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Gênero musical nascido na
Jamaica, que se consolida na
década de 70. Caracteriza-se
pela mistura de ritmos
percussivos africanos com
elementos de mento, música
folclórica jamaicana, calipso e
ska, que conferem ao estilo um
ritmo dançante. Os principais
instrumentos que marcam o reggae
são a bateria; a guitarra, que
faz o contratempo, às vezes
acompanhada da caixa da bateria
e percussão; e o contrabaixo,
cuja sonoridade é semelhante à
dos tambores africanos. As
letras contêm forte crítica
social à situação dos negros
jamaicanos, à pobreza no
terceiro mundo e à
religiosidade. A temática recebe
grande influência do movimento
jamaicano religioso rastafari,
que prega a superação da miséria
dos negros por meio da atuação
política e espiritual, e que tem
no uso da maconha seu elemento
de transcendência mística e
filosófica. O movimento é
iniciado pelo padre jamaicano
Marcus Mosiah Garvey
(1887-1940), que abandona a
idéia de harmonia racial,
defendendo que os negros
deveriam voltar à África. O nome
é uma referência ao imperador
etíope Ras Tafari Makonnen,
coroado em 1930 e considerado
líder espiritual dos mais
fanáticos rastafaris jamaicanos
por muitos anos.
Inicialmente, o gênero é tocado
nos subúrbios de Kingston,
capital do país, onde os negros
organizam os sound systems –
bailes comandados por
disc-jóqueis (DJs). Os DJs
tornam-se figuras fundamentais,
como Prince Buster, um dos
pioneiros. No fim dos anos 50
surgem os primeiros grandes
nomes, como Delroy Wilson, Bob
Andy, Burning Espear e Johnny
Osbourne, e as bandas The
Wailers, Ethiopians, Desmond
Dekker e Skatalites. Nessa
época, as rádios jamaicanas,
dominadas pela aristocracia,
recusam-se a tocar reggae – a
música dos desfavorecidos – e
contrata estrangeiros para
programá-las. Posteriormente, o
ritmo torna-se mais lento e
sensual e recebe o nome de rock
steady. Em momentos da história
do reggae jamaicano, os
produtores, como Lee Perry e
Coxsone Dodd, são tão
importantes quanto os próprios
artistas. Os principais nomes
são o conjunto The Wailers – do
qual participavam Bob Marley
(1945-1981) e Peter Tosh – e os
cantores Jimmy Cliff, Augustos
Pablo e a dupla Sly & Robbie. A
partir de 1970, o gênero começa
a conquistar outras ilhas
centro-americanas e o Reino
Unido, onde o primeiro grande
sucesso é a música I Can See
Clear Now, gravada em 1971 pelo
norte-americano Johnny Nash.
Após a dissolução da formação
original do The Wailers, em
1974, Bob Marley e Peter Tosh
iniciam carreira solo. Marley é
responsável por clássicos como I
Shot the Sheriff, que alcançou
sucesso internacional na versão
de Eric Clapton, e No Woman, No
Cry, popularizada no Brasil por
Gilberto Gil. Peter Tosh faz
Legalize It, que pede a
legalização da maconha.
Nos anos seguintes, o ritmo
passa a integrar o repertório de
músicos como Paul Simon (1942-),
Eric Clapton (1945-) e Rolling
Stones. Na década de 80, o
gênero é fortemente incorporado
pelo movimento pós-punk new
wave, por nomes como Pop Group,
Gang of Four, Specials, Madness,
The Selector, X-TC e The Police.
Nessa década surge um movimento
de negação do rastafarismo,
conhecido como ragga (ou
raggamuffin), que utiliza muito
os sintetizadores e cujas letras
falam de sexo e violência. Entre
os atuais nomes do reggae
jamaicanos estão Ziggy Marley,
filho de Bob Marley, Beres
Hammond e as bandas Inner
Circle, Steel Pulse, UB 40 e Big
Mountain.
Reggae no Brasil – O Brasil é
considerado um dos maiores
difusores do reggae. Em São Luís
(MA), conhecida como capital do
reggae brasileiro, são
organizados espetáculos ao ar
livre semelhantes aos sound
systems jamaicanos – verdadeiras
paredes de caixas de som
pilotadas por DJs. O gênero
alcança popularidade no país a
partir da década de 70, quando
artistas como Gilberto Gil
(1942-) e Jorge Ben Jor (1942-)
incorporam o ritmo a suas
músicas. Nos anos 80, Os
Paralamas do Sucesso unem o
reggae ao rock e a outros ritmos
centro-americanos. Surgem ainda
bandas que mesclam as
influências do reggae a ritmos
regionais nordestinos, como o
Skank e Chico Science & Nação
Zumbi. Um grande número de novos
músicos passa a incorporar o
reggae com freqüência em seus
repertórios, entre eles Zeca
Baleiro, Rita Ribeiro, Chico
César e Lenine. Nos anos 90
ocorre um crescimento das bandas
de reggae. Entre as principais
estão Cidade Negra, Tribo de
Jah, Nativus, Sine Calmon &
Morro Fumegante e Alma D’Jem. |
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