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534 a.C. –Instituição do teatro,
na Grécia, pelo tirano
Pisístrato, que cria concursos
trágicos em Atenas. Três autores
de tragédias ganham importância.
Ésquilo, considerado o
verdadeiro criador da tragédia,
das quais a primeira de que se
tem notícia é Os Persas.
Sófocles, autor de Édipo Rei, e
Eurípedes, de As Troianas. Na
comédia destaca-se Aristófanes,
que escreve Lisístrata.
364 a.C. – Tem início, em Roma,
os ludi scaenici –jogos cênicos.
Onde antes havia apenas
espetáculos de circo (corridas
de cavalo e lutas) passam a se
apresentar num palco (scaena)
músicos e dançarinos.
Séc.III a.C.-I a.C. – Introdução
das representações teatrais em
Roma (240 a.C.), com a encenação
de tragédias e comédias gregas
traduzidas para o latim. Logo a
comédia se destaca. Baseadas no
erro e no engano, ela é uma
cópia da comédia nova do teatro
grego (dos séculos IV a.C. e III
a.C.). Destacam-se Plauto e
Terêncio nas comédias e Sêneca
nas tragédias.
Séculos X-XII – Nascimento do
teatro medieval, com os
primeiros dramas litúrgicos e as
peças de Hrotsvitha, abadessa
alemã que reelabora a
dramaturgia clássica para temas
edificantes. Escritos em latim,
os dramas litúrgicos dos
conventos passam para as
igrejas. A partir do século XII,
o teatro vai para a cidade, por
iniciativa das confrarias e dos
saltimbancos, que escrevem as
peças. Convivem então textos
profanos e sacros. O teatro
profano, apresentado nas festas
de Carnaval, representa farsas e
sotties.
Século XVI – Na Itália surgem as
primeiras experiências teatrais
em língua nacional. A comédia
passa a apresentar costumes
cotidianos. O homem está no
centro das preocupações. Na
Espanha, em razão do grande
desenvolvimento alcançado pela
literatura e pelo teatro, os
séculos XVI e XVII recebem a
denominação de Siglo de Oro
(Século de Ouro). Os dois
grandes dramaturgos espanhóis do
período são Lope de Veja e
Calderón de la Barca,
considerado o maior autor
dramático espanhol da época.
1508-1509 – As primeiras
comédias de Ariosto, La Cassaria
e I Suppositi, marcam o
nascimento do teatro erudito.
Maquiavel, com A Mandrágora;
Aretino, com A Cortesã; e
Ruzzante, com La Moscheta, são
ácidos comentaristas de seu
tempo.
1540 – Começam a ser
construídos, na Itália, os
primeiros teatros, com a divisão
palco-platéia como a conhecemos
hoje, que utiliza a noção de
perspectiva nos cenários.
1545 – Nasce a commedia
dell’arte, quando, em Pádua, na
Itália, oito homens assinam um
contrato para formar uma
companhia de atores. Sua origem
estaria nos atos representados
por mascates e charlatães para
vender seus remédios e elixires.
Os atores apresentam-se
improvisando roteiros
preestabelecidos (canevas) ao ar
livre ou nas cortes. Em 1762, o
gênero adquire status oficial,
quando a trupe de Ricoboni se
funde com a Opéra Comique, em
Paris.
1558 – Início do chamado teatro
elisabetano inglês durante o
reinado de Elisabeth I. Surgem
novas formas dramatúrgicas e
cênicas. As primeiras salas de
espetáculo são construídas e
consolida-se o teatro
profissional. Os autores mais
notáveis são Christopher
Marlowe, Ben Jonson e William
Shakespeare, considerado o maior
poeta dramático de todos os
tempos. Suas peças,
tradicionalmente divididas em
obras históricas, comédias e
tragédias, fazem não só a
crônica de seu país como também
descrevem com rara compreensão
da condição humana as relações
entre indivíduos e estes com a
sociedade. Essa fase se encerra
com o fechamento dos teatros por
ordem do Parlamento em 1642.
TEATROS ELISABETANOS– São
construídos de madeira, com
formato circular ou poligonal e
sem teto. O palco pode ter até
três níveis para que várias
cenas sejam representadas
simultaneamente. Ele avança até
o meio do edifício, de modo que
o público o cerque por três
lados e tenha boa visibilidade.
Ao fundo, uma cortina modifica o
ambiente. Aos espectadores mais
abastados e aos representantes
da nobreza são destinadas as
galerias.
Século XVII – Sob proteção
oficial, desenvolve-se na França
intensa atividade teatral. A
dramaturgia é baseada na
verossimilhança e escrita em
versos de métrica rigorosa e de
acordo com o gosto da classe
alta. Essas exigências cabem à
tragédia; para a comédia elas
são mais flexíveis. O teatro de
Pierre Corneille, Jean Racine e
Molière destaca-se por sua
beleza literária e pelo alcance
de sua temática. As comédias de
Molière, além de fazer crítica
feroz à burguesia ascendente,
retratam com extrema perspicácia
as características humanas.
Século XVIII – Com o declínio da
tragédia clássica nasce o drama
burguês, que se volta para o
realismo e apela ao patético.
Seus temas, contemporâneos,
oscilam entre o social e o
familiar. No gênero cômico
cresce a "comédia lacrimosa"
nascida no século anterior
(1696), com O Último Estratagema
do Amor, de Cibber. Na Alemanha
floresce, entre 1770 e 1784, o
movimento estético e literário
denominado Sturm und Drang
(Tempestade e Ímpeto), cujas
idéias definem o pré-romantismo,
defendendo um estilo livre e
individualista, movido pelo
impulso irracionalista, em
oposição às normas clássicas. Os
autores que se destacam nesse
século são Voltaire, Pierre
Marivaux, Beaumarchais, Lessing,
Goethe, Schiller e Kleist.
Século XIX – Alguns autores, com
obras bem particulares, já
mostram características do
teatro moderno. Georg Büchner
faz a articulação entre o
romantismo e o realismo social.
É também precursor do
expressionismo. Ibsen funda o
teatro norueguês e é o autor
mais representado do século XIX
e do início do XX. Seu teatro
parte da observação da sociedade
e de seus problemas. Strindberg
atinge o ponto máximo de seu
talento na peça Senhorita
Júlia.
1827 – No prefácio de seu drama
histórico Cromwell, Victor Hugo
lança um manifesto pela
liberdade do teatro, contra a
rigidez da forma clássica, a
favor de uma visão histórica e
do emprego do grotesco como
categoria estética.
Paradoxalmente, o romantismo
teatral, que se desenvolve na
Alemanha em reação ao teatro
francês, firma-se por meio deste
após a encenação de Hernani,
também de Victor Hugo. Com o
drama romântico, o enredo passa
ao primeiro plano. O verso não é
mais obrigatório e o gênero se
caracteriza por situações,
sentimentos, grandes feitos
romanescos, adultério e dilemas
morais.
A BATALHA DE HERNANI – Durante a
temporada da peça Hernani, de
Victor Hugo, senhores de perucas
oitocentistas e trajes sóbrios
vaiam sem tréguas o espetáculo.
Como defensores da obra estão os
jovens "bárbaros
shakespearianos", cujos longos
cabelos naturais e coletes de
tons fortes contrastam com a
elegância então reinante. Às
vezes, a confusão é tanta que os
atores não conseguem
representar. Esse clima perdura
de fevereiro a junho de 1830. O
que está em jogo são duas
escolas literárias: o
classicismo e o romantismo. Este
último sai fortalecido da
batalha.
1831 – Com a montagem de Antony,
primeiro drama de tema
contemporâneo, Alexandre Dumas
balança Paris. Escreve também
peças históricas, das quais a
mais conhecida é A Torre de
Nesle. Seu filho, Alexandre
Dumas Filho, adapta em 1849 seu
romance A Dama das Camélias para
o palco, porém a censura só
permite que ele seja
representado em 1852. Durante
trinta anos, Dumas Filho será o
autor mais representado na
França.
1887 – A partir das idéias de
Émile Zola, que preconiza o
teatro que exiba "uma fatia de
vida", Antoine funda seu Théâtre
Libre. Nele, o
naturalismojump:GACJ busca
reproduzir a realidade com
grande fidelidade. Na encenação
de Os Açougueiros, o sangue
pinga das peças de carne. O
Théâtre Libre marca também o
advento da encenação moderna e
da figura do diretor ou
encenador.
também tem expressão no Théâtre
de l’Oeuvre de Lugné-Poe
(1869-1940), que se torna
conhecido pela encenação de Ubu
Rei (1896).
1895 – Publicação das reflexões
e dos esboços do cenógrafo,
encenador e teórico suíço
Adolphe Appia sob o título de
Encenação do Drama Wagneriano. A
partir de suas experiências com
a cenografia de óperas e da
ginástica rítmica de
Jacques-Dalcroze, Appia lança as
idéias que norteiam todo o
teatro do século XX: recusa da
cenografia ilusionista (telão
pintado), uso da luz como
expressão dramática, valorização
da presença física do ator no
espaço tridimensional, por meio
do uso de volumes e planos,
escadas e praticáveis (elementos
cenográficos móveis e
tridimensionais como
plataformas, estrados etc.), em
zonas de luz e de sombra.
1898 – Constantin Stanislavski e
Nemirovitch-Dantchenko fundam o
Teatro de Arte de Moscou, onde
acontecem revoluções cênicas
fundamentais. Ator e encenador,
Stanislavski cria um sistema de
atuação no qual propõe uma
interpretação natural e viva,
que escape aos estereótipos e à
mera imitação. Pela primeira vez
se recorre ao psiquismo como
fonte criadora. Sua teoria está
reunida nos livros A Preparação
do Ator eA Construção do
Personagem. Seus ideais cênicos
e interpretativos encontram
maior expressão na dramaturgia
de Tchecov, o mais perfeito
retratista de uma Rússia em
transição para um novo tempo.
Século XX – A figura do
encenador detém hegemonia de um
teatro até então dominado pelo
dramaturgo, e Stanislavski
influencia toda a cena européia.
A dramaturgia chama a atenção em
casos como os de Pirandello ou
do Teatro do Absurdo. As
montagens invadem espaços não
convencionais, como galpões,
fábricas e circos. A iluminação
adquire novas funções, explorada
até o limite pela tecnologia. A
diversidade é a tônica do
século.
1900 – Edward Gordon Craig
torna-se encenador após
trabalhar como ator. Cria a
revista The Mask, que circula de
1908 a 1929. Nela publica os
dois textos que contêm suas
idéias básicas: Os Artistas de
Teatro do Futuro e O Ator e a
Supermarionete. Para ele, a cena
arquitetônica deve substituir a
pictórica, ou seja, o telão
pintado no fundo do palco deve
ser abandonado e o encenador
deve recorrer a telas ou biombos
articulados, de proporções
variáveis, cuja mutação coincida
com as metamorfoses do drama.
Craig é considerado o grande
modificador do espaço cênico.
1902 – O ator e encenador
Meyerhold, discípulo de
Stanislavski, funda a própria
companhia. Afasta-se do realismo
e, empreendendo constantes
pesquisas espaciais e corporais
– seus atores passam por intensa
preparação física, dentro de um
método que ele chamará de
biomecânica –, passa pelo
simbolismo e recorre a formas
cênicas populares, como teatro
de feira, circo, music-hall,
cinema e pantomima para
conquistar a desejada
teatralidade. Em suas montagens,
a linguagem cênica é tão
importante quanto a narrativa. O
exemplo mais acabado disso é sua
montagem de O Inspetor Geral, de
Gogol.
1907 – O austríaco Oskar
Kokoschka escreve Assassino a
Esperança das Mulheres, peça
considerada, juntamente com A
Estrada de Damasco, de
Strindberg, e O Despertar da
Primavera e A Caixa de Pandora,
de Wedekind, obra precursora do
expressionismo. O drama
expressionista desenvolve-se
sobretudo na Alemanha, até 1922.
Ele se define por oposição ao
naturalismo e usa visões
simbólicas e abstratas para
expressar a angústia e o êxtase.
A encenação trabalha a
deformação no cenário, no jogo
de luz e sombra da iluminação e
no corpo do ator, que deve
traduzir os sentimentos. O mais
famoso encenador dessa corrente
é Leopold Jessner, e dentre os
dramaturgos estão Georg Kaiser e
Ernst Toller.
1913 – Abertura do teatro Vieux
Colombier, em Paris, por Jacques
Copeau. A partir de contatos com
Craig, Dalcroze e Appia, Copeau
empreende uma renovação cênica
baseada na valorização do texto
e na nudez da cena. Zelando pela
preparação do ator, ele cria uma
companhia regida tanto pela
estética quanto pela ética, o
que leva a uma vida comunitária
que passa por intenso trabalho
corporal, de improvisação e
estudo de textos. Suas idéias
influenciam por muito tempo o
teatro francês, desde o famoso
Cartel, constituído por seus
discípulos Gaston Baty, Charles
Dullin, Louis Jouvet e Georges
Pitöeff, até o Théâtre National
Populaire (TNP), de Jean Vilar.
1916 – Eugene O’Neill, autor
norte-americano de origem
irlandesa, é encenado pela
primeira vez pelo Provincetown
Player (Na Estrada de Cardiff e
Sede). Classificado
simultaneamente como um
dramaturgo realista,
naturalista, expressionista e
simbolista, pelos diversos
aspectos de sua obra, O’Neill
abre caminho para a expressão
lírica dos homens em luta contra
seu destino e se torna o grande
clássico do teatro dos Estados
Unidos (EUA). Somente dois
autores norte-americanos
alcançam tanta repercussão
quanto ele: Tennessee Williams e
Arthur Miller.
1920-1921 – O alemão Erwin
Piscator funda o teatro
proletário para difundir a idéia
da luta de classes, colocando o
teatro a serviço do movimento
revolucionário. Seguidor de
Meyerhold, paulatinamente
modifica a cena até chegar às
construções geométricas, em
plataformas, multiplicando os
planos de ação e pontuando a
representação com projeções
cinematográficas e cartazes. É
precursor de Brecht.
1922 – Simultaneamente à estréia
em Munique de Tambores na Noite,
é publicada Baal, as duas
primeiras peças de Bertolt
Brecht. Teórico, poeta,
dramaturgo e encenador, Brecht
adere ao marxismo e cria o
teatro épico, que se opõe à
concepção dramática
(aristotélica) de teatro. A
narrativa não é mais linear. O
recurso do distanciamento, isto
é, do não envolvimento do ator
com o personagem, é usado para a
conscientização política. Esse
distanciamento é reforçado pelo
uso de cartazes, projeções e
canções.
1932 – O primeiro manifesto do
Teatro da Crueldade é lançado
por Antonin Artaud. Ele
reivindica o uso do corpo, do
grito e do encantamento para
despertar as "forças
subterrâneas" do homem. Este e
seus principais escritos sobre
teatro são reunidos, em 1938, em
O Teatro e Seu Duplo. Artaud
pretende um teatro concebido
como ritual, com perspectiva
metafísica. Para ele, o
espetáculo precisa ser total e
não deve haver a separação
palco-platéia. Apesar de
malsucedido em suas tentativas
de encenação, em sua época o
teatro de Artaud influencia toda
uma geração a partir de 1960.
Suas Obras Completas são
publicadas em 1956.
1944 – Tem início a carreira do
encenador inglês Peter Brook,
com Doutor Fausto, de Marlowe.
Brook monta um repertório que
vai de Shakespeare a comédias
ligeiras e trabalha com grandes
atores como sir John Gielguld,
Laurence Olivier e Paul
Scofield. Em 1955 circula pela
Europa com Titus Andronicus. Em
1962, sua montagem de O Rei Lear
marca o início do que ele chama
de "espaço vazio": ausência de
cenário e concentração do
espetáculo no ator.
1947 – Elia Kazan, Cheryl
Crawford e Robert Lewis fundam o
Actor’s Studio, em Nova York. Em
1951, Lee Strasberg passa a
dirigi-lo, após lecionar durante
dois anos. Strasberg aplica
nessa escola seu método
inspirado livremente em
Stanislavski. Muitos grandes
atores americanos se formam aí:
James Dean, Marlon Brando, Paul
Newman, Elizabeth Taylor, Dustin
Hoffman, Robert de Niro.
1947 – Giorgio Strehler e Paolo
Grassi criam o Piccolo Teatro de
Milão, que se torna o mais
importante teatro da Itália.
Considerado o encenador do
grande espetáculo, Strehler
dirige mais de 200 encenações
dramáticas e mais de 50 líricas.
Sua montagem mais marcante é
Arlequim, Servidor de Dois Amos,
de Goldoni. Durante mais de 40
anos, Arlequim passa por seis
versões, a última em 1987.
1950 – Estréia de A Cantora
Careca, de Eugène Ionesco,
considerada a peça inaugural do
teatro do absurdo, cuja origem
está no existencialismo e no
mal-estar do pós-guerra. Os
personagens do teatro do absurdo
são seres desenraizados e
imóveis, representantes de uma
humanidade em escombros. Além de
Ionesco, são enquadrados no
movimento Samuel Beckett,
considerado um dos maiores
dramaturgos do século XX, Arthur
Adamov, Jean Genet, Harold
Pinter, Edward Albee e Arrabal.
1958 – O Living Theatre, fundado
em 1947 por Judith Malina e
Julian Beck, torna-se o centro
da vanguarda cultural
nova-iorquina. Um dos mais
importantes grupos ligados à
criação coletiva, faz uma série
de turnês pela Europa a partir
de 1961. O grupo, que se inspira
em Artaud e vive em comunidade,
submete-se a intenso treinamento
físico. Nos espetáculos não há
cenários nem figurinos e os
atores criam um ritual de
iniciação que deve envolver o
espectador. O Living é o mais
legítimo representante da
contracultura no teatro e seus
espetáculos mais importantes
são: The Connection (1959), de
J. Gelber, The Brig (1963),
Frankenstein (1968), baseado em
Mary Shelley, Antígona (1967),
adaptado de Brecht, e Paradise
Now (1968). Em 1970, o grupo
encerra sua carreira, mas seus
líderes continuam apresentando
espetáculos em todo o mundo.
1962 – Fundação do Teatro
Laboratório de Jerzy Grotowski,
que, em 1965, passa a ser,
oficialmente, o Instituto de
Pesquisa para a Interpretação do
Ator, em Wróclaw, Polônia. Suas
pesquisas enxergam o ator como
foco criativo e derivam para o
teatro pobre, no qual o que
interessa é uma nova relação
entre ator e espectador que crie
uma experiência compartilhada.
Das montagens vale citar Caim e
Doutor Fausto (1960), Akropolis
(1962), O Príncipe Constante
(1965 e 1969) e Apocalypsis cum
Figuris (1968-1969). Os atores
fazem um treinamento que visa
não torná-los hábeis mas sim
livrá-los de estereótipos. Com
base nisso, o ator elabora seu
próprio repertório de signos,
que Grotowski denomina
"partitura". Nos anos 70 faz
experiências de "cultura ativa",
em que o ator não mais se
distingue do espectador e a
noção de processo substitui a de
representação.
1964 – Eugenio Barba, diretor
italiano discípulo de Grotowski,
cria o Odin Teatrat, em Oslo. Em
1966, se transfere para
Holstebro, na Dinamarca. Além da
criação de espetáculos,
desenvolve intensa pesquisa
sobre a arte do ator, a
pedagogia e a comunicação
teatrais. O trabalho dá grande
ênfase ao treinamento físico,
que varia dos exercícios de
Grotowski a técnicas orientais e
improvisação.
1966 – Peter Brook monta
Marat-Sade, de Peter Weiss.
Neste mesmo ano, na linha do
teatro-documentário, realiza US,
sobre a Guerra do Vietnã. A
partir dessa época, seu trabalho
se centra no corpo, na voz do
ator e na improvisação.
1969 – Estréia The Life and
Times of Sigmund Freud, de
Robert (Bob) Wilson, primeira
encenação de porte do diretor.
Bob Wilson é criador de uma
linguagem teatral inédita, feita
de imagens ou visões nas quais
as palavras se tornam massa
sonora. Influenciado pelo
trabalho de um jovem surdo-mudo,
Raymond Andrews, monta o
espetáculo O Olhar do Surdo
(1971). Em 1972, no Festival de
Shiraz, Irã, apresenta Ka
Mountain Gardenia Terrace, nas
montanhas, ao ar livre. O
espetáculo, que tem a duração de
uma semana, conta com a
participação do jovem autista
Christopher Knowles. Em 1974
monta Uma Carta para a Rainha
Vitória.
CRIAÇÃO COLETIVA– Nos anos 60,
trupes de jovens atores põem em
questão o modo de produção até
então utilizado e revêem a
distribuição de tarefas e
responsabilidades propondo a
criação coletiva do espetáculo
teatral. As expressões maiores
desse processo são o Living
Theatre e o Théâtre du Soleil.
Também o discurso é refeito,
passando a expressar o universo
e os anseios desses artistas,
que refletem as grandes mudanças
pelas quais o mundo passa. Essa
é a época da criação da pílula
anticoncepcional, da revolução
sexual, dos movimentos de
minorias. Politicamente, a
Guerra Fria divide os países em
dois blocos antagônicos.
1970 – Estréia 1789, marco da
criação coletiva do Théâtre du
Soleil, grupo criado em 1964 e
dirigido pela francesa Ariane
Mnouchkine. As primeiras
montagens do grupo são Os
Pequenos Burgueses (1964), de
Gorki, Capitaine Fracasse
(1965), A Cozinha (1967), de A.
Wesker, Sonhos de uma Noite de
Verão (1968) e Les Clowns
(1969), fase em que empreende
pesquisa na linha do teatro
popular. Após a filmagem de
Molière (1976-1977), o grupo
passa por uma crise e abandona a
criação coletiva. Mnouchkine
assume o controle dos
espetáculos.
1970 – Peter Brook monta seu
último espetáculo na Inglaterra:
Sonho de uma Noite de Verão, com
técnicas circenses e da Ópera de
Pequim. Nesse mesmo ano se
instala em Paris, fundando o
Centro Internacional de
Pesquisas Teatrais (Cirt). Em
1974 inaugura o teatro Bouffes
du Nord, em Paris, antigo galpão
que passa a sediar o Cirt. Brook
monta aí os antológicos Timon de
Atenas (1974), Os Iks (1975),
Ubu aux Bouffes (1977), A
Conferência dos Pássaros
(1979).
1970 – Peter Stein e seu grupo
assumem, a convite do governo de
Berlim Ocidental, o teatro
Schaubühne, em que o coletivo
chega à gestão da casa de
espetáculos. Todos os
colaboradores tomam todas as
decisões sobre as questões
administrativas e artísticas.
Das assembléias participam do
diretor ao mais simples técnico.
Stein se demite do cargo de
diretor artístico do Schaubühne
em 1986, mas sempre retorna ao
teatro como diretor convidado.
Suas principais montagens nesse
teatro são: A Mãe (1970), de
Brecht-Gorki; Peer Gynt (1971),
de Ibsen; Os Veranistas (1974),
de Gorki; Como Quiserdes (1977),
de Shakespeare; Trilogia do
Reencontro (1978), de
Stein/Botho Strauss; Os Negros
(1984), de Genet; Oréstia
(1980), de Ésquilo; Fedra
(1987); e Roberto Zucco (1990),
de Koltès.
1970-1979 – O grupo de Eugenio
Barba se desloca bastante,
apresentando seus espetáculos em
diferentes países. Troca
experiências com outras
culturas, como pequenas aldeias
européias e tribos indígenas da
América do Sul. Esse trabalho de
teatro antropológico leva à
fundação da Escola Internacional
de Antropologia Teatral (Ista)
(1979), que promove encontros no
mundo todo.
1976 – A montagem de Einstein in
the Beach, criado juntamente com
a coreógrafa Lucinda Childs,
marca o início da colaboração
entre o encenador Bob Wilson e o
músico Philip Glass. A música
minimalista integra
perfeitamente seus espetáculos,
em que a repetição faz parte da
linguagem. A simultaneidade de
ações também marca as encenações
de Wilson, como em I Was Sitting
in My Patio..., de 1977. Em 1979
cria, com a companhia de Peter
Stein, na Schaubühne de Berlim,
Morte, Destruição e Detroit.
1978-1982 – Jerzy Grotowski
evolui para o que chama de
"teatro das fontes". Trabalha
com base nas culturas primitivas
e de tradições ancestrais.
1982 – A montagem da ópera Medea
mostra Bob Wilson mais próximo
de uma narrativa mais
tradicional. Nessa linha estão
The Civil Wars (1983), Alcestis,
de Eurípedes, Hamlet-Machine
(1987), de Heiner Müller. Nos
anos 90, seu trabalho segue essa
mesma linha com montagens como
Orlando, de Virgina Woolf, Hanjo
Hagoromo, Hamlet, a Monologue e
A Doença da Morte, de Marguerite
Duras.
1985 – O Mahabharata é montado
por Peter Brook e apresentado
numa pedreira abandonada no
Festival de Avignon, na França.
Sua concepção de teatro,
essencial e econômica, encontra
aí a expressão máxima.
Posteriormente, ele transforma
Mahabharata em filme. Seu
trabalho no Cirt reúne atores do
mundo inteiro.
1985 – O Théâtre du Soleil monta
os espetáculos A História
Terrível porém Inacabada do
Príncipe Norodom Sihanuk e, dois
anos mais tarde, Indiade, ambos
escritos em colaboração com
Hélène Cixous. Neles abordam as
grandes tragédias do mundo
contemporâneo. As mais recentes
montagens do grupo, a trilogia
grega denominada Os Átridas
(Ifigênia em Áulis, As Coéforas,
As Eumênidas), de Ésquilo, e O
Tartufo, de Molière, fazem uma
reflexão sobre a intolerância.
Desses espetáculos, já na década
de 90, participa a brasileira
Juliana Carneiro da Cunha.
1986 – Jerzy Grotowski passa a
dirigir, em Pontedera, Itália,
um centro de experimentação e
pesquisa. Lá recebe para
aprendizado profissionais do
mundo todo.
1992– O diretor irlandês Declan
Donnellan dirige Angels in
America, um épico sobre a Aids,
escrito pelo americano Tony
Kushner. A peça de sete horas de
duração foi dividida em duas
partes: Millennium Approaches e
Perestroika. Também desenvolvem
temáticas sobre a violência nas
grandes cidades o canadense Brad
Fraser (Unidentified Human
Remains) e o inglês Jim
Cartwright (The Rise and Fall of
Little Voice).
1993 – Com base em uma obra do
neurologista Olivier Sacks,
Peter Brook monta o espetáculo
L’homme Qui...eu mais recente
trabalho é Je Suis un Phénomène,
de sua autoria e de M. Hélène
Estienne, montado em 1998.
1995– A peça Art, de Yasmina
Reza, francesa nascida no Irã,
alcança projeção mundial e
recebe prêmios em Paris, Londres
e Nova York. Por meio da
conversa entre três amigos, a
autora trata da disputa de poder
no mundo masculino. A peça é
montada no Brasil em 1998, com
direção de Mauro Rasi.
1996 – Martin McDonagh é
considerado um dos novos autores
da dramaturgia inglesa após a
montagem da peça The Beauty
Queen of Leenane, em Londres.
Filho de irlandeses, McDonagh
escreve comédias realistas,
cheias de ironia e violência. A
crítica social também norteia o
trabalho do inglês Mark
Ravenhill, autor de Shopping and
Fucking.
1998 – Bob Wilson cria, em
parceria com Philip Glass,
Monsters of Grace, espetáculo
multimídia que junta filme,
música, imagem e texto. Com a
utilização de tecnologia
digital, as imagens são geradas
em computador e projetadas em
telão de 70 mm. |
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