 |
|
Durante a Idade Média, entre os
séculos V e XV, a Igreja
Católica exerce forte controle
sobre a produção científica e
cultural. Essa ligação da
cultura medieval com o
catolicismo faz com que os temas
religiosos predominem nas artes
plásticas, na literatura, na
música e no teatro. Em todas as
áreas, muitas obras são anônimas
ou coletivas.
Artes plásticas
– Criada para exaltar Deus e os
santos católicos, a arte
medieval difere da representação
idealizada da realidade, típica
da Antiguidade Clássica. As
obras têm aspecto ornamental,
com formas estilizadas.
Predominam temas bíblicos, e a
simetria é a base das
composições.
A arte mais desenvolvida é a
arquitetura, com a construção de
inúmeras igrejas. Entre os
séculos VIII e X, surgem novas
atividades, como a iluminura
(ilustração manual de livros), a
tapeçaria, a ourivesaria e os
esmaltes. Com as invasões
bárbaras, a arte adquire
descontração e colorido.
No século XII, desponta o estilo
gótico, marco do período
medieval. Embora de origem
incerta, é na França que assume
as características mais
marcantes. Depois se espalha
pela Europa e vigora até o
século XV. O termo gótico é
criado no Renascimento, com
conotação pejorativa: godo era
sinônimo de bárbaro. Na pintura
e na escultura, usadas
fundamentalmente para decorar
templos, as figuras são esguias
e delicadas. O tamanho dos
personagens depende de sua
importância social ou
religiosa.
Na transição para o
Renascimento, a pintura
incorpora o naturalismo e noções
de perspectiva, que depois
distinguiriam o classicismo. Um
exemplo são os murais sacros do
italiano Giotto (1266?-1337,
considerado o primeiro artista a
assinar uma pintura.
Literatura
– As formas literárias medievais
típicas são as novelas de
cavalaria e o trovadorismo.
Principal prosa da época, as
novelas narram aventuras
guerreiras, desenvolvendo temas
ligados aos cavaleiros
medievais, como a valentia, a
fidelidade ao soberano e o
cristianismo. A maioria das
novelas tem caráter religioso,
mas trata também do amor cortês,
idealizador da mulher.
Destacam-se as aventuras do
lendário rei Artur, do País de
Gales, que teria fundado a Ordem
dos Cavaleiros da Távola
Redonda. A assimilação das
novelas de cavalaria pela
Igreja, que as utiliza como
instrumento doutrinário, faz
surgir A Demanda do Santo Graal.
O trovadorismo, que celebra
formas idealizadas de amor, em
geral platônico e inatingível,
tem início no sul da França, no
século IX, e domina o cenário
literário europeu por dois
séculos. Em Portugal, só aparece
no fim do século XII.
Poetas-cantores compõem poemas,
chamados de cantigas, para ser
cantados e acompanhados por
instrumentos. As obras
classificam-se em líricas – as
cantigas de amor e de amigo – e
satíricas – as cantigas de
escárnio e de maldizer.
No século XIV, em plena
transição para o Renascimento,
há grande produção literária,
principalmente na Itália.
Elementos do cristianismo
misturam-se ao humanismo
nascente. Francesco Petrarca
(1304-1374), no Cancioneiro,
glorifica o amor e fixa a forma
do soneto. Dante Alighieri
(1265-1321), na Divina Comédia,
faz uma alegoria do percurso da
alma em busca de Deus. Em
Decamerão, Giovanni Boccaccio
(1313-1375) mescla valores
cristãos a temas burlescos.
Música
– A música medieval
caracteriza-se pela combinação
das notas em modos, ou seja, de
acordo com a função e o texto
cantado, o compositor usa uma
escala diferente. As principais
formas musicais são as salmodias
– cantos de salmos ou parte de
salmos da Bíblia – e as
himnodias, cantos realizados
sobre textos novos, numa única
melodia, sem acompanhamento. Com
a expansão do cristianismo, no
século VI a Igreja unifica a
liturgia conforme as regras do
papa São Gregório I, o Magno
(540-604). O canto gregoriano,
sempre em latim, língua oficial
do catolicismo, é o único aceito
nas igrejas. As composições
baseiam-se na simplicidade, na
austeridade e na homofonia –
todos os cantores entoam a mesma
melodia a uma só voz. No século
XI, o monge beneditino Guido d''Arezzo
(990-1050) sistematiza a notação
musical, a base para a
elaboração de partituras. Os
sistemas de notação impulsionam
a polifonia (duas ou mais
melodias independentes
superpostas), que no século XII
desenvolve-se com a música dos
compositores que atuam na
Catedral de Notre Dame.
No século XIII, surge a ars
antiqua (arte antiga), cuja
marca é a independência rítmica
das melodias e a preocupação de
compor uma música sem
dissonância. As obras passam a
ser assinadas, e cria-se a
figura do compositor. Os
principais são Petrus de Cruce e
Adam de la Halle (1250-1306). No
século XIV, desenvolve-se a ars
nova (arte nova), movimento que
busca romper com as regras até
então aceitas.
Em plena crise da Igreja, a
música secular predomina sobre a
sacra. A atividade de
compositores profanos desse
período é marcada pelos
minnesangers e meistersangers
germânicos e pelos trovadores
franceses. Suas composições, de
cunho popular, incluem canções
de amor, canções de cruzadas,
lamentações, duelos
poético-musicais e baladas. Com
maior liberdade de ritmo,
aparecem novas formas vocais,
como o rondó e o madrigal. Na
área religiosa, a novidade são
as missas. Um dos principais
compositores é Guillaume de
Machaut (1300-1377), autor da
missa polifônica mais antiga que
se conhece: Missa de Notre Dame
(1364).
Teatro
– Apesar de o teatro escrito no
modelo greco-romano ser proibido
pela Igreja Católica, a
manifestação teatral sobrevive
no início do período medieval
com as companhias itinerantes de
acrobatas, jograis e menestréis.
A partir do século X, a Igreja
adapta-o à pregação católica e
às cerimônias religiosas.
Dramas litúrgicos são encenados
nas igrejas. Depois se
desenvolvem outras formas, como
milagres (sobre a vida dos
santos), mistérios (discutem a
fé e misturam temas religiosos e
profanos) e moralidades
(questionam comportamentos). As
encenações passam a ser ao ar
livre por volta do século XII e
se estendem por vários dias. Aos
poucos, os espectadores assumem
papéis de atores, conferindo às
apresentações um tom popular.
Uma das primeiras obras
independentes da liturgia é a
francesa Le Jeu d''Adam (1170).
Nessa época os textos, em geral,
são anônimos. No século XIII, na
Espanha, surgem os autos, peças
alegóricas que tratam de temas
religiosos, encenadas em palcos
provisórios. A proibição, pela
Igreja, da mistura de temas
religiosos com profanos –
processo que se consolida no fim
do século XIV – provoca o
aparecimento das comédias
medievais, totalmente profanas.
Uma peça importante é Farsa do
Mestre Pierre Pathelim, do
século XIV, que mostra advogados
e juízes como trapalhões sem
caráter. Na França, a primeira
sala permanente de teatro é
aberta no início do século XV. A
primeira companhia profissional
da Inglaterra é montada em 1493. |
 |
|
|
|