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O Mundo quer ser mudado
Por Alesson Vinicíus

   A arte nos proporciona situações onde podemos exprimir todos os nossos sentimentos em alguns minutos; amor, ódio, e etc. A arte também fomenta para alguns o senso crítico, ou melhor, razão crítica. Assistindo ao belíssimo filme brasileiro, Olga, notei uma cena interessante de poucos segundos. Quando Olga é levada supostamente para o hospital juntamente com a colega de cela, ela faz a seguinte indagação: “Maria, você acredita que o mundo quer ser mudado?”.
   Esta pergunta impregnou-se na minha mente até o fim do filme, como um “espeto” que só hoje consigo entender o porquê deste “espeto” me consternar tanto. Essa pergunta propõe uma reflexão sócio-econômica-filosófica, afinal Olga ao proferir essa pergunta já se encontrava em uma situação totalmente de derrota, e logo após explicita algumas impunidades do país daquela época, mas que não mudou ainda hoje!
   As pessoas acompanham os fatos absurdos com olhos ofuscados pelo comodismo e pela ideologia dos poderosos. Absurdos ocorrem ao lado de cada um de nós, mas permanecemos calados, omissos a situação, como se ela não existisse ou se fosse algo efêmero. O que o ser humano tem de melhor é a sua razão, a sua capacidade de raciocinar, de criticar as coisas. Infelizmente tal qualidade não é utilizada pela maioria, que se sentindo satisfeita com o caos decide não mais enfrentá-lo se sim se dar por vencido, ou seja, cruzando os braços e atrofiando a mente. Como conseqüência desta inércia das pessoas, é que observamos esse retardamento intelectual que a sociedade vem passando. A tecnologia e todo o conhecimento tecnocrático só tende a evoluir, enquanto o ensino humanístico e filosófico sofre um retrocesso incomparável. Sendo que não existe uma ciência superior à outra, a evolução deveria ser simétrica.
   Observando o Brasil esta situação fica ainda mais lastimável, pois neste país existem mais de 50 milhões de analfabetos, sem levar em contar aqueles que apenas terminaram o ensino médio. Enquanto o governo apenas decide dá uma ínfima importância ao ensino universitário, ele deixa o ensino fundamental e médio na lata do lixo.
   Buscar forças para lutar contra toda esta involução, este sistema caótico, é uma tarefa árdua que poucos intelectuais e revolucionários se mantiveram firmes até o fim. Alguns desistem após alguns anos, exemplo disto é Caetano Veloso que nos anos 70, juntamente com outros intelectuais, músicos e estudantes, nos proporcionou uma manifestação cultural inimaginável para a época (em plena ditadura militar) que foi o       Tropicalismo, que muitos afirmam ter sido uma continuação do Movimento Antropofágico de Oswald de Andrade. Mas o que vemos hoje nesse mesmo Caetano Veloso é um homem cooptado pela burguesia e pelo poder, realizando apresentações mais caras e menos acessíveis para o povo (cerca de R$ 800,00) e de uma forma não explicita aliou-se a demagogos e criminosos como ACM.
   Toda essa estagnação cultural, esse comodismo da população, independente de classe ou cor, gera uma sociedade caótica e medrosa. O governo só toma atitude após algum crime que é publicado para o exterior ou que choca a população. Não sairemos desta “lama” enquanto não darmos atenção à educação, países antes atrasados como a Irlanda é um exemplo cristalino de como o investimento na educação, na intelectualidade, na cultura do país pode colaborar com a evolução social e econômica do mesmo.
   É lamentável chegar em uma escola pública e observar que o futuro daquelas crianças está comprometido devido à má educação, a falta de investimento, devido a um governo que investe mais em propaganda e na policia do que na educação.
A mudança deriva-se do incômodo de um povo com a situação. Na haverá mudança sem incômodo, não adianta estatísticas de crescimento ou balanças comerciais, se não houver uma distribuição menos desigual. Tudo isso que escrevo pode ser uma utopia para muitos, mas não para uma pessoa que prefere uma revolucionária que lutou pelo bom, pelo justo,pelo melhor do mundo (palavras de Olga Bernário) a um traidor como Lula, afinal este Lula não é o mesmo sindicalista que gritava contra a burguesia,contra os banqueiros há 20 anos atrás. Constata-se uma desistência ideológica das pessoas (afinal todos nós possuímos uma ideologia) a não desistência pode salvar, em todos os sentidos, muita gente.
   A pergunta de Olga deve ser questionada por cada um de nós. Nós queremos ser mudados? Eu quero ser mudado? Eu quero mudar?. 
 

 

 
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