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JORGE AMADO

   Ao fazer 80 anos, Jorge Amado comemorou lançando um novo livro, Navegação de Cabotagem – Apontamentos para o livro de memórias que não escreverei e dizia “eu nunca vou escrever uma autobiografia. Esse negócio de dizer nasci em Ferradas, no ano tal, fiz isso e aquilo, que glória, é muito chato.” Para ele, o livro Navegação de Cabotagem já podia ser considerado uma biografia, porque há nele o registro de fatos divertidos. “Uns aconteceram comigo, outros não. São memórias”, dizia. Mas para a tradição da Academia Brasileira de Letras, biografia é imprescindível, e a de Jorge Amado lá está devidamente registrada.
   Jorge Amado nasceu a 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, no distrito de Ferradas, município de Itabuna, sul do Estado da Bahia. Filho do fazendeiro de cacau João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado.
   Com um ano de idade, foi para Ilhéus, onde passou a infância. Fez os estudos secundários no Colégio Antônio Vieira e no Ginásio Ipiranga, em Salvador. Neste período, começou a trabalhar em jornais e a participar da vida literária, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes.
   Publicou seu primeiro romance, O país do carnaval, em 1931. Casou-se em 1933, com Matilde Garcia Rosa, com quem teve uma filha, Lila. Nesse ano publicou seu segundo romance, Cacau.


   Formou-se pela Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro, em 1935. Militante comunista, foi obrigado a exilar-se na Argentina e no Uruguai entre 1941 e 1942, período em que fez longa viagem pela América Latina. Ao voltar, em 1944, separou-se de Matilde Garcia Rosa.

   Em 1945, foi eleito membro da Assembléia Nacional Constituinte, na legenda do Partido Comunista Brasileiro (PCB), tendo sido o deputado federal mais votado do Estado de São Paulo. Jorge Amado foi o autor da lei, ainda hoje em vigor, que assegura o direito à liberdade de culto religioso. Nesse mesmo ano, casou-se com Zélia Gattai.

   Em 1947, ano do nascimento de João Jorge, primeiro filho do casal, o PCB foi declarado ilegal e seus membros perseguidos e presos. Jorge Amado teve que se exilar com a família na França, onde ficou até 1950, quando foi expulso. Em 1949, morreu no Rio de Janeiro sua filha Lila. Entre 1950 e 1952, viveu na Tchecoslováquia, onde nasceu sua filha Paloma.

   De volta ao Brasil, Jorge Amado afastou-se, em 1955, da militância política, sem, no entanto, deixar os quadros do Partido Comunista. Dedicou-se, a partir de então, inteiramente à literatura. Foi eleito, em 6 de abril de 1961, para a cadeira de número 23, da Academia Brasileira de Letras, que tem por patrono José de Alencar e por primeiro ocupante Machado de Assis. Doutor Honoris Causa por diversas universidades, Jorge Amado orgulhava-se do título de Obá, posto civil que exercia no Ilê Axé Opô Afonjá, na Bahia.

   A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braile e em fitas gravadas para cegos.

   Em 1987, foi inaugurada em Salvador, Bahia, no Largo do Pelourinho, a Fundação Casa de Jorge Amado, que abriga e preserva seu acervo, colocando-o à disposição de pesquisadores. A Fundação objetiva ainda o desenvolvimento das atividades culturais na Bahia.


Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001. Foi cremado, e suas cinzas foram enterradas no jardim de sua residência, na Rua Alagoinhas, em 10 de agosto, dia em que completaria 89 anos.

BIBLIOGRAFIA

PAÍS DO CARNAVAL - 1931

 

ØEstréia do autor  

Ø Jovens intelectualizados e  inadaptados à realidade brasileira

 Ø Impasses ideológicos e existenciais

Ø Pedro Ticiano = velho jornalista

ØPaulo Rigger = intelectual modernista

Ø Indagações: O que somos?

Que país é este?

Para onde vamos

ØQual a finalidade  da existência?

Ø Literatura de debate

ØNegação dos sistemas filosóficos, políticos e       religiosos

ØDenúncia: Mau caráter dos políticos

                Mandonismo oligárquico

                Indigência material e ideológica dos                          humildes

 

CACAU – 1933

  Ø    Romance pequeno e violento”

 Ø    Região cacaueira do sul da Bahia

 Ø    " Tentei contar neste livro com um mínimo de literatura para o máximo de honestidade a vida do trabalhador das fazendas de cacau do sul da Bahia. Será um romance proletário?"

“Mínimo de literatura para um máximo de honestidade

 Ø    Luta de classes

Ø    Linguagem popular

Ø    Metalinguagem

Ø    Manuel Misael de Souza Teles

Ø    José Cordeiro

Ø    Tom memorialístico/testemunhal

Ø    Construção fragmentária

Ø    Realismo socialista

Ø    Mito da Caverna

Ø    Representação positiva do oprimido  

 

SUOR – 1934

 

Desempregados, operários e mulheres enfrentam a polícia nas ruas de Salvador.  

Ø    Ladeira do Pelourinho, casarão 68

Ø    Via crucis dos oprimidos

Ø    Decadência contínua

Ø    Painel social

Ø    Sofrimentos coletivos

Ø    Caráter escatológico

Ø    Vilão: O Capital

Ø    Herói: Não há

   

MAR MORTO – 1936

 

Ø    Denúncias sociais

Ø     Conscientização da heroína Lívia

Ø     Morte do marinheiro Guma é menos política e mais existencial

Ø     Lívia assume o comando do saveiro de seu amado para dar continuidade ao trabalho do mesmo

 

 

JUBIABÁ – 1935

 

Ø    O negro Antônio Balduíno vivencia os destinos possíveis das camadas populares baianas:

Menino de rua

Vagabundo

Sambista

Boxeador

Trabalhador rural

Artista de circo

Estivador

Líder de uma greve no porto

Ø    Jubiabá, é um pai-de-santo que desconfia da ação política do filho.

 Ø     Antônio Balduíno supera a religiosidade familiar pelo envolvimento sindical.

 Ø     Jorge Amado descreve sem preconceitos o candomblé e os rituais afro-brasileiros, vendo-os como legítima expressão da cultura negra.

   

CAPITÃES DA AREIA – 1937

 

Grupo de meninos de rua

Proibido pela censura do Estado Novo

 Ø    Um dos romances mais lidos em nossa história literária.

 Ø     A idealização dos garotos é absoluta.

 Ø     Todos os "capitães" assumem um destino original:

 Ø     Pedro Bala, o líder do grupo, vira comandante da segurança de uma greve no porto; 

Ø     Volta Seca torna-se cangaceiro do bando de Lampião; 

Ø     Pirulito, seminarista;

Ø     Professor, pintor famoso; 

Ø     Boa-Vida, malandro generoso; 

Ø     Sem Pernas suicida-se.

Fecha o ciclo proletário da “cidade da Bahia”

 

TERRAS DO SEM FIM  - 1943

 

Ø    Lutas sangrentas em torno do estabelecimento da propriedade

Ø    Um menino aparece no julgamento do coronel Horácio é apresentado como alguém que "anos depois iria escrever as histórias dessa terra

Ø    Vigor documental

Ø     Dramas humanos autênticos

Ø     Lirismo convincente

Ø     Publicados inicialmente na imprensa esboços de capítulos sob o título de Sinhô Badaró

   

Ø     Segundo romance do “ciclo do cacau”

 Ø     Brasil de antes da Primeira Guerra Mundial

 Ø     Ferradas e Taboca, sociedades em formação

 Ø     Lei dos mais fortes e corajosos

 Ø     Coronel Horácio X família Badaró

 Ø     Posse das matas do Sequeiro Grande  Narrador onisciente

 Ø     ABC`s e de citações bíblicas

 Ø     Conflitos íntimos em grande evidência

Ø    Paraíso dos chamados “coronéis do cacau” que têm dedicados advogados pessoais e controlam um jornal e uma administração municipal.

 Ø     Inferno dos camponeses suarentos e esfarrapados.

 Ø     Grandes latifundiários, solicitavam de um advogado um "caxixe"

 Ø     Advogados eram bem vindos em Ilhéus, onde faziam fortunas.

Ø    Navio

Lavrador Antônio Vítor

Aventureiro João Magalhães

Prostituta Margot

Advogado Dr.Virgílio

 Sinhô Badaró

Pela paz

Mata somente em caso de extrema necessidade

 Juca Badaró

Antônio Vítor

capanga de Juca Badaró, após ter-lhe salvo a vida.

Don'Ana

Filha de Sinhô Badaró

Moça séria e enraizada à terra

 

Ø    Virgílio registrou a mata a no cartório de Venâncio em nome de Horácio, Maneca Dantas, Braz, viúva Merenda, Firmo, Jarde e de Dr. Jessé Freitas.

 Ø     Homens de Badaró atearam fogo no cartório.

 Ø     Nas cidades distantes falavam-se das lutas em Sequeiro Grande.

 Ø     Juca espalhou pela cidade que Virgílio era um cagão.

 Ø     Horácio: febre.

 Ø     Ester cai doente e morre.

Ø    Badaró e os homens de Horácio derrubando a mata.

 Ø     Juca foi assassinado.

Ø    Horácio deveria ser morto, mas também sabiam que isso não seria fácil.  

Ø     Intervenção do governo federal no estado da Bahia

 Ø     Governador renuncia e a oposição toma o poder.  

Ø     O interventor demite o prefeito e nomeia o Dr. Jessé para o cargo;  

Ø     O juiz também foi transferido, viria outro em seu lugar.  

Ø     Sinhô Badaró tornara-se oposição e Horácio, que era governo, já imaginava Virgílio como deputado federal.

Ø    O cerco da casa Grande dos Badaró pelos homens de Horácio pôs fim na luta.

 Ø     Meses depois, Horácio foi levado a julgamento e, por unanimidade de votos, foi considerado inocente.

Ø    Horácio descobre que Ester e Virgílio tinham sido amantes.

Ø     Para Virgílio, o triste era viver sem Ester

Ø    Virgílio iria morrer corajosamente, segundo as leis do lugar.

Ø     Foi morto em uma emboscada, a caminho de Ferradas.

Ø     Eleições: Dr. Jessé é levado à Câmara Federal como deputado do governo.

Ø     Decreto cria o município de Itabuna - ex Tabocas - desmembrando-o de Ilhéus.

Ø     Horácio elege Maneca Dantas para prefeito de Ilhéus e o Sr. Azevedo para prefeito de Itabuna.  

SÃO JORGE DOS ILHÉUS - 1944

   Ø    Romance complementar a Terras do sem fim

Ø    Vilas já urbanizadas.

Ø    Exploração do cacau

Ø    Região de Ilhéus, no sul da Bahia,

Ø     Histórias de terras férteis e dinheiro em abundância.

Ø    O romance registra a perda do poder local pelos coronéis, substituídos pelos exportadores e, logo depois, pelas companhias imperialistas americanas.

   

Poeta Sérgio Moura

Proletário Joaquim

primarismo ideológico

visão messiânica da revolução.

 

Conversão ao comunismo de Julieta, esposa de um rico exportador, e a sua decisão de lutar pela causa operá ria.

 

Fazendeiro:

humilde do interior

igual a qualquer mortal

sem a grandiosidade romanesca do sr feudal

   

Novos modos de matar:

        Calúnias

        Falências

        Processos jurídicos

 

Fases do homem do ciclo do cacau (Antônio Vítor)

        Contratado como “alugado”dos Badaró

        Promovido a Jagunço

        Casamento com filha bastarda do patriarca

        Ganhador de um pedaço de terra

        Transforma-se em produtor

        Perdedor de tudo com a baixa do cacau

 

Joaquim

        Idealista extremado

        Arauto da utopia

        Ideal do militante

        Discurso moralista

 

 SEARA VERMELHA – 1946

 Ø    Enquadrado na ótica explicitamente ideológica do escritor

 Ø     Importante mudança de cenário

 Ø     Abandono da zona do cacau, localizando o relato no sertão baiano.  

Ø     Família numerosa de sertanejos, vítima da seca e do latifúndio, chefiada pelo velho casal, Jerônimo e Jucundina, migra em busca de dias melhores.

Ø     Seqüência de fome e angústia, sofrimento e esperança, morte e instinto de sobrevivência

 Ø     Marta, a filha do casal,  se prostitui para garantir o sustento da família e a viagem rumo a São Paulo.

 

Segunda parte do romance

            (As estradas da esperança)

 Ø    Eixo narrativo se desloca para os três filhos homens de Jerônimo e Jucundina - José, João e Juvêncio

 Ø     Cada um dos irmãos escolhe um caminho de protesto contra o latifúndio opressor:

 Ø     José vira Zé Trevoada, cangaceiro do bando de Lucas Arvoredo;

 Ø    João torna-se seguidor do beato Estevão;

 Ø     Juvêncio ultrapassa a dimensão irracional do cangaço e do misticismo, pois como soldado acaba aderindo ao partido Comunista, participando inclusive da intentona golpista de 1935.

 Ø     Influência dessa parte do romance no mais famoso filme brasileiro Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, produzido em 1963.