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QUADRINHOS NO BRASIL

Século XIX, radicado no Brasil, inicia as novelas ilustradas com As Aventuras de Nhô Quim, publicadas na revista Vida Fluminense. Na década seguinte funda a Revista Ilustrada, na qual desenvolve As Aventuras de Zé Caipora (1876). 

1905 – Surge O Tico-Tico, a primeira revista infantil brasileira a publicar história em quadrinhos, lançada pelo jornalista Luís Bartolomeu de Souza e Silva. Publicada em cores, pela editora O Malho, é inspirada na revista francesa La Semaine de Suzette, cuja personagem principal recebe no país o nome de Felismina. Exceto por algumas criações nacionais – como Jujuba, de Jota Carlos; Chico Muque, de Max Yantok; e Reco-Reco, Bolão e Azeitona, de Luís Sá –, a maioria dos desenhos e histórias são reproduções de originais estrangeiros. O mais famoso personagem, Chiquinho, é uma cópia de Buster Brown, de Richard Outcault. 

1934 – Adolfo Aizen impulsiona a produção de quadrinhos no país ao editar o Suplemento Infantil, encarte semanal do jornal carioca A Nação. Com o sucesso alcançado, a publicação torna-se independente e adota o nome de Suplemento Juvenil. Além do primeiro personagem brasileiro a alcançar projeção nacional –Roberto Sorocaba, criação de Monteiro Filho –, traz também histórias estrangeiras, como Flash Gordon, Mandrake, Tarzan, Popeye e Mickey. 

1937 – Para concorrer com o Suplemento Juvenil, o jornalista e empresário Roberto Marinho lança o Globo Juvenil, consegue exclusividade com a King Features Syndicate (1939) e passa a publicar quase todos os grandes sucessos do concorrente. Renato Silva, com A Garra Cinzenta, é o precursor das histórias de terror. 

1939 – Lançamento de Gibi, nome que até hoje é sinônimo de revista em quadrinhos. Em seu primeiro número apresenta, entre outras histórias, Li’l Abner (Ferdinando), de Al Capp; César e Tubinho, de Roy Crane; e Barney Baxter, de Frank Miller. 

Década de 40 – A Editora Brasil-América (EBAL), fundada em 1945 por Adolfo Aizen, intensifica a produção dos comic books. Entre seus títulos está a Edição Maravilhosa, quadrinização de romances clássicos brasileiros, com desenhos de André Le Blanc. Nessa época se destacam as revistas Gibi Mensal, O Gury, O Lobinho e o Globo Juvenil Mensal. 

Década de 50 – Victor Civita funda a Editora Abril e lança a revista O Pato Donald, o primeiro dos personagens Disney que traz para o Brasil. Surgem histórias de terror que revelam nomes como Jayme Cortez, Rodolfo Zalla, Júlio Shimamoto, Eugênio Colonnese, Nico Rosso e Flávio Colin. Péricles sobressai com O Amigo da Onça (1952), publicado durante vinte anos em O Cruzeiro. Em 1959, Pererê inova ao tratar de temas como reforma agrária e ecologia. Seu autor, Ziraldo Alves Pinto, cria outros personagens tipicamente brasileiros, como The Supermãe e O Menino Maluquinho. Carlos Zéfiro, pseudônimo de Alcides Caminha, desenvolve os catecismos, quadrinhos pornográficos vendidos clandestinamente. 

Década de 60 – Com A Turma da Mônica, Maurício de Sousa alcança o maior sucesso editorial já obtido no país, trabalhando com produção em série e merchandising. Apesar da concorrência com os quadrinhos norte-americanos, exporta para os Estados Unidos, a Europa e a América Latina. Outros destaques são O Pato (1966), de Cecília Alves Pinto; e o Capitão Cipó (1968), de Daniel Azulay. 

Década de 70 – Durante o regime militar, os quadrinhos de crítica social destinados a adultos sofrem censura. Há trabalhos isolados, como o de Henfil, com Os Fradinhos no Pasquim e A Graúna no Jornal do Brasil; e o de Jaguar, com Chopinics. O Balão, fanzine nascido na Universidade de São Paulo (USP) em 1972, revela Luís Gê, Laerte, Kiko, Angeli e Paulo e Chico Caruso. 

Década de 80 – A imprensa abre espaço para os quadrinhos de Laerte (Piratas do Tietê), Glauco (Geraldão) e Angeli (Chiclete com Banana), além de Chico e Paulo Caruso (Avenida Brasil) e Fernando Gonsales (Níquel Náusea). Angeli, Laerte e Glauco se unem para lançar Los 3 Amigos. Luis Fernando Verissimo destaca-se com as tiras Ed Mort, ilustradas por Miguel Paiva, e Família Brasil. 

Década de 90 – A crise econômica afeta fortemente o mercado de quadrinhos. Muitos profissionais passam a ilustrar roteiros em outros países, especialmente nos Estados Unidos. Otávio Cariello, por exemplo, inspira-se nas características físicas do ex-presidente Fernando Collor e do ex-ministro Delfim Netto para compor os personagens da série norte-americana A Rainha dos Condenados (1993), baseada no romance de Anne Rice. A tentativa de quadrinizar nomes populares da televisão, como Os Trapalhões e Xuxa, não garante bons resultados, e as publicações fecham. Uma das exceções é o personagem Senninha, que sobrevive graças à Fundação Ayrton Senna. Diversas editoras independentes que publicam somente quadrinhos nacionais, como a revista Metal Pesado, também encerram suas atividades. No final da década, alguns desenhistas que fizeram sucesso nos Estados Unidos, como Marcelo Campos e Marcelo Cassaro, voltam para o Brasil e publicam histórias próprias, esporadicamente. Entre as criações isoladas têm destaque Gatão de Meia Idade, de Miguel Paiva; Amazônia, Pantanal e Tietê, da série Ecologia em Quadrinhos, de Cláudia Lévay; e O Boi das Aspas de Ouro, de Flávio Colin. Apoiada pelo governo do estado de São Paulo, a dupla Paulo Garfunkel e Líbero Malavoglia lança os álbuns O Vira-Lata, edições dirigidas aos presidiários da Penitenciária do Estado. As histórias de aventura, ação, crime e sexo divulgam o uso de preservativos. A grande quantidade de fanzines aponta uma nova tendência: os adolescentes preferem fazer quadrinhos a lê-los. Quadrinhos interativos começam a aparecer na Internet, como Netxcalibur, produzido por Luiz Gê.

 
 
 
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