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GONÇALVES
DIAS
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Antônio
Gonçalves Dias, filho de um comerciante português e de
uma cafuza (mestiça de negro e índio), nasceu a 10 de
agosto de 1823, em Caxias, no Estado do Maranhão. O pai
tinha abandonado a mãe, com quem vivia e não era
oficialmente casado. Gonçalves Dias passou a viver com
o pai e a madrasta. Teve uma infância tranqüila e, após
os primeiros estudos, foi para Coimbra. Matriculou--se
no curso de Direito, da Universidade de Coimbra, em
1840, onde entrou em contato com escritores portugueses
que cultuavam a Idade Média. Escreveu a "Canção
do exílio", em 1843, saudoso da pátria distante.
Gonçalves Dias, um dos maiores poetas brasileiros,
conhece, nessa sua volta, Ana Amélia, por quem foi
apaixonado e para quem escreveu um dos seus mais belos
poemas, "Ainda Uma Vez, Adeus". O amor, porém,
não pode ser concretizado já que Ana Amélia era
descendente de família tradicional e orgulhosa, que não
aceitava vê-la casada com um mestiço e, além disso,
bastardo. Acabou casando-se com Olímpia da Costa, com
quem, segundo consta, não foi muito feliz. Em 1854,
reencontra casualmente Ana Amélia em Lisboa. Desse
encontro resultou o conhecido poema "Ainda uma vez
- adeus! ". Volta ao Brasil alguns anos depois,
vivendo uma fase de intensa produção literária e
agitados casos amorosos, sendo o mais marcante com Ana
Amélia. Retorna à Europa, em 1862, para tratar de sua
saúde, que encontrava-se bastante abalada. Morre em 3
de novembro de 1864, na costa do Maranhão, no naufrágio
do navio Ville de Boulogne, no qual regressava de sua
terceira viagem à Europa. Afirma-se que Gonçalves Dias
trazia prontos os cantos finais de Os timbiras, que ele
planejara como um poema épico e dos quais tinha escrito
somente quatro cantos. Foi responsável pela consolidação
do Romantismo no Brasil, trabalhando de forma brilhante
todos os seus temas iniciais (indianismo, natureza pátria,
religiosidade, sentimentalismo, espírito de
brasilidade). Cantou, em suas poesias, os três
elementos que formaram o povo brasileiro (considerava-se
uma síntese do povo brasileiro - seu pai era português
e sua mãe, mestiça de negro e índio). Didaticamente
sua obra pode ser dividida em:
- Poesia lírica - apresenta profundos
traços de subjetivismo e visível influência de seus vários
casos amorosos, principalmente seu amor frustrado por
Ana Amélia; são poemas marcados pela dor e sofrimento,
chegando a beirar o ultra-romantismo em alguns momentos.
O poeta buscava "casar o pensamento com o
sentimento, a paixão com a idéia", embora a razão
sempre perdesse terreno para o coração. Entre seus
poemas líricos mais famosos temos: "Se se morre de
amor", "Ainda uma vez - adeus!",
"Como, és tu?" e "Não me deixes".
- Poesia
medieval - reunidos sob o título de
"Sextilhas de frei Antão", são uma série de
poemas escritos em português arcaico, à moda dos
trovadores medievais.
- Poesia
nacionalista - apresenta uma poesia que ora
exalta a pátria distante, ora idealiza a figura do índio.
Os poemas saudosistas exaltam a natureza brasileira, sem
nunca se referirem ao elemento humano, pois, se citassem
o homem brasileiro, teriam de se referir às crises
vividas pela nossa sociedade. Entretanto, é no
indianismo que atinge o máximo de sua obra (é o
representante maior da poesia indianista brasileira).
Apesar de idealizado, seu índio está mais próximo da
realidade quando comparado ao índio de José de
Alencar. Seus versos indianistas, além de exaltar a
natureza, desenham um índio portador de sentimentos e
atitudes artificiais, extremamente europeizado.
Destacam-se pela carga lírica, dramática e épica.
Formalmente caracterizam-se pela perfeita utilização
dos vários recursos da métrica, da musicalidade e do
ritmo. Entre os poemas indianistas destacam-se: "I
- Juca Pirama"; "Marabá"; "O canto
do piaga"; "Canção do tamoio";
"Leito de folhas verdes"; e "Os
timbiras" (poema épico inacabado).
Obras
Poesia:
Primeiros cantos (1846); Segundos cantos (1848);
Sextilhas de frei Antão (1848); Últimos cantos
(1851); Os timbiras (1857).
Teatro:
Beatriz Cenci (1843); Leonor de Mendonça (1847).
Outros: Brasil e Oceania (1852); Dicionário da língua
tupi (1858).
Canção
do Exílio
"Minha
terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como
lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar ,sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu' inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá".
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