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MAQUIAVEL
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Maquiavel
nasceu em Florença em 3 de maio de 1469, numa Itália
"esplendorosa mas infeliz", segundo o
historiador Garin. Sua família não mera aristocrática
nem rica. Seu pai , advogado como um típico
renascentista, era um estudioso das humanidades, tendo
se empenhado em transmitir uma aprimorada educação clássica
para seu filho. Maquiavel com 12 anos, já escrevia no
melhor estilo e, em latim.
Mas
apesar do brilhantismo precoce, só em 1498, com 29 anos
Maquiavel exerce seu primeiro cargo na vida pública.
Foi nesse ano que Nicolau passou a ocupar a segunda
chancelaria. Isso se deu após a deposição de
Savonarola, acompanhado de todos os detentores de cargos
importantes da república florentina. Nessa atividade,
cumpriu uma série de missões, tanto fora da Itália como
internamente, destacando-se sua diligência em instituir
uma milícia nacional.
Com a
queda de soverine, em 1512, a dinastia Médici volta ao
poder, desesperando Maquiavel, que é envolvido em uma
conspiração, torturado e deportado. É permitido que se
mude para São Cassiano, cidade pequena próxima de
Florença, onde escreve sobre a Primeira década de Tito
Lívio , mas interrompe esse trabalho para escrever sua
obra prima: O Príncipe , segundo alguns , destinado a
que se reabilitasse com os aristocratas, já que a obra
era nada mais que um manual da política.
Maquiavel
viveu uma vida tranqüila em S. Cassiano. Pela manhã,
ocupava-se com a administração da pequena propriedade
onde está confinado. À tarde, jogava cartas numa
hospedaria com pessoas simples do povoado. E à noite
vestia roupas de cerimônia para conviver, através da
leitura com pessoas ilustres do passado, fato que levou
algumas pessoas a considerá-lo louco.
A obra
de Maquiavel é toda fundamentada em sua própria experiência,
seja ela com os livros dos grandes escritores que o
antecederam, ou sejam os anos como segundo chanceler, ou
até mesmo a sua capacidade de olhar de fora e analisar
o complicado governo do qual terminou fazendo parte.
Enfim,
em 1527, com a queda dos Médici e a restauração da
república, Maquiavel que achava estarem findos os seus
problemas, viu-se identificado por jovens republicanos
como alguém que tinha ligações com os tiranos depostos.
Então viu-se vencido. Esgotaram-se suas forças. Foi a
gota d’água que estava faltando. A república considerou-o
seu inimigo. Desgostoso, adoece e morre em junho.
Mas nem
depois de morto, Maquiavel terá descanso. Foi posto no
Index pelo concílio de Trento, o que levou-o, desde então
a ser objeto de excreção dos moralistas.
Maquiavel
viveu durante a Renascença Italiana , o que explica boa
parte das suas idéias.
Na Itália
do Renascimento reina grande confusão. A tirania impera
em pequenos principados, governados despoticamente por casas
reinantes sem tradição dinástica ou de direitos contestáveis.
A ilegitimidade do poder gera situações de crise instabilidade
permanente, onde somente o cálculo político, a astúcia
e a ação rápida e fulminante contra os adversários são
capazes de manter o príncipe. Esmagar ou reduzir à
impotência a oposição interna, atemorizar os súditos
para evitar a subversão e realizar alianças com outros
principados constituem o eixo da administração. Como o
poder se funda exclusivamente em atos de força, é previsível
e natural que pela força seja deslocado, deste para
aquele senhor. Nem a religião nem a tradição, nem a
vontade popular legitimaram e ele tem de contar
exclusivamente com sua energia criadora. A ausência de
um Estado central e a extrema multipolarização do poder
criam um vazio, que as mais fortes individualidades têm
capacidade para ocupar.
Até 1494,
graças aos esforços de Lourenço, o Magnífico, a península
experimentou uma certa tranqüilidade.
Entretanto,
desse ano em diante, as coisas mudaram muito. A desordem
e a instabilidade ficaram incontroláveis. Para piorar a
situação, que já estava grave devido aos conflitos internos
entre os principados, somaram-se as constantes e desestruturadoras
invasões dos países próximos como a França e a
Espanha. E foi nesse cenário conturbado, onde nenhum
governante conseguia se manter no poder por um período
superior a dois meses, que Maquiavel passou a sua infância
e adolescência.
Maquiavel faleceu sem ter visto realizados os ideais
pelos quais se lutou durante toda a vida. A carreira pessoal
nos negócios públicos tinha sido cortada pelo meio com
o retorno dos Médici e, quando estes deixaram o poder,
os cidadãos esqueceram-se dele, "um homem que a
fortuna tinha feito capaz de discorrer apenas sobre
assuntos de Estado". Também não chegou a ver a Itália
forte e unificada.
Deixou
porém um valioso legado: o conjunto de idéias elaborado
em cinco ou seis anos de meditação forçada pelo exílio.
Talvez nem ele mesmo soubesse avaliar a importância
desses pensamentos dentro do panorama mais amplo da história,
pois " especulou sempre sobre os problemas mais
imediatos que se apresentavam". Apesar disso, revolucionou
a história das teorias políticas, constituindo-se um
marco que modificou o fato das teorias do Estado e da
sociedade não ultrapassarem os limites da especulação
filosófica.
O universo
mental de Nicolau Maquiavel é completamente diverso. Em
São Casciano, tem plena consciência de sua
originalidade e trilha um novo caminho. Deliberadamente
distancia-se dos " tratados sistemáticos da escolástica
medieval" e, à semelhança dos renascentistas preocupados
em fundar uma nova ciência física, rompe com o pensamento
anterior, através da defesa do método da investigação
empírica.
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