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1832 – O francês
Hércules Florence,
residente na cidade de
Campinas (SP), realiza
as primeiras imagens
fotográficas no país.
Cientista e desenhista,
participou da expedição
Langsdorff, que percorre
os estados de São Paulo,
Mato Grosso e Grão-Pará.
Desde então, empenhou-se
em buscar o registro de
imagens. Embora não
conhecesse o trabalho de
Nicéphore Niépce
(1765-1833), que fixou a
primeira fotografia em
1826, Hercules Florence
pesquisa a gravação de
imagens pela ação da
luz. O processo
desenvolvido por ele
baseia-se no mesmo
princípio estabelecido
pelo inglês William
Henri Fox Talbot: a
reprodutibilidade das
chapas
(negativo/positivo),
fundamento da fotografia
até hoje. Ele se refere
ao processo pelo nome de
photographie seis anos
antes do britânico John
Herschel, considerado o
primeiro a fazer menção
à palavra.
1840 – O abade francês
Louis Compte, de
passagem pelo Rio de
Janeiro, realiza três
daguerreótipos (imagens
obtidas com um aparelho
capaz de fixá-las em
placas de cobre cobertas
com sais de prata). É a
primeira demonstração do
funcionamento do
processo no Brasil e na
América Latina. No mesmo
ano, o fotógrafo
Augustus Morand produz
as primeiras fotos da
família real brasileira
e do Palácio São
Cristóvão.
O imperador Pedro II
compra uma câmera de
daguerreótipo e começa a
produzir imagens,
tornando-se o primeiro
brasileiro nato a
dedicar-se à
fotografia.
1851 – Dom Pedro II
atribui o título de "Photographo
da Casa Imperial" aos
retratistas Buvelot e
Prat. É a primeira vez
que um soberano concede
uma honraria a um
fotógrafo.
Posteriormente, o
imperador brasileiro
outorga o título a mais
21 profissionais da
época.
1853 – Começa a
funcionar no Rio de
Janeiro a primeira
oficina de calótipoo
país, dirigida por C.
Guimet. Esse processo
permite que se obtenha
cópias das fotografias.
1860-1900 – Imigrantes
europeus trazem as novas
tecnologias fotográficas
ao país, como o colódio
úmido (negativo feito
sobre placas de vidro
sensibilizadas com uma
solução química).
Proliferam estúdios de
retratistas nas
principais cidades
brasileiras. O alemão
Alberto Henschel abre
escritórios no Recife,
em Salvador, no Rio e em
São Paulo e
transforma-se no
primeiro grande
empresário da fotografia
brasileira. Nessa época
também se destacam
Walter Hunnewell, que
faz a primeira
documentação fotográfica
da Amazônia, Marc Ferrez,
que produz imagens
panorâmicas de paisagens
brasileiras, e Militão
Azevedo, o primeiro a
retratar
sistematicamente a
transformação urbana da
cidade de São Paulo.
1861 – O francês Victor
Frond lança o álbum
Brazil Pittoresco, o
primeiro livro de
fotografia do Brasil e
da América Latina.
1900 – São publicadas as
primeiras fotos da
imprensa brasileira na
Revista da Semana. Nos
anos seguintes, outros
jornais e revistas
intensificam o uso de
fotografias, entre eles
O Malho, Kosmos, A Vida
Moderna, Fon-Fon, Careta
e Paratodos.
1901 – O fotógrafo
Castro Moura introduz no
país o cartão-postal.
1904 – Valério Vieira
realiza pesquisas de
montagens fotográficas
com vários negativos
desde início do século
XX. Seu auto-retrato Os
30 Valérios recebe
medalha de prata na
Feira Internacional de
Saint Louis (EUA). Em
1922, Vieira ganha
medalha de ouro na mesma
feira pela maior
impressão fotográfica do
mundo, uma panorâmica da
cidade de São Paulo de
16 m x 1,4 m.
1911 – Primeiro
fotógrafo oficial da
prefeitura do Rio de
Janeiro, Augusto Malta
registra cenas do
Carnaval carioca, dando
início ao fotojornalismo.
1928 – O engenheiro
químico Conrado Wessel
funda, em São Paulo, a
primeira fábrica de
papel fotográfico da
América Latina.
Posteriormente, ela é
comprada pela Eastman
Kodak, quando a empresa
norte-americana se
instala no Brasil. A
atividade de Wessel
contribui para a difusão
da fotografia no país
entre as décadas de 30 e
50.
1935 – Fundação da
Revista São Paulo,
publicação com projeto
gráfico arrojado, que
valoriza o
fotojornalismo e a
fotomontagem, na qual se
destacam o trabalho de
Benedito Junqueira
Duarte e de Theodor
Preissing.
1939 – Fotógrafos de
origem alemã imigram
para o Brasil trazendo
influências do movimento
Bauhaus, como a ênfase
nas formas e no grafismo
e o uso de recursos como
ampliação, montagem,
dupla exposição e
solarização, entre
outros. Destacam-se os
trabalhos de Hildegard
Rosenthal, Hans Gunter
Flieg, Fredi Kleeman e
Alice Brill.
Década de 40 – Auge do
fotoclubismo, movimento
que reunia profissionais
de diferentes áreas
interessados na prática
da fotografia como uma
forma de expressão
artística. Os primeiros
fotoclubes surgem no
início do século XX, mas
é a partir dos anos 30
que passam a ter papel
de destaque na formação
e no aperfeiçoamento
técnico dos fotógrafos
brasileiros. Os
principais são o Photo
Club Brasileiro, fundado
no Rio de Janeiro em
1923, e o Foto Cine
Clube Bandeirante,
criado em São Paulo em
1939, cuja atuação é
fundamental para o
desenvolvimento da
fotografia de autor no
país. Entre os expoentes
do fotoclubismo estão
Thomas Farkas, José
Oiticica Filho, Eduardo
Salvatore, Chico
Albuquerque, José
Yalenti, Grigóri
Varchávchik, Hermínia de
Mello Nogueira Borges,
Nogueira Borges, Geraldo
de Barros e Gaspar
Gasparian.
1946 – Geraldo de Barros
e José Oiticica Filho
impulsionam a fotografia
de autor, que deixa de
se preocupar com o
retrato da realidade e
busca novas formas de
expressão artística.
Eles rompem com a
tradição pictorialista
predominante até os anos
40 e disseminada pelos
fotoclubes.
1947 – Lançamento da
revista Iris, a mais
antiga publicação
brasileira especializada
em fotografia ainda em
circulação.
1948 – O fotógrafo Chico
Albuquerque faz a
primeira campanha
publicitária fotográfica
no país.
1948-1950 – O Museu de
Arte de São Paulo (Masp)
realiza as primeiras
exposições de fotografia
em museus brasileiros,
com os trabalhos de
Thomas Farkas (1948) e
de Geraldo de Barros
(1950). Nesse período,
os dois criam no Masp um
laboratório fotográfico
e um programa de cursos
de fotografia, que
contribuem para a
formação de diversos
profissionais nos anos
seguintes.
Década de 50 – A revista
O Cruzeiro e o Jornal do
Brasil dão grande
impulso ao
fotojornalismo
brasileiro ao destinar
um espaço destacado nas
reportagens para as
fotografias, até então
usadas como acessórios
do texto. Entre os
principais nomes desse
período estão Jean
Manzon, Luiz Carlos
Barreto, Indalécio
Wanderley, Ed Keffel,
Luciano Carneiro, José
Medeiros, Peter Scheier,
Flávio Damm e Marcel
Gautherot.
1952 – Lançamento da
revista Manchete, que
procura estabelecer uma
narrativa visual
independente do texto em
suas reportagens.
Década de 60 – Período
de auge da
fotorreportagem no país,
com o surgimento das
revistas Realidade
(1966) e Veja (1968) e
do Jornal da Tarde
(1966). Profissionais
como Maureen Bisilliat,
David Drew Zingg,
Claudia Andujar, Luigi
Mamprin, George Love e
Walter Firmo fazem
imagens informativas e
de grande qualidade
estética. Destaca-se
ainda o trabalho de Luís
Humberto, que consegue
realizar fotos irônicas
sobre a situação do
Brasil sob regime
militar apesar do
controle da censura.
1965 – A Fundação Bienal
de São Paulo introduz a
fotografia em suas
exposições oficiais.
Década de 70 – Surgem
inúmeras oficinas e
escolas de fotografia no
país, como a Enfoco e a
Imagem e Ação, em São
Paulo, que impulsionam a
fotografia de autor. A
falta de lugares
especializados para
exposições leva à
criação de diversas
galerias (como a
Fotóptica e a Álbum) e
ao aparecimento de
grupos como o
Photogaleria, com
atuação no Rio de
Janeiro e em São Paulo,
que busca inserir a
fotografia no mercado de
arte do país.
1970-1975 – Claudia
Andujar e George Love
desenvolvem o workshop
de fotografia no Museu
de Arte de São Paulo
(Masp), que influencia a
produção de dezenas de
fotógrafos paulistas nas
décadas seguintes.
1976 – O historiador
brasileiro Boris Kossoy
divulga publicamente as
experiências de Hércules
Florence no III Simpósio
Internacional de
Fotografia da
Photographic Historical
Society of Rochester
(EUA), comprovando seu
pioneirismo .
1979 – Criação do
Instituto Nacional de
Fotografia da Funarte
(Fundação Nacional de
Arte), órgão do
Ministério da Cultura. A
iniciativa marca o
começo de uma política
oficial para a área, o
que possibilita o
mapeamento da produção
fotográfica da época.
Década de 80 – A
imprensa intensifica o
uso de fotos com a
introdução do sistema
digital de transmissão
de imagens, que permite
o envio através da linha
telefônica. A fotografia
brasileira torna-se
conhecida no exterior
por meio da participação
em exposições
internacionais e da
publicação do trabalho
de fotógrafos
brasileiros em revistas
estrangeiras. Entre os
principais nomes do
período estão Sebastião
Salgado, Cristiano
Mascaro, Miguel Rio
Branco, Luiz Carlos
Felizardo, Hugo
Denizart, Cláudio
Edinger, Mario Cravo
Neto, Arnaldo
Pappalardo, Kenji Ota e
Marcos Santilli.
1981 – Sebastião Salgado
é o único profissional a
documentar a tentativa
de assassinato do
presidente
norte-americano Ronald
Reagan, o que lhe dá
grande destaque
internacional. Radicado
na França, Salgado é
reconhecido mundialmente
como um dos mestres da
fotografia documental
contemporânea. Nos anos
80 e 90 publica grandes
fotorreportagens de
denúncia social, em
livros como Sahel:
l’Homme en Détresse
(1986), Trabalhadores
(1993) e Terra (1997).
Década de 90 – A
fotografia deixa de ser
utilizada apenas como
imagem bidimensional e
objetiva e passa a fazer
parte de instalações,
representando elementos
abstratos, como
sensações, sentimentos e
emoções. São seguidores
dessa linha Rosângela
Rennó, Eustáquio Neves,
Rubens Mano e Cássio
Vasconcellos. Na
fotografia documental,
destacam-se os trabalhos
de Luiz Braga, Elza
Lima, Tiago Santana, Gal
Oppido, Ed Viggiani e
Eduardo Simões, entre
outros.
1996 – O Centro de
Comunicações e Artes do
Senac de São Paulo
inicia acordo de
cooperação internacional
com o Rochester
Institute of Technology,
nos Estados Unidos, o
que permite um
intercâmbio maior entre
fotógrafos dos dois
países.
1997 – O Instituto
Cultural Itaú inaugura o
setor Fotografia no
Brasil no Banco de Dados
Culturais/Informatizado.
O banco fornece, além de
nomes de profissionais
brasileiros ou
estrangeiros que
trabalham no país,
textos sobre técnicas
fotográficas, críticas
de exposições e
fotografias
digitalizadas dos mais
diversos temas.
1999 – O Senac de São
Paulo dá início ao
primeiro curso superior
de fotografia do Brasil. |
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