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1896 – Em 8 de
julho, apenas
sete meses
depois da
projeção
inaugural dos
filmes dos
irmãos Lumière
em Paris, o Rio
de Janeiro
assiste à
primeira sessão
de cinema no
Brasil. No ano
seguinte,
Paschoal Segreto
e José Roberto
Cunha Salles
abrem a primeira
sala exclusiva
de cinema na rua
do Ouvidor.
1898 – Afonso
Segreto roda o
primeiro filme
brasileiro, com
cenas da baía de
Guanabara.
1907 – Várias
salas de
exibição são
abertas no Rio
de Janeiro e em
São Paulo. O
período de 1908
a 1912 é
considerado a
belle époque do
cinema
brasileiro.
Surge um centro
de produção no
Rio, e, com ele,
histórias
policiais,
comédias e
filmes com
atores
interpretando
atrás da tela.
Nos anos
seguintes, a
produção cai por
causa da
concorrência dos
filmes
norte-americanos.
Década de 20 –
Realizam-se
ciclos de cinema
regionais em
Campinas (SP),
em Pernambuco,
em Minas Gerais
e no Rio Grande
do Sul. Na
cidade mineira
de Cataguases, o
fotógrafo
italiano Pedro
Comello realiza
experimentos com
Humberto Mauro,
juntos, produzem
Os Três Irmãos
(1925) e Na
Primavera da
Vida (1926). Em
São Paulo, José
Medina, que
começara com
curtas como
Exemplo
Regenerador,
filma o clássico
Fragmentos da
Vida (1929).
1929 – É lançado
Acabaram-se os
Otários, de Luiz
de Barros,
primeiro filme
nacional
inteiramente
sonorizado.
Ligado às
vanguardas
européias, Mário
Peixoto roda o
arrojado Limite
no Rio de
Janeiro. É um
filme
perturbador, sem
uma história
linear e com uma
montagem que
desorienta o
espectador.
1930 – Adhemar
Gonzaga funda a
Cinédia, no Rio
de Janeiro. O
estúdio realiza
comédias
musicais e
dramas
populares.
1934 – Carmem
Santos monta a
produtora
Brasil-Vita
Filme, no Rio de
Janeiro (RJ).
Humberto Mauro,
seu principal
cineasta, passa
a trabalhar para
o Instituto
Nacional do
Cinema Educativo
(Ince) em 1937.
1941 – É criada
a Atlântida,
estúdio que
investe em
chanchadas,
comédias de
baixo custo e
grande apelo
popular, como
Não Adianta
Chorar (1945),
de Watson
Macedo, e Nem
Sansão Nem
Dalila (1953),
de Carlos
Manga.
1949 – Um grupo
de empresários
liderado pelo
italiano Franco
Zampari funda a
Vera Cruz em São
Bernardo do
Campo, na Grande
São Paulo, para
fazer filmes nos
moldes
hollywoodianos.
O cineasta
pernambucano
Alberto
Cavalcanti é
convidado para
dirigir o
estúdio. Outros
técnicos são
trazidos do
exterior para
participar de
produções como
Floradas na
Serra, de
Luciano Salce, e
Tico-Tico no
Fubá, de Adolfo
Celi. O
Cangaceiro
(1952), de Lima
Barreto, faz
carreira
internacional e
dá início ao
ciclo sobre o
cangaço.
1952 –Alex Viany
roda Agulha no
Palheiro. Fora
dos estúdios,
ele, Nelson
Pereira dos
Santos, diretor
de Rio 40 Graus
(1954-1955), e
Roberto Santos,
de O Grande
Momento (1957),
filmam com
estilo próximo
ao do
neo-realismo
italiano. Tanto
a temática
quanto os
personagens
passam a
expressar uma
identidade
brasileira,
precursora do
cinema novo.
1962 – Galã da
Atlântida,
Anselmo Duarte
dirige o filme O
Pagador de
Promessas, que
ganha a Palma de
Ouro do Festival
de Cannes. No
começo dos anos
60 também se
destacam
cineastas como
Roberto Faria,
de Assalto ao
Trem Pagador
(1962), Walter
Hugo Khouri, de
Noite Vazia
(1964), e Luís
Sérgio Person,
deSão Paulo S/A
(1964).
1963 – A
principal
estrela da Vera
Cruz, o
comediante
Amácio Mazzaropi,
funda uma
produtora. Sua
primeira fita é
Casinha
Pequenina.
Criador de tipos
caipiras ao
estilo do Jeca
Tatu, Mazzaropi
é um fenômeno de
público.
Vidas Secas, de
Nelson Pereira
dos Santos, é o
marco inicial do
cinema novo,
movimento que
tem como
proposta o filme
de autor, feito
a baixo custo,
preocupado com a
realidade social
e enraizado na
cultura
brasileira. É a
versão
brasileira de
estéticas
nascidas após a
II Guerra
Mundial, entre
elas o
neo-realismo
italiano e a
nouvelle vague
francesa. As
câmeras
portáteis,
surgidas na
época, permitem
filmar com mais
facilidade.
Destacam-se as
produções Deus e
o Diabo na Terra
do Sol (1963),
de Glauber
Rocha; Os Fuzis
(1963), de Ruy
Guerra; A Grande
Cidade (1965),
de Carlos (Cacá)
Diegues; e
Macunaíma
(1969), de
Joaquim Pedro de
Andrade.
1964 –José
Mojica Marins
roda À
Meia-Noite
Levarei Sua
Alma. Nesta
fita, o cineasta
cria o coveiro
Zé do Caixão,
personagem
bizarro com
unhas longas,
fraque e cartola
interpretado por
ele próprio. Sua
extensa obra tem
quase 150
títulos, entre
eles Esta Noite
Encarnarei no
Teu Cadáver e O
Despertar da
Besta. A partir
dos anos 90 seus
filmes são
lançados em
vídeo nos
Estados Unidos.
1967 –Ozualdo
Candeias filma A
Margem, obra
considerada
inspiradora do
cinema
marginal.
1968 – O
cineasta Rogério
Sganzerla dirige
O Bandido da Luz
Vermelha, fita
ligada à
estética chamada
de marginal ou
underground. São
filmes
experimentais
que retratam a
situação social
do país de
maneira
debochada. Outro
líder do
movimento é
Júlio Bressane,
de Matou a
Família e Foi ao
Cinema (1969).
1969 – O governo
funda a
Embrafilme, que
a princípio tem
a função de
distribuir
filmes
brasileiros e,
logo depois,
passa também a
financiar o
cinema
nacional.
1976 – É criado
o Conselho
Nacional de
Cinema (Concine)
para normatizar
e fiscalizar o
mercado, em mais
uma tentativa de
industrialização
da produção.
Com Os
Trapalhões no
Planeta dos
Macacos, tem
início a
carreira de
sucesso dos
filmes de Os
Trapalhões,
quarteto fundado
no ano anterior.
Seu líder,
Renato Aragão, o
Didi,
protagonizara
vários filmes ao
lado de Dedé
Santana entre
1965 e 1976.
Rodada com
diferentes
diretores, sua
filmografia
contabiliza 39
obras, que foram
vistas por cerca
de 100 milhões
de pessoas. É o
conjunto de
maior bilheteria
do cinema
brasileiro.
Dona Flor e Seus
Dois Maridos, de
Bruno Barreto, é
a produção
brasileira de
maior bilheteria
em todos os
tempos, com 12
milhões de
espectadores.
1979 – Com o fim
da censura, no
final dos anos
70, a política e
a realidade
nacional voltam
a ser temas de
filmes como em
Bye Bye Brasil,
de Cacá Diegues.
Na mesma linha,
dois anos mais
tarde, Roberto
Faria realiza
Pra Frente,
Brasil.
Década de 80 –
Apesar da
retração de
público, 70
cineastas
estréiam em
longa-metragem
no decorrer de
quase toda a
década.
Destacam-se
Djalma Limongi,
de Asa Branca
(1982); André
Klotzel, de A
Marvada Carne
(1985); e Sérgio
Rezende, de O
Homem da Capa
Preta (1985).
Depois de
produzir, nos
anos 60 e 70,
filmes sobre o
cangaço
(Corisco, o
Diabo Loiro, de
Carlos Coimbra),
de faroeste
(Panca de
Valente, de Luís
Sérgio Person),
pornochanchadas
e comédias
eróticas, a
chamada Boca do
Lixo, em São
Paulo, parte
para o sexo
explícito na
década de 80.
Com o declínio
desse tipo de
fita nos
cinemas, a
produção da Boca
desaparece.
1980 –Revolução
de 30, de Sylvio
Back, é um dos
filmes da
pequena, porém
expressiva,
produção de
documentários da
década de 80.
São importantes
também Cabra
Marcado para
Morrer (1984),
de Eduardo
Coutinho, e
Jango (1984), de
Sílvio Tendler.
1981 –Eles Não
Usam Black-Tie,
de Leon Hirszman,
é o vencedor do
Leão de Ouro em
Veneza. Também
ganham prestígio
no mercado
internacional
fitas como
Memórias do
Cárcere (1983),
de Nelson
Pixote, a Lei do
Mais Fraco
(1980) e O Beijo
da Mulher-Aranha
(1984), de
Hector Babenco,
Parahyba Mulher
Macho (1982), de
Tizuka Yamazaki,
e Eu Sei Que Vou
Te Amar (1984),
de Arnaldo Jabor.
1984 – Depois de
rodar a comédia
erótica As Taras
de Todos Nós na
chamada Boca do
Lixo, onde
funcionava a
produção do
cinema popular
paulistano,
Guilherme de
Almeida Prado
assina a direção
de A Dama do
Cine Shangai.
Seu trabalho
mais recente é A
Hora Mágica.
1985 – A
cineasta Susana
Amaral dirige
seu único longa,
A Hora da
Estrela, baseado
no conto
homônimo de
Clarice
Lispector. A
protagonista
Marcélia Cartaxo
ganha o prêmio
de melhor atriz
no Festival de
Berlim.\ par
1990 – A
Embrafilme é
praticamente
extinta durante
o governo
Collor, e o
cinema passa por
um período
crítico sem
financiamento
oficial.
1993 –Alma
Corsária, de
Carlos
Reichenbach, é
um dos filmes
que sinalizam a
recuperação do
cinema
brasileiro. Ela
acontece com o
surgimento de
projetos de
incentivo à
produção
cinematográfica
e uma nova lei
de audiovisual.
Outras fitas
desse período
são A Terceira
Margem do Rio
(1994), de
Nelson Pereira
dos Santos, e
Lamarca (1994),
de Sérgio
Rezende.
1994 – Numa
parceria inédita
entre televisão
e cinema, Cacá
Diegues roda
Veja Esta
Canção, com
produção da TV
Cultura.
1995 – Há um
aumento
significativo da
produção de
filmes
brasileiros.
Entre os
destaques estão
Carlota Joaquina
– Princesa do
Brazil, longa de
estréia de Carla
Camurati, que
leva 1,2 milhão
de pessoas ao
cinema; Sábado
(1994), de Ugo
Giorgetti; e
Todos os
Corações do
Mundo – A Paixão
do Futebol
(1995), de
Murilo Salles.
Há também as
co-produções
entre Brasil e
Portugal, como
Terra
Estrangeira
(1995), de
Walter Salles
Jr. e Daniela
Thomas; e entre
Brasil e Estados
Unidos, como
Jenipapo (1995),
de Monique
Gardenberg.
1996 – Rosemberg
Cariry realiza
Corisco e Dadá,
seu trabalho de
estréia em
longa-metragem.
Murilo Salles
faz Quando
Nascem os Anjos.
O Quatrilho
(1995), do
diretor Fábio
Barreto,
concorre ao
Oscar de melhor
filme
estrangeiro.
1997 – Lírio
Ferreira e Paulo
Caldas voltam à
temática do
cangaço em Baile
Perfumado.
Walter Lima Jr.
realiza A Ostra
e o Vento. Entre
as principais
estréias em
longas-metragens
estão Matadores,
de Beto Brant, e
Um Céu de
Estrelas, de
Tata Amaral.
1998 –O Que É
Isso,
Companheiro?, de
Bruno Barreto,
concorre ao
Oscar de melhor
filme
estrangeiro.
Hector Babenco
lança Coração
Iluminado, obra
de caráter
autobiográfico.
1999 – Depois de
levar o Urso de
Ouro no Festival
de Berlim e
vários outros
prêmios, Central
do Brasil
(1998), de
Walter Salles
Jr., concorre ao
Oscar de melhor
filme
estrangeiro, que
fica com o
italiano A Vida
É Bela. Estrela
da fita,
Fernanda
Montenegro é
indicada para
melhor atriz,
prêmio ganho por
Gwyneth Paltrow,
de Shakespeare
Apaixonado.
Renomado
publicitário,
José Zaragoza
dirige Até Que a
Vida Nos Separe.
O jornalista
Pedro Bial faz
sua estréia como
cineasta com
Outras Estórias,
com base em
contos de
Guimarães Rosa.
Outras
adaptações
literárias são
Um Copo de
Cólera, romance
de Raduan Nassar
transcrito por
Aluizio
Abranches, e
Orfeu, peça de
Vinicius de
Moraes filmada
por Cacá
Diegues.
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