 |
|
1515 – O italiano
Leonardo da Vinci
descreve cientificamente
a câmera escura.
Precursora das câmeras
fotográficas atuais,
consiste em uma sala
totalmente escura, com
um pequeno orifício em
uma das paredes através
do qual a luz passa,
projetando imagens
invertidas dos objetos
externos na parede
oposta à abertura. No
final do século XVI,
colocam-se lentes no
orifício para melhorar a
projeção das imagens.
Nesse período, a câmera
escura era usada pelos
pintores para copiar
imagens da natureza.
1727 – O professor
alemão Johann Heinrich
Schulze constata que a
luz provoca o
escurecimento de sais de
prata. Essa descoberta,
em conjunto com a câmera
escura, fornece a
tecnologia básica para o
posterior
desenvolvimento da
fotografia.
1826 – O físico francês
Joseph Nicéphore Niépce
consegue fixar a
primeira imagem
fotográfica conhecida,
uma paisagem campestre
vista da janela de sua
casa. Ele coloca uma
placa sensibilizada
quimicamente dentro de
uma câmara escura com
orifício para exposição
à luz, processo que
demora, na época, oito
horas.
1835 – O pintor francês
Louis Daguerre descobre
que placas de cobre
cobertas com sais de
prata conseguem captar
imagens, que podem se
tornar visíveis ao ser
expostas ao vapor de
mercúrio. Isso o leva a
desenvolver, em 1939, o
daguerreótipo, aparelho
capaz de fixar a imagem
com um tempo menor de
exposição (em geral 30
minutos), o que
possibilita realizar
fotografias mais
rápidas. Cada uma ainda
é exemplar único, do
qual não é possível
fazer cópias.
1839-1840 – O físico
britânico William Henry
Fox Talbot cria uma base
de papel emulsionada com
sais de prata que
registra uma matriz em
negativo a partir da
qual é possível fazer
cópias positivas. Esse
processo, chamado de
calótipo e patenteado em
1841, é mais barato do
que o de Daguerre,
tornando a fotografia
mais acessível e mais
presente na vida das
pessoas. Entre 1844 e
1846 Talbot publica The
Pencil of Nature, o
primeiro livro ilustrado
com fotografias.
1840 – O norte-americano
Alexander Wolcott abre o
primeiro estúdio
fotográfico do mundo em
Nova York (EUA), onde
realiza pequenos
retratos com um
daguerreótipo. No ano
seguinte, começa a
funcionar o primeiro
estúdio europeu, em
Londres (Reino Unido),
dirigido pelo fotógrafo
britânico Richard Beard.
1851 – O escultor
britânico Frederick
Scott Archer desenvolve
o processo chamado de
colódio úmido, negativo
feito sobre placas de
vidro sensibilizadas com
uma solução de
nitrocelulose com álcool
e éter. O fotógrafo tem
de sensibilizar a placa
imediatamente antes da
exposição e revelar a
imagem logo depois. Esse
processo é 20 vezes mais
rápido que os anteriores
e os negativos
apresentam uma riqueza
de detalhes semelhante à
do daguerreótipo, com a
vantagem de permitir a
produção de várias
cópias.
1854-1910 – Nesse
período desenvolve-se o
movimento denominado
pictorialismo, que se
caracteriza por uma
tentativa de aproximação
da fotografia com a
pintura. Para isso, os
fotógrafos retocam e
pintam as fotos, riscam
os negativos ou embaçam
as imagens. Também
empregam em suas obras
composições e assuntos
característicos da
pintura. Seus temas são,
em geral, paisagem,
natureza-morta e
retrato. Entre os
grandes fotógrafos dessa
fase está o francês
Félix Nadar, o primeiro
a realizar fotos aéreas
a partir de um balão, em
1858. Apesar do
preconceito de alguns
pintores em relação à
fotografia, vários se
baseiam em fotos para
pintar, como os
franceses Ingres e
Delacroix e,
posteriormente, muitos
impressionistas.
1855 – O britânico Roger
Fenton fotografa durante
quatro meses a Guerra da
Criméia (1853-1856).
Para fazer seu trabalho,
transforma uma carruagem
puxada por cavalos em
quarto escuro, onde
revela as chapas. Ao
todo, produz 360
fotografias. Realiza
assim a primeira grande
documentação de uma
guerra e dá início ao
fotojornalismo.
1861-1865 – O
norte-americano Mathew
Brady faz a cobertura da
Guerra Civil Americana e
torna-se um dos
primeiros
fotojornalistas do
mundo.
1871 – O médico
britânico Richard Maddox
cria as chapas secas de
gelatina com sais de
prata, em substituição
ao colódio úmido.
Fabricadas em larga
escala a partir de 1878,
marcam o início da
fotografia moderna. A
grande vantagem em
relação ao colódio úmido
é que os fotógrafos
podem comprar as chapas
já sensibilizadas
quimicamente, em vez de
ter de prepará-las antes
da exposição.
1878 – O inglês Edward
Muybridge reproduz em
fotografia o movimento
de um cavalo galopando.
1880 –Publicação da
primeira fotografia pela
imprensa, na capa do
jornal Daily Herald, de
Nova York (EUA). Mas
somente no início do
século XX o uso de
fotografias nos jornais
e revistas torna-se
comum.
1882 – O francês Aphonse
Bertillon inventa o
sistema de identificação
de criminosos através da
ampliação fotográfica
das impressões
digitais.
1888 – O norte-americano
George Eastman
desenvolve a primeira
câmera portátil, a
Kodak, vendida com um
filme em rolo de papel
suficiente para tirar
100 fotografias.
Terminado o rolo, o
cliente manda a câmera
inteira para a empresa
Eastman, que revela o
filme e faz as cópias,
devolvendo o aparelho
com um novo rolo de
filme. O lema da Eastman
é "Você aperta o botão,
nós fazemos o resto". A
simplicidade da câmera
Kodak é responsável pela
popularização da
fotografia amadora. No
ano seguinte, Eastman
substitui o filme de
papel por um de plástico
transparente à base de
nitrocelulose.
1902 – O norte-americano
Alfred Stieglitz funda o
movimento fotossecessão,
no qual a foto passa a
ser valorizada como
expressão artística
própria, diferente das
demais artes. Os
fotossecessionistas
defendem a fotografia
sem retoques ou
manipulação nos
negativos e nas cópias,
em reação ao
pictorialismo. A
fotografia se aproxima
do abstracionismo, com
ênfase na forma e não no
objeto em si. O trabalho
dos fotossecessionistas
é divulgado pela revista
Camera Work, fundada por
Stieglitz e publicada
entre 1903 e 1917.
Edward Steichen, Alvin
Langdon Coburn e Paul
Strand estão entre os
principais nomes do
movimento.
1907 – Os franceses
Auguste e Louis Lumière
introduzem o autochrome,
o primeiro processo
fotográfico colorido.
Consiste de uma placa de
vidro coberta com grãos
de amido tingidos (que
agem como filtros para
as cores primárias) e de
poeira preta (que
bloqueiam a luz não
filtrada pelo amido).
Sobre essa placa
preparada é colocada uma
fina camada de emulsão
pancromática (sensível a
todas as cores),
obtendo-se uma
transparência colorida
positiva.
1915 – Com o
aperfeiçoamento dos
processos de impressão,
os jornais diários
começam a utilizar a
fotografia com mais
freqüência para ilustrar
as reportagens, em
substituição ao desenho.
A presença de fotos na
imprensa firma-se com os
jornais Daily Mirror, de
Londres (Reino Unido), e
Ilustrated Daily News,
de Nova York (EUA).
1919-1938 – Ao final da
I Guerra Mundial, a
fotografia liga-se a
movimentos artísticos de
vanguarda, como o
cubismo e o surrealismo.
Fotógrafos como o
norte-americano Man Ray
e o húngaro László
Moholy-Nagy trabalham em
estreita ligação com
pintores e outros
artistas. As técnicas de
fotomontagem
(manipulação de
negativos) e fotograma
(imagem direta sobre o
papel fotográfico, sem o
uso do negativo e da
câmera) são amplamente
usadas.
1923 – O norte-americano
Edward Weston introduz a
fotografia pura, sem
retoques ou
manipulações. Ele adota
o uso mais realista e
direto da câmera, com
certa ênfase na forma
abstrata, porém sem
impedir a identificação
do objeto fotografado.
1925 – Na Alemanha surge
um estilo realista
conhecido como Nova
Objetividade, que propõe
uma fotografia puramente
objetiva, em oposição ao
pictorialismo. Seu maior
representante é Albert
Renger-Patzsch, autor de
fotografias que se
caracterizam por linhas
fortes, documentação
factual e grande
realismo. Outro expoente
do movimento é August
Sander.
1925 – A empresa alemã
Leitz começa a
comercializar a primeira
câmera fotográfica 35
mm, a Leica, inventada
pelo engenheiro Oskar
Barnack. Ela dá um
grande impulso ao
fotojornalismo por ser
silenciosa, rápida,
portátil e por ter
disponíveis diversos
tipos de lentes e
acessórios.
1928-1929 – O
fotojornalismo
desenvolve-se na
Alemanha nas revistas
Berliner Illustrierte e
Münchener Illustrierte
Presse. Os principais
nomes dessa época são o
alemão Erich Salomon e o
britânico Felix Man.
1929 – As fotografias
começam a ocupar grande
espaço na publicidade,
considerada um dos
principais processos de
criação artística nesse
período. Vários
profissionais
importantes na época,
como Cecil Beaton, Man
Ray, Moholy-Nagy e
Edward Steichen, fazem
fotografias
publicitárias
paralelamente ao seu
trabalho artístico
pessoal.
1932 – O francês Henri
Cartier-Bresson começa
sua carreira como
fotojornalista,
desenvolvendo um estilo
definido por ele como a
busca pelo "momento
decisivo", isto é, pelo
instante fugaz em que
uma imagem se forma
completamente em frente
à câmera. Por isso, não
realiza nenhum tipo de
retoque ou manipulação
das imagens.
Cartier-Bresson torna-se
o mais influente
fotojornalista de sua
época. Entre os
seguidores do seu estilo
estão Robert Doisneau,
Willy Ronis e Edouard
Boubat.
1932 – Fundação do grupo
(64, nos Estados Unidos
(EUA),elos fotógrafos
Ansel Adams, Edward
Weston e seu filho
Brett, Willard Van Dyke,
Imogen Cunningham e
Sonia Noskowiak. O nome
refere-se à mínima
abertura das lentes
(diafragma) que permite
a máxima profundidade de
campo com o máximo de
nitidez, a principal
proposta do grupo.
1933 – O norte-americano
Harold Edgerton
desenvolve o flash
eletrônico.
1935 – Os
norte-americanos Leopold
Godowsky Jr. e Leopold
Mannes inventam o filme
Kodachrome, que permite
a obtenção de
transparências (slides)
coloridas com grande
riqueza de detalhes e de
tons, próprias para
reprodução ou projeção.
1935-1943 – A Farm
Security Administration,
entidade criada pelo
presidente
norte-americano Franklin
Roosevelt para estudar e
diminuir os problemas da
população rural dos
Estados Unidos (EUA)
durante a Grande
Depressão, recorre à
fotografia para
registrar suas
atividades, dando
impulso à fotografia
documental e de denúncia
social. Destacam-se o
trabalho dos fotógrafos
Walker Evans, Dorothea
Lange, Margareth
Bourke-White, Ben Shahn,
Arthur Rothstein e
Gordon Parks.
1936 – O norte-americano
Henry Luce funda a
revista Life, nos
Estados Unidos (EUA),
com o objetivo de
substituir a fotografia
acidental, improvisada,
por uma edição de
fotografia planejada. Os
fotógrafos a serviço da
revista, um marco da
fotorreportagem mundial,
são pautados para cada
matéria e encorajados a
produzir uma grande
quantidade de imagens
para dar mais opções de
escolha aos editores.
Vários dos principais
nomes do fotojornalismo
mundial trabalham para a
Life, entre eles Robert
Capa, que faz a
cobertura de guerras em
todo o mundo, durante
vinte anos, até morrer
no Vietnã, ao pisar em
uma mina terrestre.
Entre suas fotos mais
famosas estão Morte de
um Soldado Legalista
(soldado sendo alvejado
na Guerra Civil
Espanhola, entre
1936-1939) e a série de
imagens feitas durante o
desembarque das tropas
aliadas na Normandia, em
1944, durante a II
Guerra Mundial.
1942 – A Kodak introduz
o filme Kodacolor,
negativo colorido que
permite a confecção de
cópias em cores. Em 20
anos, o Kodacolor
torna-se o filme mais
popular entre os
fotógrafos amadores. A
empresa alemã Agfa, que
havia desenvolvido o
processo
negativo-positivo
colorido Agfacolor em
1936, começa a
comercializá-lo apenas
em 1949, devido à
eclosão da II Guerra
Mundial.
1945 – A empresa
austríaca Voigtländer
desenvolve as lentes
zoom, que permitem
fotografar objetos
situados a grande
distância da câmera.
1947 – Os fotógrafos
Robert Capa, Daniel
Seymour, Henri
Cartier-Bresson e George
Rodger fundam nos
Estados Unidos (EUA) a
agência cooperativa
Magnum. Nela trabalham
os principais nomes do
fotojornalismo mundial,
entre eles o
norte-americano Eugene
Smith, o suíço Werner
Bischof e o brasileiro
Sebastião Salgado.
1948 – O norte-americano
Edwin Land desenvolve a
câmera Polaroid, que
tira fotos instantâneas
em preto e branco.
Década de 50 – Após a II
Guerra Mundial, uma
corrente da fotografia
volta a passar por uma
fase abstracionista e
deixa de ter o
compromisso de registrar
a realidade. Adota-se o
uso expressivo e
emocional das imagens.
Nessa linha destaca-se o
trabalho do
norte-americano Minor
White. Para ele, a
fotografia deve ser
transformada para que o
espectador perceba a
mensagem interior da
imagem, não visível na
superfície. Outros
representantes dessa
corrente são Aaron
Siskind, Harry Callaham
e Bill Brandt. No
fotojornalismo, a
cobertura fotográfica
dos acontecimentos no
pós-guerra ganha fôlego
com as revistas Time e
Newsweek, nos Estados
Unidos (EUA); Paris
Match, na França; e Der
Spiegel e Stern, na
Alemanha.
1955 – O fotógrafo
norte-americano Edward
Steichen organiza no
Museu de Arte Moderna de
Nova York (MoMA) a
exposição The Family of
Man, uma seleção de
cerca de 500 fotos
tiradas em 68 países que
registram todas as fases
da vida humana, do
nascimento à morte. A
exposição, que teve
grande repercussão
mundial e se tornou um
marco da fotografia
documental, é levada a
vários países e dá
origem a um livro com
diversas edições.
1959 – Lançamento do
livro The Americans, do
fotógrafo
norte-americano Robert
Frank, registro
fotográfico da viagem
que fez pelos EUA com o
poeta beat Jack Kerouak.
Frank rompe com a
tradição da fotografia
documental, imparcial e
distante, dando às suas
imagens um caráter
subjetivo.
Década de 60 – Nesse
período desenvolve-se um
grande intercâmbio entre
o trabalho de fotógrafos
e artistas plásticos.
Muitos fotógrafos usam
técnicas manuais de
manipulação de imagens,
como retoques e pinturas
de negativos e de
cópias. Os pintores, por
sua vez, imitam a visão
fotográfica (figurativa)
e introduzem fotos em
suas obras, por meio de
colagem ou reprodução em
silkscreen, como ocorre
na pop art, nos
trabalhos dos
norte-americanos Andy
Warhol e James
Rosenquist. A fotografia
também é bastante
utilizada pela arte
conceitual, como meio
para a expressão de um
conceito.
1962 – Os
norte-americanos Emmett
Leith e Juris Upatnieks
e o soviético Yuri
Denisyuk desenvolvem
simultaneamente a
holografia, fotografia
em três dimensões obtida
por meio da exposição de
um filme ou chapa à luz
de raio laser refletida
em um objeto.
Década de 70 – As
fotografias ganham maior
importância como obras
de arte. Começam a ser
produzidas com mais
freqüência em formato de
livro, são exibidas em
galerias e museus e
compradas por
colecionadores. A
fotografia passa também
a ser objeto de estudo
acadêmico, como arte que
deve ser compreendida e
estudada, a exemplo das
demais manifestações
artísticas (pintura,
música, literatura,
entre outras). A
fotografia documental
continua a ser
desenvolvida, apesar de
ter perdido espaço para
a televisão e o cinema.
Aumenta o uso da cor, em
especial na fotografia
de moda e de
publicidade.
Década de 80 – Nesse
período, é reforçada a
visão da fotografia como
obra capaz de transmitir
informação e prazer, mas
também como meio de
comunicar mensagens
políticas e sociais.
Cresce a importância da
imagem fotográfica como
instrumento da
publicidade. Um dos
principais nomes da
fotografia publicitária
é o italiano Oliviero
Toscani, que causa
polêmica com as
campanhas para a grife
Benetton, iniciadas em
1982, ao tratar de
questões como violência
e racismo em seus
trabalhos. Técnicas
antigas de reprodução
voltam a ser utilizadas
para a produção de
imagens mais elaboradas
e verifica-se uma
tendência a se reduzir o
número de cópias de uma
fotografia.
1981 – O brasileiro
Sebastião Salgado
torna-se mundialmente
conhecido ao ser o único
fotógrafo a registrar a
tentativa de assassinato
do presidente
norte-americano Ronald
Reagan. Representante da
fotografia documental,
Salgado se destaca nos
anos 80 e 90 por suas
grandes fotorreportagens
de denúncia social,
publicadas em livros
como Sahel: l’Homme en
Détresse (1986),
Trabalhadores (1993) e
Terra (1997).
Década de 90 –
Intensifica-se o uso das
câmeras digitais,
principalmente no
fotojornalismo e na
publicidade. Nessas
câmeras, o filme é
substituído por um disco
ou cartão de memória no
qual as imagens são
armazenadas
digitalmente. Elas
podem, assim, ser
transmitidas por meio de
linha telefônica para um
computador em qualquer
lugar do mundo de forma
extremamente rápida, já
que o processo digital
elimina a necessidade de
revelação e ampliação.
1993 –Glass Tears, de
Man Ray, torna-se a
fotografia mais cara do
mundo, ao ser vendida
por US$ 65 mil.
1997 – A Maison
Européenne de la
Photographie (França)
realiza a exposição Des
Européens, que apresenta
20 fotos inéditas de
Henri Cartier-Bresson. A
mostra reúne ainda
outras 160 imagens
realizadas pelo
fotógrafo francês entre
os anos 30 e 70. |
|
 |
|
|
|