MANIFESTO
À FRIVOLIDADE JUVENIL
Por Alesson Vinicíus
“O
que me desola não é tanto me sentir privado de uma determinada
espécie de prazer, mas sim o fato de que todo um ramo da
atividade humana me seja estranha...”.(Sartre)
Contrariando a um juramento pessoal (o de que só iria permanecer
em abstinência redatora até o término da leitura de dois
romances),escrevo este manifesto em virtude de não mais
suportá-lo na mente e querer tornar “real” as minhas
elucubrações para que estas venham a ser lidas e criticadas por
todos e por mim mesmo. Sendo presciente, sei que este manifesto
irá incomodar e indignar muitas pessoas próximas, principalmente
jovens. Tal indignação advém de uma incapacidade crítica perante
aos fatos e uma submissão aos valores da sociedade e sistema que
os produziram. Apresentar-lhe-ei argumentos com os quais tive e
tenho contato a todo instante.
O que é
necessariamente ser fútil? Não sabemos exatamente a resposta
para isso ou a ignoramos por causa dela ser nociva e reveladora
a nós mesmos? Utilizo o pronome pessoal “nós” por, infelizmente,
ser pertencente em quaisquer pesquisas, relatório e outros
dados, à juventude atual. Tenho noção das respostas e é por ter
noção delas que este manifesto foi elaborado.
Banalmente ser fútil é dedicar todo o tempo às coisas
levianas, imbecis com as quais se nada produz, se nada faz,
apenas aliena, diverte-se efemeramente. Não podemos confundir
futilidade com diversão, afinal esta nutre qualquer pessoa e faz
com que ela possa criar relacionamentos, enfim ter uma vida
satisfatória, contudo a futilidade viria a ser um elemento
advindo da diversão em extrema e incontrolável dose. Discute-se
acerca da necessidade da futilidade para que não fiquemos loucos
diante de tantas misérias, caos e outros fatores absurdos
pertencente à vida humana e gerada pela mesma. Aqueles que se
utilizam desses argumentos são vítimas de um “crime” cujo
culpado são os seus próprios pais. Por quê? Desde a infância
todos os nossos hábitos, presentes, brincadeiras são permitidos
por nossos pais e criados por eles, embora com o passar do tempo
nós mesmos nos libertemos e criamos os nossos. Mas essa inocente
e prazerosa infância nos traz a futilidade. Como? Analisemos
todos os nossos presentes, brincadeiras, conversas, enfim a
nossa infância. Lembra-se de alguma vez seus pais terem dado um
livro? Alguns podem dizer: “Sim, meu pai era um escritor, por
sua vez me dava todo mês livros para eu ler”, mas você queria
ler? Entre o jogo de futebol nas ruas, empinar pipa, brincar de
fazer comidinha com as bonecas e os chatos e poeirentos livros
pelo qual optava?
Para agradar aos seus filhos seus pais os colocam,
maquinalmente, em um círculo vicioso que na maioria das vezes a
criança não mais sairá. Os aparelhos ideológicos encarregam-se
de prender essa criança nesse círculo. O principal deles, depois
da família como já dito, é a escola. Principal responsável pela
robotização juvenil, esse aparelho ideológico que possui uma
aparência benéfica e colaboradora serve como formatador de
pensamentos e opiniões com as quais não irão proporcionar
incômodo ao Estado em um futuro próximo, devido a esses jovens
terem lido, escutado, estudado a mesma coisa com um simples
objetivo: obter êxito nas avaliações. Aí está o grande ato
imbecil e perigoso que a grande parcela faz desde que adentra na
escola.
A grande produtora de futilidade para a “alegria” dos jovens
é a mídia (leia-se televisão). Divertidos, fáceis de compreender
e sempre com um final feliz, esses são os programas, seriados,
novelas produzidos pela televisão passam para a juventude uma
visão de mundo totalmente bonita, utópica e consoladora.
Fofocas, jovens mais imbecis ainda pertencentes a uma escola
imaginária, reality-shows, enfim tudo isso e muito mais
são os programas prediletos dos fúteis e sua imbecilidade
admirada pela sociedade que vê aquele individuo como normal e
“sociável”, afinal se ele estivesse estudando demais poderia
ficar louco e o pior nem teria amigos. Hipocrisia e burrice.
Essa mesma juventude fútil estuda, estuda e estuda, estuda muito
e o pior é isso, eles apenas estudam. Um ato infeliz e
improfícuo que servirá apenas para as avaliações anuais.
Digo-vos isso devido ao ato de estudar simplesmente e
estupidamente por querer ser aprovado é tão inútil como o de não
estudar, todavia o primeiro é sancionado mais cedo ao passo que
outro demora um pouco mais, ou seja, o primeiro é uma bala
enquanto outro é um câncer que só virá a ser descoberto quando o
paciente fizer um check-up intelectual. Não defendo aqui
a inércia, afinal estaria sendo contraditório aos meus
pensamentos, o que defendo é que a atividade de estudar e ler
seja mais que o simples desejo de ser aprovado no final de ano e
livra-se da cansativa escola. Que esse ato tenha crítica,
consciência, deliberação, a ponto de nos consternar a todo
instante. Essa consternação nos faz ter pensamentos
idiossincráticos com os quais iremos discutir com nossos
professores e amigos na escola e fora dela, a fim de acabarmos o
insuportável e vergonhoso monólogo em sala. È claro que esse
estudo crítico não é nenhum sonho, afinal muitos jovens o
fazem,são poucos é verdade, mas há. Assim como o ato de ler
freqüentemente, esse tipo estudo não é educado desde a nossa
infância quando, como dito anteriormente, iniciamos nosso
processo de alienação e inclusão no círculo vicioso do qual
poucos e felizes mentes conseguem sair.
Explanada as causas da criação de jovens imbecis e
robotizados, que eufemicamente chamamos de fúteis, defenderei a
seguir a vontade de ser um intelectual em um país de néscios
admiradores de jogadores de futebol e atrizes da Globo e quando
pensam que estão a admirar um intelectual, estão na verdade
diante de intelectualóides,como Paulo Coelho,Jean e outros
chamados por Marilena Chauí chama de ideólogos maquinais
das elites(ver O que é ideologia), enfim é como Diogo
Mainardi disse acerca do hábito de ler do brasileiro: ”duvido
que um dia o Brasil venha a se tornar uma nação letrada. Se por
acaso isso acontecer, certamente lerá os livros errados. Se
calhar de ler os livros certos, só dirá bobagens sobre o que
leu”.
Não se
sabe muito bem quando podemos denominar um individuo de
intelectual, no
entanto como afirma Humberto Ecco, “o intelectual tem de ser a
consciência crítica do grupo. Ele existe para incomodar”.
E é na
juventude que esse “incômodo” começa a se formar, já que na
infância não possuímos autonomia, porque nossos desejos são
limitados por nossos pais. Uma grande dedicação a livros,cultura
e etc.
A dedicação de uma vida a isso é um prazer que é confundido
preconceituosamente pelos imbecis fúteis como perda de tempo ou
que está deixando a vida passar e perdendo todos os prazeres
dela. Esse pensamento é tão estúpido, porque se o homem pensasse
dessa forma, creio eu, não conseguiria nem sair da caverna,
afinal o desejo do desconhecido, do novo, fez do homem sair da
caverna, ou seja, o mesmo papel do jovem intelectual o qual
busca na sua dedicação tomar ciência do novo, independentemente
das conseqüências que essa “aventura erudita” irá trazer.
Vejo nesses poucos jovens cujos pensamentos são crítico e
ilimitado um “replay” da famosa alegoria da caverna de Platão. O
homem que saíra em busca da verdade a qual estava lá fora é esse
mesmo jovem crítico, que assim como o homem, tenta mostrar todas
as coisas belas, diferentes da que existem dentro da caverna ou
para ser mais atual, fora do medíocre ambiente escolar.
Infelizmente o final dessa nova alegoria está fadado a ter o
mesmo destino que a de Platão, isto é, cada vez mais espíritos
críticos são “assassinados” pelos alienados fúteis frutos de uma
sociedade narcisista e tecnocrática regida pelos meios de
comunicação que criam preceitos a serem obedecidos, senão são
chamados de malucos ou estranhos.
O jovem intelectual tem, obrigatoriamente, conviver com duas
realidades: a dele e a dos amigos fúteis imediatistas baseados
no perigosíssimo Carpe Diem.
A diversidade é necessária para a convivência democrática e
faz com que tenhamos idéias cada vez mais geniais e inovadores
que fogem dos nebulosos pensamentos criados pela escola,
entretanto um individuo dedicar a sua semana inteira (para ser
mais breve em vez de dizer toda a sua vida) perante a uma
televisão vendo programas imbecilizantes é praticamente um
suicídio. E é esse mesmo individuo perde seu tempo indo à
escola. Para que? Acho que os pais deveriam perguntar aos seus
filhos, quando eles estivessem na sétima ou oitava série, se
eles queriam continuar indo à escola, afinal é um tremendo
desperdício de material físico, intelectual e humano que
poderiam ser utilizados para com aqueles que dissessem sim a
essa pergunta. Afinal no fim das contas a maioria não vai querer
continuar estudando mesmo e terá o mesmo trabalho daquele que
não estudou, portanto proponho uma liberdade à juventude de
escolher entre os 12 ou 13 anos se eles querem continuar a
estudar ou não, senão vão fazer cursos técnicos ou
profissionalizantes para que não seja um mero individuo que
possui o diploma do ensino médio e mal sabe escrever e pior ler.
Fica assim lavrado este manifesto que foi escrito para
incomodar a todos que façam parte dessa imensa e hegemônica
juventude imbecil que perde o tempo escasso assistindo durante
18 horas semanais televisão e perdem o seu tempo com literatice
e tremem diante de obras clássicas magistrais como “Crime e
Castigo” ou para ser um pouco mais sincero receiam qualquer
livro que tenham mais de 400 páginas. Para essa juventude fica
um aviso: Não percam seu tempo lendo, afinal é muito mais
prazeroso assistir Bob Esponja, uma novela ou jogo de futebol.
Estamos no Brasil meus jovens, aqui não se pensa, não se
critica, não possuímos um público e sim uma platéia, por isso
continuem a viver loucamente não se importem com a tal
“intelectualidade” afinal se derem bola para isso se tornarão
chatos e estranhos para a sociedade e isso é muito ruim.
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