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Música popular surgida em Nova
Orleans, Estados Unidos, por
volta de 1900, criada por
músicos negros. Caracteriza-se
pela improvisação constante,
pela forte marcação rítmica e
pelo uso freqüente da síncope e
da polifonia, que podem tratar a
variação de um tema ou evoluções
de melodias totalmente novas. As
primeiras estruturas do jazz são
semelhantes às do blues, como as
blue notes (notas médias não
encontradas na escala diatônica,
que troca a terceira e a sétima
nota da escala). Em suas raízes
está a fusão de ritmos trazidos
pelos africanos com a música
européia dos séculos XVIII e
XIX. Trata-se de uma atitude
inédita, que não compreende a
música apenas como atividade
social. O músico é o compositor
e o próprio intérprete.
Inicialmente, a palavra jazz era
também conhecida como "jass",
atribuída ao francês jaser, que
significa falar, tagarelar. É
publicada como sinônimo de dança
em 1909. Em 1913, os músicos do
exército norte-americano tocavam
jazz e ragtime, o último
elemento a compor o jazz.
Até o começo dos anos 20, o jazz
enfrenta resistência devido ao
racismo –grandes músicos negros
não obtêm reconhecimento. Apesar
dos excelentes músicos brancos
de jazz, italianos e judeus, os
inovadores são os negros, e Nova
Orleans constitui-se no
principal centro. A acelerada
migração leva muitos artistas a
outras partes, Mississippi,
Chicago e depois Nova York.
Surgem pioneiros como o pianista
Tony Jackson, o cornetista Buddy
Bolden, Freddie Keppard, Jelly
Roll Morton, Alan Philip e Kid
Thomas Valentine.
Estilos – Nos anos 20, o
trompetista de Nova Orleans
Louis Armstrong (1900-1971)
envolve-se com diversas
formações de bandas de jazz e
inaugura a série Hot Fives e Hot
Sevens em gravações elétricas. É
ele que permite a solistas maior
liberdade em relação às estritas
regras clássicas do estilo.
Armstrong torna-se o primeiro e
um dos maiores solistas da
história do jazz. Seus discos
abrem novos caminhos para a
música norte-americana, com um
estilo que alterna tensão e
descontração. Outro nome do
período é o pianista e
compositor Duke Ellington
(1899-1974), responsável pelas
composições de jazz para grandes
grupos de músicos e introdutor
da era das big bands. Benny
Goodman o sucede em 1935.
Durante os 15 anos seguintes –
seu período de maior sucesso –,
o jazz domina totalmente a
música popular americana. Bandas
como Count Basie, Stuff Smith,
Harry Edison, Jimmy Blanton,
Charlie Christian e McKinney’s
Cotton Pickers exibem-se em todo
o país. Nesse período ocorrem
muitas inovações. Count Basie
reintroduz o blues no jazz, o
que traz ao gênero um novo
impulso. Com Ben Webster,
Coleman Hawkins adota o saxofone
tenor como instrumento de jazz.
O saxofonista Lester Young
apresenta a alternativa de tocar
mais alto e mais leve. Billie
Holiday (1915-1959) é
considerada a maior cantora de
jazz, seguida por Ella
Fitzgerald. Com o fim das big
bands, outra geração de músicos
desponta nas jam sessions do
bebop (estilo que apresenta
tempos mais rápidos e frases
mais longas e complexas):
Charlie Parker, Dizzy Gillespie,
Sarah Vaughan, Thelonious Monk,
Kenny Clarke, Max Roach e Bud
Powell.
Nos anos 40, começa o bop,
malsucedido comercialmente
apesar da popularidade de Dizzy
Gillespie. O bop é improvisado
nas cordas em vez de na melodia
e cria novas tonalidades da
estrutura dos standards,
alterando cordas em longos
intervalos e usando uma alta
gama de notas – quase como na
música clássica.
Nos anos 50, o jazz registra uma
das mais baixas popularidades de
toda a sua história. Aparecem
derivações como modern jazz,
progressive jazz e cool jazz.
Nessa época ganha destaque o
pianista e compositor Dave
Brubeck, de grande sucesso
comercial. Outros nomes também
se firmam: Gerry Mulligan, Chet
Baker, Lee Konitz, Art Peper e
Stan Getz. A gravadora Blue Note
e outros selos ajudam a projetar
talentos como Sonny Rollins,
Johnny Griffin, Tina Brooks,
John Coltrane, Dexter Gordon e
Gil Evans. Charlie Mingus
influencia vários músicos e
bandas: Eric Dolphy e Art
Blakey’s Jazz Messengers.
Músicos da Blue Note apresentam
influência funk no jazz e
originam termos como jazz-funk e
disco-funk. Na metade da década
de 50, surge o Miles Davis’s
Quintet. Miles fica conhecido
como símbolo do hard bop, que
enfatiza as raízes africanas do
jazz. Nos anos 60, o saxofonista
Ornette Coleman (1930-) introduz
o free jazz. O som muda de uma
frase para outra, alternando
marcações imprevisíveis de tom.
A vertente mais popular dessa
tendência é a fusion music, que
une jazz, rock e ritmos
latino-americanos. Evidenciam-se
Herbie Hancock, Chick Corea, Don
Cherry e Jimmi Smith.
Considerados influenciadores da
new age, encontram-se Keith
Jarrett, Larry Coryell, Corea,
Weather Report, Bill Bruford e
Bill Laswell. Nos anos 80,
orientado para o pop, o
trompetista Wynton Marsalis
explora com êxito um novo
estilo. Em meados da década
surge o acid jazz, com base no
doo-bop de Miles Davis, uma
mistura de jazz com samples e
loops de clássicos e rap, cujos
expoentes são Miles, US3, Guru’s
Jazzmatazz, Digable Planets e
James Taylor Quartet. O acid
jazz resgata veteranos: Donald
Byrne, Don Cherry e Pharoah
Sanders. Na década de 90, o jazz
consolida-se como um dos gêneros
de maior influência entre
músicos de todos os estilos e
países. Além da Blue Note, faz
sucesso a gravadora Verve. Seus
nomes de mais sucesso são
Cassandra Wilson, Jackie McLean,
Joe Henderson, Joshua Redman,
Charlie Hunter Trio, Dianne
Reeves, Wallace Roney, Ron
Carter etc. Tem destaque o jazz
latino de Tito Puentes, Arturo
Sandoval, Paquito d’Rivera.
Jazz no Brasil – O jazz
influencia a música brasileira a
partir dos anos 50 com o
surgimento da bossa nova – uma
mistura de elementos do jazz com
samba. Do jazz, a bossa nova
importa os improvisos ao piano,
violão e saxofone e uma
estrutura melódica e harmônica
sofisticada, além da
interpretação sincopada.
Considerada o cool jazz
brasileiro, a bossa nova é
fortemente incorporada à cultura
norte-americana nos anos 60 por
intermédio de músicos como Stan
Getz, João Gilberto, Astrud
Gilberto e Tom Jobim. Grandes
nomes do jazz gravam bossa nova:
Sarah Vaughan, Ella Fitzgerald e
Joe Henderson. Depois da bossa
nova, muitos músicos brasileiros
incorporam o jazz em suas
músicas. Entre os músicos que se
dedicam a dar um formato
brasileiro ao jazz tradicional,
estão o saxofonista Paulo Moura,
a pianista Eliane Elias, a
cantora Flora Purim, Leo
Gandelman, César Camargo
Mariano, Victor Assis Brasil,
Egberto Gismonti, Naná
Vasconcelos, Hermeto Pascoal,
André Geraissati e Zimbo Trio. |
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