Uma homenagem à farsa.
Por Alesson Vinícius
O país ainda não
mostrou a sua cara, a pergunta ou exclamação do poeta e seus versos
incontestáveis passaram despercebidos pela massa. A nossa pátria mãe
gentil, regida per inescrupulosos e corruptos (não generalizem!) nos
pune com uma situação vergonhosa e desumana. Iniciamos a nossa
história equivocadamente e até hoje pensamos que os lusitanos são os
nossos “amigos” e os argentinos inimigos, bobagem, devemos é pensar ao
contrário. Dê-me motivos para odiar os argentinos.
Pensamos que
houve descobrimento. Tudo que foi, e ainda é, contado para nossas
crianças não passam de fatos ideológicos da elite: Brasil descoberto;
negro fraco e sofredor; Lampião criminoso; Vargas herói; tudo isso a
elite coloca nas mentes das crianças que indiretamente propagam isso
aos seus pais (que não foram á escola) e todos eles tomam isso como
verdadeiro, a ponto de lhe chamarem de louco se pensar ao contrário
disso. A elite constrói duas escolas: uma para pensar (a que educa) e
outra para fazer (a que ensina), agora adivinhe onde estão os filhos
daqueles trabalhadores que daqui alguns meses irão ter um suposto
“aumento”?
Democracia é uma
mentira que nós pensamos que vivemos, um povo que vota em um candidato
e nem vê a sua legenda ou então vota apenas na legenda de um partido,
e depois disso ainda não cobra nada do candidato é o mesmo que nada.
Despotismo, nepotismo, corrupção, violência, juventude sem educação,
sem lar, sem vida (e sim sobrevivendo) e milhões de pessoas vendo um
prepotente ganhando um simulacro e afirmando ser um intelectual
(parafraseando meu caro Graciliano Ramos: O que é ser um intelectual
(que suponhamos que “ele” seja) em um país de mais de 90 milhões de
analfabetos?). Enquanto o povo vibra com 22 homens, o Brasil é
maquilado pela grande emissora, e esfacelado e colocado em um ciclo
vicioso e retrógrado de Severino e companhia.
“Reclamar?
Porque? Para que? Eu tenho uma casinha bem confortável, meu filhos
estão na escola, eu sou pobre mais sou honesto, não irei me estressar
com isso”. Este é o discurso dos alienados. Não aleguem que todos nós
somos alienados, pois ao ler um livro determinadas pessoas lêem com
visão crítica e sabem que ali tem uma carga pessoal do autor, então
afirmar isso é pura blasfêmia.
Queremos uma
solução, mas onde estão as nossas idéias, onde estão os nossos jovens,
ah sim eles estão na “balada”, dançando, rebolando, que maravilha, é
excitante! Não leia demais, para não saber demais, e saber demais é
perigoso, vão lhe chamar de maluco e você será excluído pelos seus
colegas! É triste, mas é a verdade.
Analfabetos,
semi-analfabetos e ainda milhões de “alunos” que foram “ensinados” (no
sentido etimológico mesmo!), continuam sentados em frente à caixa
mágica vendo Marias, beijos, romances, e tudo mais e isso tudo
calados, sem pensar, sem respirar, para não incomodar.
Os nossos
cantores que antes protestavam se entregaram, temos ainda vários, mas
poucos são escutados, ou melhor, quase nenhum. Só para confirmar, você
já ouviu quantas músicas do Mvbill? Scambo? Racionais? Quantas vezes
já os viram na televisão? Agora compare quantas vezes você já viu Zeca
Pagodinho, Djavan, Latino e outros...
Educação para o
povo: UTOPIA. Não se deve educar a massa, afinal essa é um perigoso
animal que é fácil de dominar. Erguer bandeira, cantar o hino
nacional, comemorações para que? 505 anos da invasão portuguesa e
ainda colocamos uma máscara na nossa face e dizemos que o Brasil foi
“descoberto”. Antes a exploração do povo brasileiro era feita pelos
lusitanos agora é feita pelos próprios brasileiros que vestem gravata
e gastam milhões em “apês” que eles nem utilizam, juros lá em cima, e
o povo vai gostar do dia primeiro de maio.
O que me levou a
escrever não foi exatamente esta data, mas sim a farsa explícita que
há sobre ela. Talvez se deixássemos de ler um pouco o que a mass
media (a mídia) e os professores tradicionalistas empurram para a
gente (Paulo Coelho, José de Alencar, João Ubaldo Ribeiro) e pelo
menos observássemos um outro tipo de literatura, que eu posso dizer
que para a maioria da população é desconhecida ou clandestina (Lima
Barreto, Dostoievski, Nietzsche, Marcos Bagno), nós deixaríamos de
afirmar tantas bobagens e escreveríamos mais, afinal, não adianta ler
30 livros por mês e nada escrever, ler é algo recíproco, o autor
passa-lhe um mundo e você cria outro paralelamente, deixando a chatice
da televisão.
Fica aqui a
minha dissertação em homenagem à farsa construída nas escolas, e aos
milhões de brasileiros que não possuíram e não possuem a oportunidade
de ler obras excitantes e geniais (não irei citar, pois não quero
forçar ninguém a ler o que eu já li ou irei ler).
Obs: O que o poeta disse não foi uma
pergunta e sim uma exclamação, afinal ele sabia o que era, e queria
que o povo soubesse. Infelizmente ainda não sabe.
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