem numa mesma
proporção, sendo que a produção cresce numa proporção
maior. As indivisibilidades na produção referem-se ao
fato de que certas unidades de produção só podem ser
operadas em condições econômicas se possuírem uma escala
ou tamanho mínimo. Aumentando a escola de operações, a
produção pode aumentar mais eu proporcionalmente. Do
ponto de vista pecuniário, certas operações de pesquisas
e marketing só são possíveis com base em determinado
nível mínimo de produção, quando então não devem
implicar aumentos significativos de custos.
Os rendimentos decrescentes de escala
ocorrem quando todos os fatores de produção crescem numa
mesma proporção, e a produção cresce numa proporção
menor.
Um provável motivo para que ocorra
rendimentos decrescentes de escala reside no fato de a
expansão da empresa poder provar uma descentralização
que pode acarretar problemas de comunicação entre a
direção e as linhas de produção.
Se todos os fatores crescem em dada
proporção, a produção cresce na mesma proporção. As
produtividades médias dos fatores de produção permanecem
constantes.
Estruturas
de Mercado
As diferentes estruturas de
mercado estão condicionadas por três variáveis
principais: número de firmas produtoras no mercado;
diferenciação do produto; existência de barreiras à
entrada de novas empresas.
No mercado de bens e serviços, as formas e
mercado, segundo essas três características, são as
seguintes: concorrência perfeita, monopólio,
concorrência monopolística (ou imperfeita) e oligopólio.
No mercado de fatores de produção, é
definido as formas de mercado em concorrência perfeita,
concorrência imperfeita, monopólio e oligopólio no
fornecimento de insumos.
Existe uma série de modelos sobre o
comportamento das empresas na formação de preços de seus
produtos. A diferença maior entre esses modelos está
condicionada ao objetivo ao qual a firma se propõe:
maximizar lucros, maximizar participação no mercado,
maximizar margem de rentabilidade sobre os cursos, etc.
Quanto aos seus objetivos, as empresas defrontam-se com
duas possibilidades principais: maximizar lucro e
maximizar mark-up (margem sobre os custos diretos).
Dentro da teoria neoclássica ou marginalista, o objetivo
da firma é sempre maximizar o lucro total. Se a empresa
aumenta a produção e a recita adicional for maior que o
custo adicional, o lucro estará aumentando e a empresa
neste caso, não encontra seu ponto ideal de equilíbrio.
Se a receita adicional for menor que o custo adicional,
o lucro estará caindo e o prejuízo aumentando. A recita
marginal deve ser igualada ao custo marginal.
As hipóteses do modelo refletem o
funcionamento de um mercado completamente livre, sem
barreiras e totalmente transparente.
Hipótese
da atomicidade: é um mercado com infinitos vendedores e
compradores, de forma que um agente isolado não tem
condições de afetar o preço no mercado. Assim, o preço
no mercado é um dado fixado para empresas e
consumidores;
Hipótese
da homogeneidade: Todas as firmas oferecem produto
semelhante, homogêneo. Não há diferenças de embalagem,
qualidade nesse mercado;
Hipótese
da mobilidade de firmas (livre entrada e saída de firmas
e compradores no mercado): mercado sem barreiras à
entrada e saída, tanto de compradores como de
vendedores.
Hipótese
da racionalidade: Os empresários sempre maximizam lucro
e os consumidores maximizam satisfação ou utilidade
derivada do consumo de um bem, ou seja, os agentes agem
racionalmente.
Transparência de mercado: consumidores e vendedores têm
acesso a toda informação relevante, sem custos, isto é,
conhecem os preços, a qualidade, os custos, as receitas
e os lucros dos concorrentes;
Hipótese
da mobilidade de bens: Existe completa mobilidade de
produtos entre regiões, o seja, não existem transporte;
não considera a localização espacial de vendedores e
consumidores.
Inexistência de externalidades: representam influências
de fatores externos nos cursos das firmas e na
satisfação dos consumidores. No modelo de concorrência
perfeita, supõe-se ainda que não existam externalidades,
ou seja, nenhuma firma influi no custo das demais e
nenhum consumidor afeta o consumo dos demais.
Hipótese
da divisibilidade: é uma hipótese matemática, não
essencial, que objetiva auxiliar a compreensão do
funcionamento do modelo, trabalhando com curvas
contínuas e diferenciáveis, facilitando a utilização dos
conceitos marginalistas por mio de técnicas matemáticas
de diferenciação e derivação.
Mercado de
fatores de produção também em concorrência perfeita:
Todas as hipótese anteriores também valem para o mercado
de fatores de produção.
Para que seja determinado o ponto de
produção ideal para uma empresa em concorrência
perfeita, o ponto em que o lucro é máximo, é necessário
determinar com se comporta a demanda desse mercado, que
permitirá uma previsão das receitas da firma, e como se
comportam seus custos.
A longo prazo, não existem custos fixos, ou
seja, todos são variáveis. O lucro normal reflete o real
custo de oportunidade do capital empregado na atividade
empresarial. É o valor que o mantém na atividade; se ele
fosse mais baixo, o empresário sairia do mercado, porque
ganharia mais em outro ramo. O lucro normal pode ser
associado a uma espécie de taxa de rentabilidade média
do mercado. O que exceder ao lucro normal é chamado de
lucro extraordinário: o empresário recebe mais do que
deveria receber, de acordo com seu custo de
oportunidade. A longo prazo, em concorrência perfeita,
só existem lucros normais. Em concorrência perfeita,
supõe-se que os lucros extraordinários a curto prazo
atraem novas empresas para esse mercado. Dessa forma, em
concorrência perfeita, a longo prazo, com a atração de
novas firmas, a oferta de mercado aumenta, e a tendência
é de que os lucros extraordinários tendam a zero,
existindo apenas os lucros normais.
Uma estrutura de mercado monopolista
apresenta três características principais: uma única
empresa produtora do bem ou serviço, não há produtos
substitutos próximos, existem barreiras à entrada de
firmas concorrentes.
As barreiras ao acesso de novas empresas
nesse mercado podem ocorrer de três formas: monopólio
puro ou natural (devido à alta escola de produção
requerida, exige um levado montante de investimentos),
proteção de patentes (direito único de produzir o bem);
controle sobre o fornecimento de matérias primas chaves
e tradição no mercado.
Uma hipótese implícita no comportamento do
monopolista é que ele não acredita que os lucros
elevados que obtém a curto prazo possam atrair
concorrentes, ou que os preços elevados possam afugentar
os consumidores, ou seja, acredita que, mesmo a longo
prazo, permanecerá como monopolista.
Uma categoria diferenciada de monopólio é o
estatal ou institucional, protegido pela legislação,
normalmente em setores estratégicos ou de
infra-estrutura.
Como em uma concorrência perfeita, o ponto
de equilíbrio do monopolista, ou seja, no qual ele
maximiza o lucro, também ocorre quando a receita
marginal e o custo marginal são iguais.
A firma monopolista não tem curva de oferta,
pois não tem uma curva que mostre uma relação estável
dente determinados preços de venda correspondentes a
determinadas quantidades produzidas, pois podemos ter
vários preços para apenas uma quantidade vendida. Na
realidade, a oferta é um ponto único sobre a curva de
demanda.
A existência de barreiras à entrada de novas
firmas permitirá a persistência de lucros
extraordinários também a longo prazo, sendo suposto que
o monopólio não será afetado no longo prazo.
A concorrência imperfeita é uma estrutura de
mercado com as seguintes características principais:
muitas empresas, produzindo um dado bem ou serviço; cada
empresa produz um produto diferenciado, mas com
substitutos próximos; cada empresa tem certo poder sobre
os preços, dado que os produtos são diferenciados, e o
consumidor tem opções de acordo ce acordo com sua
preferência.
A diferenciação dos produtos dá-se via:
características físicas, embalagens, promoção de vendas,
manutenção, atendimento pós-venda, etc.
Como não existem barreiras para a entrada de
firmas, a longo prazo há tendência apenas para lucros
normais, como em concorrências perfeitas, ou seja, os
lucros extraordinários a curto prazo atraem novas firmas
para o mercado, aumentando a oferta do produto, até
chegar-se a um ponto em que persistirão os lucros
normais, quando então cessa a entrada de concorrentes.
O oligopólio é um tipo de estrutura de
mercado que pode ser definido de duas formas: oligopólio
concentrado (pequeno número de empresas no setor) e
oligopólio competitivo (pequeno número de empresas
domina um setor com muitas empresas).
Devido à existência de empresas dominantes,
elas têm o poder de fixar preços de venda em seus
termos, defrontando-se normalmente com demandas
relativamente inelásticas, em que os consumidores têm
baixo poder de reação a alteração de preços.
Ocorre basicamente devido à existência de
barreiras à entrada de novas empresas no setor, como a
proteção de patentes, controle de matérias primas
chaves, tradição, oligopólio puro ou natural.
Diferentemente da estrutura concorrencial, e
de forma semelhante ao monopólio, a longo prazo os
lucros extraordinários permanecem, pois as barreiras à
entrada de novas firmas persistirão, principalmente no
oligopólio natural, em que a alta escala de operações
propicia uma produção a custos relativamente baixos,
dificultando a entrada de firmas concorrentes.
No oligopólio, podemos encontrar duas formas
de atuação das empresas: concorrem entre si, via guerra
de preços ou de promoções; formam cartéis. Cartel é uma
organização formal ou informal de produtores dentro de
um setor, que determina a política de todas as empresas
do cartel, fixando preços e a repartição (cota) do
mercado entre empresas.
As cotas podem ser:
Perfeitas
(cartel perfeito): todas as empresas têm a mesma
participação. A administração do cartel fixa um preço
comum e divide igualmente o mercado, agindo como um
bloco monopolista. É a chamada “solução de monopólio”.
Imperfeitas (cartel imperfeito): existem empresas
líderes que fixam os preços, ficando com a maior cota.
As demais empresas concordam em seguir os preços do
líder.
O oligopólio tem como modelo econômico o
modelo clássico, que tem o objetivo de maximização dos
lucros, devendo ter um conhecimento adequado se suas
receitas e de seus custos. O preço é determinado apenas
pela oferta, enquanto que na teoria marginalista, o
preço é determinado pela intersecção entre demanda e
oferta de mercado.
O mark-up é definido pelas variantes receita
de vendas menos custos diretos de produção. A taxa
mark-up deve ser suficiente para cobrir os cursos fixos
e a margem de rentabilidade desejada pela empresa. O
nível de mark-up depende da força dos oligopolistas de
impedir a entrada de novas firmas, o que depende do grau
de monopólio de cada setor. Quanto mais alto o poder do
monopólio, mais limitado o acesso de novas empresas e,
portanto, maior a taxa de mark-up que as empresas
oligopolistas podem auferir.
A demanda de uma empresa pelos fatores de
produção é uma demanda derivada, ou seja, depende da
demanda pelo produto dessa empresa. O mercado d fatores
de produção pode operar em concorrência perfeita,
concorrência monopolista, monopólio ou oligopólio, como
o mercado de bens e serviços.
A regra geral para a empresa demandar
fatores de produção é que a recita marginal (adicional)
deve ser propiciada pela aquisição, devendo ser igual ao
custo marginal para se obter esses fatores.
Monopsônio/oligopsônio é o
monopólio/oligopólio na compra de fatores de produção.
Monopólio bilateral trata de um mercado em que um
monopsonista, na compra de insumo, defronta-se com um
monopolista na venda desse insumo. O único comprador
defronta-se com um único vendedor de insumo no mercado.
A teoria dos jogos tem como objetivo a
análise de problemas em que existe uma interação dos
agentes, na qual as decisões de um indivíduo, firma ou
governo afetam e são afetados pela decisões dos demais
agentes ou jogadores, ou seja, é o estudo das decisões
em situação interativa. A firma em concorrência perfeita
apresenta um comportamento paramétrico (baseado nos
preços de mercado de produtos e insumos), sendo que
esses dados não podem ser alterados.
No comportamento estratégico, o agente
percebe que é capaz de afetar variáveis relevantes para
sua decisão e que essas variáveis também podem ser
afetadas pela decisão de outros agentes.
Podemos caracterizar um jogo como um
conjunto de regras em que estão presentes os seguintes
elementos: os jogadores ou agentes econômicos; o
conjunto de ações disponíveis para cada jogador, as
informações que são disponíveis para cada jogador, as
informações que são disponíveis que são relevantes ao
resultado do jogo e os próprios resultados (payoffs).
Um dos problemas mais interessantes quando
se trabalha com jogo diz respeito à identificação dos
prováveis resultados. O equilíbrio ou Narsh consiste na
idéia de que cada empresa adote estratégias ótimas dada
as estratégias adotadas pelo outro jogador.
Na Economia da Informação, trabalha-se com a
probabilidade de que alguns agentes detém mais
informações que outros, conferindo-lhes uma posição
diferenciada no mercado, o que pode fazer com que não
seja possível encontrar uma situação de equilíbrio como
nos modelos convencionais.
Todas as transações econômicas são
realizadas por meio de contratos, que sendo formal ou
informal, tem como objetivo garantir que a transação
ocorra de forma que os benefícios sejam usufruídos por
ambas as partes contratantes. Existem situações,
entretanto, que numa relação contratual, uma das partes
possui informação privilegiada, ou seja, não observada
pela outra parte, a não ser mediante custo e tempo,
sendo essa informação importante para o resultado a
transação, sendo este fator caracterizado como problema
de informação assimétrica, em que uma das partes tira
proveito da transação em detrimento à outra. O problema
caracterizado como seleção adversa, decorrentes das
informações assimétricas, pode ser considerado um
problema pré-contratual. Já o problema de risco moral
pode ser considerado como um problema pós-contratual.
Tanto na Teoria dos Jogos como a Economia da
Informação mantém alguns pressupostos básicos da Teoria
Neoclássica, ou seja, o do comportamento maximizador, em
que o agente toma as decisões procurando maximizar seus
objetivos, e o do princípio da racionalidade, no sentido
de que as ações tomadas pelos agentes são consistentes
com a busca desses objetivos.
A Teoria da Organização Industrial parte do
pressupostos diferentes da teoria tradicional,
particularmente no que se refere aos mercados
concentrados, como oligopólios. O paradigma
Estrutura-Conduta-desempenho, analisa em que medida as
imperfeições do mercado limitam a capacidade deste em
atender às aspirações de demandas da sociedade por bens
e serviços, o que contribui para a Teoria da Organização
Industrial. Essa teoria tenta cobrir as lacunas da
teoria tradicional na interpretação do mundo real,
particularmente no estudo de mercados que operam em
concorrência imperfeita.
Uma medida comumente utilizada para
verificar o grau de concentração econômica no mercado é
calcular a proporção do valor do faturamento das quatro
maiores empresas de cada ramo de atividade sobre o total
faturado no ramo respectivo. Quanto mais próximo de
100%, significa que o setor tem alto grau de
concentração, quanto mais próximo de 0%, menor o grau de
concentração do setor.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de. Economia: micro
e macro. 3ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2002.
|