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Chama-se de eletrônica a música
criada com sons produzidos em
laboratórios por aparelhos
geradores de freqüência, depois
manipulados e gravados em fita
magnética. Surge no início da
década de 50 e explora os
recursos oferecidos pela
evolução da eletrônica,
associados com os métodos de
composição do serialismo. A
partir de 1958, os artistas
misturam instrumentos acústicos
e eletrônicos e dão origem à
música eletroacústica. Essa
interação se sofistica com os
recursos da informática. Apesar
do nome, não há relação entre
esse tipo de composição e a
música executada com
instrumentos criados e
popularizados pela indústria
eletrônica, como a guitarra
elétrica. Enquanto a música
concreta utiliza sons ambientais
depois reelaborados em estúdio,
a eletrônica só trabalha com
sons sintetizados em
laboratório. A maioria das
composições é gravada e dispensa
intérprete.
As primeiras apresentações
acontecem em 1954 na rádio de
Colônia, na Alemanha. Studien 1
e 2 e Canto dos Adolescentes, de
Karlheinz Stockhausen, e
Glockenspiel, de Herbert Eimert
(1897-1972), são algumas obras
pioneiras. Posteriormente,
estúdios que gravam música
eletrônica se espalham por
países como Itália, Bélgica,
Japão, Estados Unidos (EUA) e
França. Em meados da década de
60, a multiplicação e o
aperfeiçoamento do gênero fazem
dos equipamentos eletrônicos a
base da música pop da época.
No começo dos anos 70 surge o
moog sintetizador, um marco da
produção da música pop
eletrônica. O tecladista Keith
Emerson, do grupo de rock
progressivo Emerson, Lake &
Palmer, o explora bastante e
obtém dele efeitos
impressionantes. O compositor e
instrumentista Walter Carlos
produz a trilha sonora do filme
Laranja Mecânica, de Stanley
Kubrick, basicamente com o moog
sintetizador. Ainda na década de
70, os músicos, por vezes, usam
elementos eletrônicos apenas
como detalhe de arranjos –
Robert Plant, do Led Zeppelin,
utiliza um teremim em
concertos.
Criador da música pop
eletrônica, o grupo alemão
Kraftwerk é o primeiro, no
início dos anos 70, a
estabelecer as bases da música
pop eletrônica. Também um
aspecto da produção recente da
música eletrônica, os samples é
uma mostra de sons aleatórios
justapostos eletronicamente a
outros panoramas musicais. Com o
sample, torna-se possível colar,
ou seja, copiar diversos tipos
de som, inclusive os acústicos,
e repeti-los numa ordem
programada.
No começo dos anos 80, com o
avanço da tecnologia digital, da
fita DAT de gravação, da
popularização do microcomputador
doméstico e de estúdio, do
sistema de gravação pro-tools,
adaptado a um teclado,
praticamente qualquer pessoa
pode produzir música eletrônica
em casa – e de excelente
qualidade. Nessa época surgem os
DJs, que não apenas tocam
músicas nos clubes, mas remixam
boa parte das produções
existentes, transformando
radicalmente a produção musical.
Ainda nos anos 80 é criado o
Musical Instrument Digital
Interface (MIDI), programa de
transmissão de dados entre
computadores, sintetizadores,
mixers computadorizados e
gravadores. O MIDI padroniza uma
linguagem que permite a
conversa, a conexão entre
instrumentos musicais. Ele
possibilita que uma mesma pessoa
componha, execute e grave peças
musicais sofisticadas. Na década
de 90, novos "grupos" – na
verdade, formados por uma só
pessoa – de música pop
eletrônica desfrutam esse
aparato. Entre eles destacam-se
808 State, Peter Gabriel, Thomas
Dolby, Brian Eno, Holger Czukay,
Todd Rundgren, Cabaret Voltaire,
Aphex Twin, Autechre, Speed J e
Black Dog. Outros gêneros
musicais aparecem: techno,
ambient, trance, trip hop,
drum’n’bass e house. No fim dos
anos 90, os destaques são The
Orb, Orbital, Underworld, Fat
Boy Slim e Africa Bambaata.
Nas universidades dos EUA,
existem atualmente estúdios de
música eletrônica. Entre os
diversos aparelhos, encontram-se
os computadores utilizados para
compor o que se chama de música
computadorizada. Na França está
o maior laboratório de música
eletrônica do mundo, o Instituto
de Pesquisa e Coordenação
Acústica/Música (Ircam), que
desenvolve os principais
programas empregados na
composição computadorizada.
Música eletrônica no Brasil – O
Brasil assimila tardiamente, e a
seu modo, a música pop
eletrônica internacional dos
anos 80 e 90. Na segunda metade
dos anos 90, há um interesse
pela música tecno,
principalmente como efeito de
arranjos musicais. Experimentos
de pesquisa sonora mais radical
são realizados pelo grupo Chelpa
Ferro no fim da década de 90.
Entre os principais nomes da
nova geração de produtores de
música eletrônica brasileira
estão Friendtronics, Xerxes, Mau
Mau, M4J, Marky, Tetine,
X-Action, Lourenço Loop B,
Ramilson Maia, Gismonti André e
Fábio Almeida |
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