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JOSÉ
SARAMAGO
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José Saramago
nasceu em 1922 na aldeia de Azinhaga (Golegã). Fez
estudos secundários que, por dificuldades econômicas,
não pôde prosseguir. Seu primeiro emprego foi o de
serralheiro mecânico, tendo exercido depois, diversas
outras profissões: desenhista, funcionário de saúde e
de previdência social, editor, tradutor, jornalista.
Publicou o seu primeiro livro, um romance,
em 1947. Colaborou como crítico literário na revista
"Seara Nova". Em 1972 e 1973 fez parte da redação
do jornal "Diário de Lisboa". Pertenceu à
primeira direção da Associação Portuguesa de
Escritores e foi, desde 1985 a 1994, presidente da
Assembléia Geral da Sociedade Portuguesa de Autores.
Entre Abril e Novembro de 1975 foi diretor-adjunto do
jornal "Diário de Notícias". A partir de
1976 passou a viver exclusivamente do seu trabalho literário,
primeiro como tradutor, depois como autor.
É Doutor Honoris Causa pelas Universidades
de Turim (Itália), de Sevilha (Espanha) e de Manchester
(Reino Unido); membro Honoris Causa do Conselho do
Instituto de Filosofia do Direito e de Estudos Histórico-Políticos
da Universidade de Pisa (Itália); membro da Academia
Universal das Culturas (Paris); membro correspondente da
Academia Argentina das Letras; membro do Parlamento
Internacional de Escritores (Estrasburgo).
Partindo de um heterônimo de Fernando Pessoa, cuja biografia
escrita por Pessoa informa apenas a data de nascimento
(1887) e que desde 1919 viveria no Brasil por discordar
do movimento republicano instalado em Portugal (1911) e
por ser monarquista.
Ricardo Reis, médico e helenista, torna-se, pois, o
personagem principal desse romance de José Saramago. O
autor supõe que após a morte de Fernando Pessoa,
ocorrida em 30 de novembro de 1935, Ricardo Reis sentiu
um desejo de prestar uma homenagem ao seu criador,
retornou a Portugal para fazer as homenagens no túmulo
do amigo. Convém notar que Reis ficou sabendo da morte
do “amigo” Pessoa por meio de um telegrama enviado
por Álvaro de Campos.
Ricardo Reis hospeda-se no Hotel Bragança, quarto 201, de
frente para o rio Tejo. Depois de uma ida ao cemitério
em que ficara com remorso por ter ficado tanto tempo
longe do amigo, sente que poderia ter desenvolvido mais
essa amizade.
Uma noite, quando o médico e helenista retorna de um passeio,
nota uma luz acesa em seu quarto, ao entrar encontra a
figura do “fantasma” de Pessoa. Momento fantástico
da obra em que o criador transformado em fantasma
encontra a personagem transformada em ser real.
Diante do insólito encontro, Ricardo Reis age com relativa
naturalidade ao encontro, bem como Pessoa, que ainda
explica ao amigo vivo que tem permissão para ficar
penando pelo mundo nove meses (oito para ser exato, pois
já havia se passado um) e que nesse tempo tem que
resolver um negócio pendente para poder finalmente
seguir para o além.
Assim, o romance compreende o período de dezembro de 1935 até
agosto de 1936. Período de agitação política na
Europa com o surgimento dos regimes totalitários na Itália
e na Alemanha e fortalecimento da ditadura salazarista
em Portugal e o desenrolar dos antecedentes dos
conflitos da guerra civil espanhola.Ao passo que esses
acontecimentos históricos são citados na obra, Ricardo
Reis se envolve mais diretamente em questões amorosas,
conhece no hotel duas moças com quem tem casos
amorosos: Lídia, uma arrumadeira e Marcenda, uma hóspede.
Aqui os aspectos intertextuais com a obra de Pessoa
tornam-se mais fortes, uma vez que Lídia e Marcenda são
musas dos poemas de Ricardo Reis. Várias falas de Reis
estão fundamentas em recriações de versos do heterônimo
pessoano. As musas são rebaixadas no plano literário,
de figuras idealizadas e sublimes transformam-se em
personagens humanas com virtudes, mas também com
defeitos.
Lídia chega a engravidar, Reis sugere que ela faça um
aborto. Porém, apesar da indiferença de Reis, ela opta
por enfrentar sozinha a gravidez e a criação do filho.
Marcenda, por sua vez, a mulher bem educada, rica, que tem a mão
esquerda paralisada, evoca sentimentos mais líricos por
parte de Reis. O poeta chega a lhe propor casamento, mas
ela já não mais se hospedando em Lisboa, manda uma
carta rompendo o relacionamento.
Ao final do romance, Lídia, que também deixar a companhia de
Reis, volta para informar desconsolada a morte do irmão
Daniel, marinheiro, que se envolvera em questões
revolucionárias.
Fernando Pessoa conhecendo os amores mundanos de Reis ironiza
o fato de que os amores reais de Reis pouco ou quase
nada tem a ver com as suas musas idealizadas.
Na cena final, Pessoa aparece para dizer a Reis que chegou a
hora de partir. Ricardo Reis insatisfeito com seus
amores e com sua vida diz que deseja acompanhar o poeta:
“Estavam no passeio do jardim, olhavam as luzes pálidas
do rio, a sombra ameaçadora dos montes. Então vamos,
disse Fernando Pessoa, Vamos, disse Ricardo Reis.O
Adamastor não se voltou para ver, parecia-lhe que desta
vez ia ser capaz de dar o grande grito. Aqui, onde o mar
se acabou e a terra espera.”
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