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MÚSICA SERTANEJA

Denominação genérica de toda música popular com características rurais, que utiliza violas caipiras, acordeons e vocalização em terças paralelas – as melodias das duas vozes se mantêm separadas pela mesma distância na escala. As letras invocam os aspectos bucólicos e românticos da paisagem, das pessoas e da vida interiorana. Esse tipo de música surge isoladamente, sem nenhum tipo de influência da cultura urbana nem da música norte-americana ou européia. 

As canções sertanejas começam a popularizar-se em 1914, com a toada Cabocla di Caxanga, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense. A partir de 1920 o termo sertanejo passa a ser usado também por compositores profissionais urbanos para identificar as estilizações de ritmos rurais, que abrangem modas, toadas, cateretês, chulas, batuques e emboladas. Na década de 40, o rádio torna-se um importante veículo de difusão do gênero, com radialistas como Zé Bettio, da Rádio Record. 

Nessa mesma época tem início a fusão da música criada nos sertões do país com a produzida nas cidades. Aparecem então estilos urbanos com sotaque interiorano, como o samba sertanejo e a valsa sertaneja. Na década de 70, a música sertaneja urbana passa a incorporar elementos do romantismo melancólico difundido pelo cantor e compositor Roberto Carlos em canções como Amada Amante e Detalhes. Essa nova vertente se torna um fenômeno de vendas nos anos 90, com a ascensão das duplas Xitãozinho & Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé Di Camargo e Luciano, Gian & Giovanni, Christian & Ralf e o cantor Daniel. Ela também se fixa definitivamente à imagem do caubói americanizado disseminada nos rodeios realizados em várias partes do país, que atraem um número de pessoas cada vez maior ao interior. 

Paralelamente a essa produção, desenvolve-se o trabalho de artistas que preservam as características originais da música sertaneja. Entre os principais nomes dessa tendência estão Tonico e Tinoco, Cascatinha & Inhana, Pena Branca e Xavantinho, Alvarenga e Ranchinho, Matogrosso e Matias, Irmãs Galvão, Teixeirinha e Inezita Barroso. Num período posterior, sobressaem Milionário & José Rico, responsáveis pelo renascimento do gênero nos anos 80, e Cezar e Paulinho. Entre os cantores solo destacam-se Sérgio Reis, Almir Sater, Roberta Miranda e Jair Rodrigues. 

Música caipira versus sertaneja – O termo sertanejo com freqüência é usado como sinônimo de caipira, nome inicialmente associado à música da região centro-sul brasileira, conhecida como "Paulistânia" – que inclui os ritmos produzidos nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. Algumas pessoas, no entanto, consideram que música sertaneja é aquela produzida nas grandes cidades. A música caipira seria a verdadeira música de raiz, que não teve influência urbana e não utiliza instrumentos modernos adaptados, como bateria, teclados, guitarras e baixos elétricos. Na opinião de um dos principais nomes da vertente de raiz, a cantora, compositora e violonista Inezita Barroso, uma das diferenças básicas está na temática. A música caipira versa sobre a vida no campo, histórias de bichos, fábulas, episódios, crenças e choques de culturas, enquanto a música sertaneja urbana fala das cidades, é mais dramática e melancólica e trata de temas como adultério, traição e frustração.

 
 
 
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