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A produção artística mais
significativa para o Ocidente,
na Antiguidade, é a que se
inicia na Grécia a partir do
século V a.C. Nesse período se
criam os padrões estéticos que
servem de base para a arte
ocidental. No século II a.C.,
também a cultura romana tem uma
produção artística relevante.
Além do desenvolvimento das
artes plásticas e da
arquitetura, surgem na
Antiguidade os primeiros textos
literários e para teatro. Pouco
se conhece sobre a música dessa
época, pois o sistema de
representação gráfica dos sons
só despontaria na Idade Média.
Sabe-se, no entanto, que a
música está associada à magia, à
religião, à guerra, ao trabalho,
ao culto do amor e às orgias. A
partir do século I, liga-se ao
cristianismo. A arte desse
período chamado de Antiguidade
Clássica é ciclicamente retomada
como modelo.
ARTES PLÁSTICAS
– A princípio, a religião exerce
grande influência. Aos poucos, o
ser humano é que se torna centro
da preocupação dos artistas.
Arte grega – No século VIII
a.C., influenciados pelos
egípcios, os gregos iniciam um
período de grandeza estética que
marca toda a civilização
ocidental. A escultura é, com a
arquitetura, a arte mais
desenvolvida. Tem como tema
principal a figura humana,
sempre tratada de forma
idealizada. Há grande
preocupação com a proporção das
formas e com a representação dos
movimentos. Em geral os artistas
retratam deuses, heróis e
atletas, personagens, para os
gregos, mais identificados com a
perfeição. Um exemplo é
Discóbolo (cerca de 450 a.C.),
de Miron. As estátuas são
monumentais, feitas
essencialmente de mármore e
bronze, e decoram os templos e
outros edifícios importantes.
Arte romana – Com a decadência
da arte clássica grega, a arte
romana emerge a partir do século
II a.C. De inspiração etrusca e
helenística, aproxima-se mais da
realidade que a arte
desenvolvida pelos gregos. A
arquitetura é o destaque. Os
romanos celebram a grandeza do
Império com a construção de
monumentos e edifícios públicos.
Paralelamente, desenvolve-se a
pintura mural decorativa em
cidades como Pompéia.
LITERATURA
– A poesia épica, que surge na
Grécia, é a forma mais
significativa de expressão
literária da Antiguidade.
Literatura grega – Vêm da Grécia
os três grandes gêneros da
literatura ocidental: o épico,
sobre feitos heróicos; o lírico,
sobre sentimentos individuais; e
o dramático, texto de impacto,
próprio para teatro.
Inicialmente, o texto tem a
forma de poesia. A prosa
restringe-se aos ensaios
filosóficos e aos discursos
políticos.
As principais obras épicas são
as epopéias. Longos poemas
narrativos sobre temas heróicos
e bélicos, elas contêm elementos
fantásticos e mitológicos, num
contexto que mistura o humano e
o divino. As primeiras obras da
literatura grega, Ilíada e
Odisséia, pertencem a esse
gênero. Escritas por volta do
século VIII a.C., são atribuídas
a Homero (século VIII a.C.?) e
falam da guerra entre gregos e
troianos. Outro grande autor é
Hesíodo (século VIII a.C.),
criador de Teogonia (A Origem
dos Deuses).
O lírico afirma-se por volta dos
séculos V a.C. e IV a.C. Os
grandes escritores são Safo (625
a.C.?-580 a.C.), Anacreonte
(século VI a.C.), Alceu (século
VII a.C.) e Píndaro (518-522
a.C.?-438 a.C.). Na oratória,
destacam-se Górgias (485
a.C.-380 a.C.) e Demóstenes (383
a.C- 322 a.C.). Na fábula, o
principal autor é Esopo (século
VII a.C.?) e, na historiografia,
Heródoto (484 a.C.?-430-420
a.C.?). O texto dramático
aparece no fim do século VI
a.C.
Literatura romana – Os
escritores romanos,
influenciados pela literatura
grega, também produzem textos
épicos, líricos e dramáticos,
além da poesia satírica. Suas
epopéias glorificam a expansão
do Império Romano. A primeira
grande obra épica é Eneida, de
Virgílio (70 a.C.?-19 a.C.).
Também sobressaem A Natureza das
Coisas, de Lucrécio (98 a.C.?-55
a.C.?), e a Farsália, de Lucano
(39-65). Os principais autores
do gênero lírico são Horácio (65
a.C.-8 a.C.) e Ovídio (43
a.C.-17). Na poesia satírica, os
expoentes são Marcial
(40?-104?), Juvenal (60?-127?) e
Pérsio (34-62). Os romanos criam
ainda a oratória. O grande
mestre é Cícero (106 a.C.-43
a.C.), autor de discursos
políticos que são a base da
retórica latina.
TEATRO
– A representação teatral
desenvolve-se na Grécia no
século VII a.C., apoiada nos
rituais religiosos em honra ao
deus Dionísio. No século VI
a.C., quando surge o texto
escrito para teatro, o grego
Téspis institui a função de
ator, ao sair do coro (grupo que
narra e comenta a ação) e dizer
que está representando Dionísio.
Em Roma, os primeiros jogos
cênicos datam de 364 a.C. A
primeira peça, traduzida do
grego, é representada em 240
a.C.
Teatro grego – As mais antigas
manifestações do gênero
dramático grego são a tragédia e
a comédia. Embora ambas se
iniciem no século VI a.C., a
tragédia surge antes e
influencia o teatro moderno.
No século V a.C., a tragédia
alcança o auge com histórias
completas, que vão da felicidade
à desgraça. Em geral, mostra uma
luta inútil contra o destino
imposto pelos deuses. As tramas
passam-se em 24 horas, num único
local, contando uma só história,
de acordo com a estrutura fixada
por Aristóteles em Arte Poética.
Para encenar temas históricos ou
mitológicos, os atores usam
máscaras e figurinos especiais.
Grandes coros representam a
sociedade e interferem nos
conflitos. O primeiro escritor
importante de tragédias de quem
se conservaram textos é Ésquilo
(525 a.C.-456 a.C.), autor de
Prometeu Acorrentado. Outros
dois dramaturgos de renome são
Sófocles (496 a.C.-406 a.C.),
que escreve Édipo Rei, e
Eurípedes (484 a.C.-406 a.C.).
Este, autor de As Bacantes,
inaugura o teatro de crítica
social e cria personagens saídos
do povo.
A comédia grega, com textos
recheados de obscenidades e
brincadeiras, inicia-se com as
sátiras políticas. O primeiro
dramaturgo significativo dessa
fase é Aristófanes (450
a.C.?-388 a.C.?), autor de As
Rãs, Lisístrata e As Nuvens.
Surge depois a comédia de
costumes, inspirada no cotidiano
e que existe até hoje. Seu
expoente é Menandro (342
a.C.?-292 a.C.?).
Teatro romano – Durante o
Império (27 a.C.-476), a cena é
dominada por exibições
acrobáticas e jogos circenses.
Também se escrevem tragédias,
mas sem a mesma repercussão que
na Grécia. Um nome que se
destaca é Sêneca (4 a.C.?-65),
autor de Fedra. O gênero
preferido pelos romanos é a
comédia. Em linguagem coloquial
e, às vezes, grosseira, ela
retrata a euforia do Império em
expansão. De enredo mais
elaborado que o da comédia
grega, torna comum o final
feliz. Um dos principais autores
é Terêncio (195 a.C.?-159
a.C.?), que faz textos voltados
para a aristocracia e marcados
pela ironia. Outro grande
dramaturgo é Plauto (254
a.C.?-184 a.C.?). Os personagens
estereotipados desses dois
autores originam, mais tarde, os
tipos da commedia dell''arte
italiana. |
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