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Pré-História
– No final do período Neolítico,
cerca de 4.000 a.C., surgem as
primeiras muralhas e casas de
pedra, tijolo ou madeira.
Anteriormente, o homem escavava
abrigos ou se instalava em
cavernas.
2.780 a.C.-2.280 a.C.– Com uma
civilização em que a religião
ocupa papel importante, os
egípcios dão um caráter
monumental aos templos e às
construções mortuárias. Feitas
de pedra, as pirâmides abrigam
os túmulos dos faraós. A
primeira é construída em
Saqqarah, pelo arquiteto Imhotep,
como tumba de Djoser, fundador
da III dinastia. As pirâmides
mais conhecidas são Quéops,
Quéfren e Miquerinos, apontadas
pelo poeta grego Antípater, no
século II a.C., como uma das
sete maravilhas do mundo antigo.
Em torno da pirâmide real
construíam-se as mastabas,
túmulos em forma de trapézio de
nobres e altos funcionários do
governo.
2.000 a.C.-1.500 a.C.– Entre os
vales dos rios Tigre e Eufrates,
ergue-se a cidade da Babilônia,
na Mesopotâmia, já com várias
construções complexas, em que se
destaca o zigurate. Construída
com tijolos, essa torre
apresenta pavimentos
progressivamente menores, com um
templo localizado no último
andar. O acesso é feito por
rampas.
Séculos VII a.C.-IV a.C.– A
arquitetura grega antiga busca
regras de proporção e de
composição. As residências
comuns são construídas com
materiais simples e baratos.
Toda a suntuosidade e o luxo
ficam reservados aos templos e
aos prédios administrativos,
feitos de pedra e mármore. Um
traço marcante é o uso de
colunas para dar leveza aos
edifícios. O Partenon, erguido
entre 447 a.C. e 438 a.C., no
governo de Péricles, é uma das
mais importantes construções do
período.
Séculos I a.C.-século II d.C.–
No auge do Império Romano, pela
primeira vez o planejamento
urbano torna-se tão relevante
quanto os monumentos. A cidade
de Roma é projetada para exibir
riqueza e poder. Empregam-se
técnicas construtivas dos povos
conquistados, o que permite a
utilização de diferentes
materiais, como concreto, tijolo
cozido, pedra e mármore. Arcos e
abóbadas constituem as peças
visuais mais marcantes – as
colunas são usadas com função
decorativa.
CIDADES ROMANAS
– Ruas amplas e praças
destinadas a desfiles e reuniões
caracterizam a arquitetura
romana. As construções servem às
várias atividades da vida
urbana. Vêem-se termas (debates
e banhos), templos, aquedutos,
basílicas (serviço judiciário) e
anfiteatros, como o Coliseu
(72-80). No final do Império,
desenvolve-se uma arquitetura
peculiar, cujo exemplo maior são
as catacumbas, onde se
enterravam os mortos. Quando o
cristianismo se torna a religião
oficial, as igrejas passam a
adotar as plantas das basílicas
romanas.
Século IV – Em Constantinopla,
capital do Império Bizantino,
surge o estilo bizantino. Seu
edifício característico é a
basílica com abóbada
semi-esférica e planta em forma
de cruz grega, com quatro lados
iguais. As paredes externas são
construídas com pedra e tijolo.
Nas decorações mais suntuosas
usam-se mármore, mosaico, ouro e
pedra. A obra-prima desse estilo
é a Igreja de Santa Sofia,
erguida entre 532 e 537 em
Istambul, na Turquia.
Século IX – Como reflexo do
poder da Igreja, expande-se por
toda a Europa o estilo românico.
As principais construções são as
basílicas de tijolo e pedra, em
forma de cruz latina (um dos
braços da cruz é maior que os
outros três), com fachadas
simples. As características
básicas são as abóbadas, os
arcos plenos e a cantaria
(pedras) – pedra cortada e
assentada de forma refinada. As
rosáceas, aberturas no formato
de rosa, criam uma iluminação
sofisticada. O maior exemplo do
estilo românico foi a Abadia de
Cluny, na França, erguida no
século XI e quase inteiramente
destruída no início do século
XIX.
Século XII – Sob influência
muçulmana, surge na França o
estilo gótico. As construções
típicas são os castelos
fortificados, os torreões de
defesa e as catedrais. Estas
apresentam inovações, como a
abóbada de aresta, o arco
ogival, o arcobotante – braços
externos perpendiculares à
superfície do edifício que
sustentam a nave central.
Predomina a verticalidade. As
estruturas vazadas permitem a
utilização de rosáceas e vitrais
com cenas religiosas. As plantas
seguem a forma da cruz latina e
as fachadas são cobertas de
esculturas e relevos. Na França
e na Inglaterra prevalecem as
igrejas góticas com torres
truncadas, sem pontas; na
Alemanha, altas torres
pontiagudas. Entre as catedrais
góticas francesas, destaca-se
Notre Dame, em Paris, França; e
entre as alemãs, a de Colônia,
cuja construção começa em 1270 e
se prolonga por 52 anos.
NOTRE DAME DE PARIS
– A construção da Catedral de
Notre Dame de Paris tem início
em 1163 e continua por cerca de
200 anos. Os empreiteiros que a
finalizaram são Jean de Chelles
e Pierre de Montreuil. Durante a
Revolução Francesa, grande parte
das esculturas da igreja é
destruída, entre elas 28
estátuas de reis da Judéia,
decapitadas. A restauração
inicia-se em 1841, sob a
responsabilidade do arquiteto
Eugène Viollet-le-Duc. De seus
desenhos surgem as gárgulas da
fachada, um dos símbolos de
Notre Dame. Fragmentos das
cabeças das esculturas
danificadas, encontrados em
1977, tornam-se importantes
testemunhos do estilo original
da catedral.
Século XV – Com a renovação
artística do Renascimento, os
edifícios caracterizam-se pelo
equilíbrio. Constroem-se
inúmeros palácios, vilas e
castelos marcados pela
imponência e monumentalidade.
Retomam-se aspectos
greco-romanos, como colunas,
arcos redondos e coberturas
abobadadas. As plantas das
igrejas são em geral simétricas
em relação a um elemento
central, que pode ser um
círculo, um quadrado ou uma cruz
grega. Principais arquitetos:
Filippo Brunelleschi, Donato
Bramante e Leon Batista Alberti.
A Villa Rotonda, em Vicenza,
Itália, construída no século XVI
com projeto de Andrea Palladio,
é o exemplo mais completo da
regularidade formal
renascentista.
Século XVI – Entre o fim do
século XVI e começo do XVII,
surge o maneirismo, transição do
Renascimento para o barroco. A
estrutura dos edifícios fica
mais complexa, intensifica-se o
uso de pilares como suporte das
janelas e motivos decorativos
antigos ornamentam as fachadas.
No interior, arcos e portas
sucessivos criam efeitos
cênicos. Os artistas mais
conhecidos são os italianos
Giacomo della Vignola,
Baldassare Peruzzi, Giulio
Romano, Michelangelo Buonarroti
e Andrea Palladio. Na França,
uma das construções mais
significativas é o Castelo de
Fontainebleau, do século XVI.
Século XVII – O barroco
arquitetônico nasce na Itália.
Suas características são o
abandono de normas e convenções,
da geometria elementar e da
simetria. As fachadas aparecem
ondulantes e decoradas com
esculturas e o interior é
repleto de madeira entalhada
recoberta de dourado. Numa época
de grande poder da Igreja e do
Estado, as construções
importantes são igrejas e
edifícios públicos. Da península
Ibérica, o barroco segue para as
colônias americanas. Francesco
Borromini e Gian Lorenzo Bernini,
autor das 162 colunas da praça
da Basílica de São Pedro, em
Roma, Itália, figuram entre os
principais nomes. O Palácio de
Versalhes (1634-1710), na
França, é também um
representante do estilo.
1700-1780 – O rococó refina a
arquitetura pomposa do barroco.
As cores vivas cedem lugar aos
tons pastel e os relevos
exagerados acabam substituídos
por superfícies delicadas que
ganham ênfase em pontos
isolados. Igrejas e palácios
denotam uma integração entre
arquitetura, pintura e
escultura. Várias janelas
iluminam os edifícios para criar
interiores graciosos e etéreos.
O interior e o exterior chamam a
atenção pela complexidade e pelo
requinte. Nas igrejas, o teto
das naves laterais são
levantados até a altura da nave
central para unificar o espaço,
como na Igreja de Carmine, em
Turim, Itália, construída por
Filippo Juvarra. Destacam-se
também Balthasar Neumann e
Fischer von Erlach.
1750-1830 – O neoclassicismo
surge sob influência do
iluminismo e marca uma retomada
do gosto das formas clássicas e
corretas. A organização do
espaço é geométrica, e
predominam as linhas simples,
com detalhes gregos ou romanos.
As obras são monumentais,
grandiosas; os castelos,
cercados por imensos parques e
áreas verdes de desenho
refinado. Como arquitetos
destacam-se Étienne Louis
Boullée e Claude Nicolas Ledoux.
Entre os edifícios
característicos estão o Arco do
Triunfo, inaugurado em 1836 em
Paris, França, e o Portão de
Brandenburgo, construído no
final do século XVIII em Berlim,
Alemanha.
Século XIX – A primeira metade
do século é marcada pelo retorno
a estilos do passado. Assim,
coexistem o neogótico, cujo
representante é o francês
Viollet-le-Duc, o
neo-renascentista e o
neobarroco. A inovação do
período são as estruturas de
ferro, que podem ser aparentes –
muitas vezes usadas com o vidro
– e ou em combinação com o
concreto, dando origem ao
concreto armado. Isso
possibilita que as colunas de
sustentação sejam o suporte de
toda a estrutura arquitetônica e
que as paredes se tornem apenas
áreas de vedação, um dos
princípios que serão usados nos
edifícios mais altos. Entre as
construções destacam-se o
Palácio de Cristal (1851), em
Londres, Inglaterra, e a Torre
Eiffel (1889), em Paris,
França.
ARRANHA-CÉUS
– Após a instalação do primeiro
elevador seguro, no Haughwout
Department Store, em Nova York,
nos Estados Unidos, na metade do
século XIX, começam a surgir
prédios com mais de cinco
andares. A utilização do aço nas
estruturas permite que as
construções resistam à força dos
ventos e até a terremotos. Com
isso, o uso do solo das cidades,
cada vez mais valioso, é bem
aproveitado. O grupo de
arquitetos e engenheiros que
cria os primeiros arranha-céus,
que oscilam entre dez e 20
andares, fica conhecido como
Escola de Chicago. Entre eles
encontra-se Louis Sullivan,
considerado o primeiro grande
arquiteto norte-americano
contemporâneo. Seu mestre,
William le Baron Jenney, projeta
o primeiro edifício com vigas de
aço, o Home Insurance, de dez
andares (1853-1855). Atualmente,
os mais altos edifícios do mundo
são as torres Petronas Twin
Towers, inauguradas em Kuala
Lumpur (Malásia), em 1997. Elas
têm 451,9 metros de altura e 88
andares.
1890-1910 – O movimento art
nouveau recusa a imitação de
estilos do passado. Sua
característica marcante é o uso
de ornamentos sinuosos
inspirados em plantas, flores,
asas de inseto. Há também
influência da gravura japonesa.
Materiais como ferro, vidro e
cerâmica são aproveitados de
forma inovadora. O arquiteto
mais original dessa corrente é o
espanhol Antoni Gaudí, criador
da Igreja da Sagrada Família, em
Barcelona (Espanha), que mistura
elementos góticos, românticos e
modernos. Sua obra é singular,
marcada por volumes sinuosos e
por superfícies trabalhadas. A
partir de 1910, o movimento
começa a perder força.
1919-1933 – A escola de desenho
industrial, arquitetura e artes
aplicadas Bauhaus (casa da
construção, em alemão) é criada
por Walter Gropius em Weimar, na
Alemanha. Ela enfatiza o design
cuidadoso e a produção
mecanizada. Na arquitetura
predomina o estilo geométrico e
elegante. O edifício projetado
por Gropius para abrigar a
Bauhaus, quando ela se transfere
para Dessau, em 1925, é feito de
concreto armado e vidro, um
prenúncio do modernismo. Entre
os professores que lecionam na
escola, estão pintores como Paul
Klee e Wassily Kandinsky e
arquitetos como Mies van der
Rohe. Em 1933, a Bauhaus é
fechada pelo regime nazista.
Década de 20 – A Exposição
Internacional de Artes
Decorativas e Industriais
Modernas de Paris, em 1925,
apresenta pela primeira vez o
estilo art déco. Há preocupação
com a modernidade. As linhas
tanto dos objetos quanto das
construções são simples, limpas
e com ornamentos geométricos. O
estilo mantém-se forte até a II
Guerra Mundial. O Chrysler
Building (1930), de William van
Alen, e o Empire State Building
(1931), de Shreve, Lamb & Harmon,
ambos nos Estados Unidos (EUA),
estão entre suas grandes
construções.
Décadas de 20 a 60
– O modernismo surge como reação
à pluralidade de estilos do
século XIX e ocorre
simultaneamente à
industrialização. Propõe uma
arquitetura utilitária, que
emprega o aço e o vidro em larga
escala, caracterizada pela
ausência de ornamentação. Após a
II Guerra Mundial aumenta o uso
de novas ligas metálicas, de
produtos sintéticos e técnicas
de pré-fabricação e de
pré-moldagem. Entre os
arquitetos que iniciam o
movimento e se tornam seus
principais representantes estão
os alemães Walter Gropius e Mies
van der Rohe e o francês de
origem suíça Le Corbusier.
Décadas de 60 a 70
– Despontam movimentos que se
opõem ao modernismo e que buscam
maior integração da obra com o
meio urbano. O regionalismo
crítico do inglês residente nos
Estados Unidos (EUA) Kenneth
Frampton propõe que a
arquitetura mescle influências
culturais locais com tendências
internacionais. O contextualismo
do italiano Aldo Rossi
preocupa-se com a composição
arquitetônica da região onde se
construirá um novo edifício.
Inovação tecnológica e
planejamento urbano fazem o
projeto do inglês Richard Rogers
e do italiano Renzo Piano vencer
a concorrência para a construção
do Centro Georges Pompidou
(1977), em Paris, França.
Década de 80
– O pós-modernismo troca o
excesso de racionalismo por
construções mais ornamentadas,
coloridas e lúdicas. Referências
históricas de diversas épocas
aparecem num mesmo edifício. Um
exemplo é o prédio da AT&T em
Nova York, nos Estados Unidos
(EUA), projetado por Philip
Johnson. O estilo hi-tech
(utiliza tecnologia de última
geração e materiais como aço,
titânio e vidro) é representado
porichard Rogers e Norman
Foster, que constroem prédios
empresariais como a central do
Lloyd’s Bank, em Londres, e a
sede do Hong Kong & Xangai Bank,
em Hong Kong. Na Europa
verifica-se uma tendência de
incentivo às obras públicas,
como ocorre na França com a
construção da Pirâmide do
Louvre, a Grande Arche de la
Défense e a Cité de la Musique.
Década de 90
– Tem destaque o uso de
materiais muito variados, com
superposições. A alta tecnologia
se associa à arquitetura, como
no projeto de Frank O. Gehry
para o Museu Guggenheim (1997)
em Bilbao, na Espanha, formado
por blocos de diferentes
formatos interligados num
aparente caos. Desenvolvem-se
grandes complexos urbanísticos,
como a reurbanização de Berlim
(Alemanha) após a queda do Muro
de Berlim, em 1989, e a
modificação de toda a orla
marítima da cidade de Barcelona
(Espanha) em 1992, para os Jogos
Olímpicos. Para a concepção do
Stade de France de Saint Denis,
onde se realizaram jogos da Copa
do Mundo da França em 1998,
houve uma reorganização do
espaço com a construção de
estações de metrô e
reestruturação da malha
rodoviária. |
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