Manifesto aos
Pagodeiros
Por Alesson
Vinícius
Torno-me
parcial neste momento para escrever este manifesto, mas não
seria hipócrita a ponto de dizer que deixarei de manifestar os
meus pensamentos e possíveis ideologias (por incrível que
pareça!). A situação sempre a mesma, um conjunto previsível de
fatores que cercam pessoas invariavelmente de classes e
instruções distintas, o som é um pouco desagradável e vulgar
para uns e animado e divertido para outros, o pagode. Tal
furúnculo musical já nasceu errado devido ser um filho bastardo
do samba, sendo que este filho marginalizou-se, perdeu a
inocência e o carisma do pai (o samba) e fugiu da capital
considerada a cidade maravilhosa e veio ser acolhida pelos
bárbaros e provincianos da cidade do pressuposto Salvador, mas
aí já é outro manifesto.
Não devemos ter intolerância perante tais pessoas, apenas
explicitar a total estagnação cultural e intelectual que a mesma
esta se submetendo ao ouvir tais “canções”. Sou sincero ao
afirmar que sem dúvida há um certo divertimento por trás desta
“zoada”, mas este divertimento é totalmente vulgar e lascível. É
surpreendente o que os pagodeiros proporcionam a classe mais
pobre e ignorante desta província, pessoas que são
marginalizadas e suprimidas pela burguesia que através de seus
governantes só fazem esquecer esta população, aos finais de
semana, jovens, crianças, adultos, reúnem-se em uma determinada
casa, ou na maioria das vezes em um bar para comemorar algo.
Este algo que pode ser um aniversário, um casamento, a vitória
de um time, etc sempre é regido por um maestro, maestro este que
não é um ser humano, e sim uma máquina que só anda em volume
altíssimo, o rádio. Meio de comunicação que “verbaliza” as
músicas de pagode nas quais todos os ouvintes começam a
balançar-se de modo estranho e vulgar, mas sempre considerado
por eles divertido, o que na verdade é jocoso.
A razão para ouvir o pagode é bem simples e também
interessante, os fatores que colaboram a ouvir e admirar os
pagodeiros serão explicitados e justificados abaixo:
-
Baixa
instrução escolar; Na maioria das vezes as pessoas possuem
apenas o primeiro grau completo ou o segundo incompleto, e
mesmo aquelas que são formadas, são verdadeiros analfabetos,
pois afinal de contas analfabeto não é só aquele que não
saber lê e sim aquele que sabe e não lê. Os indivíduos
cansados pela semana de exploração dos capitalistas,
sentem-se obrigados a diverti-se aos finais de semana para
como dizem eles; “Não enlouquecer”. Queriam eles ter tal
prazer da loucura!
-
Desemprego; Em uma sociedade capitalista, o desemprego afeta
a grande massa juvenil cuspida pelo sistema educacional
falido e mal estruturado que é o sistema público. Educação
pública que é de todas as formas maquiada pelos meios
comunicações, para mostrar que o ensino anda bem ele colocam
nos jornais o número de pessoas que obtiveram o seu diploma
colegial. Do que adianta? Um diploma do sistema público não
diz nada a um empregador, pois ele como burguês sabe que o
que o governo que é formar massas de manobra. Não possuindo
emprego esta massa juvenil ociosa reúne-se todos os dias
para “comer água” e como já explicitado a situação acima,
esse evento de ingerir bebida alcoólica é sempre regida pelo
som alto e conteúdo, o conteúdo não é necessário eu
proferir!
-
Diversão; Certa vez em discussão longínqua com um colega
pagodeiro concluímos que as pessoas admiram e curtem as
músicas de pagode, não pelo conteúdo(lógico) e sim pela
animação proporcionada pelos seus instrumentos que agitam a
multidão. Assim sendo, concluir que existem dois tipos de
músicas; a de informação e a diversão! Escolha a sua!
Após ter
sido apresentadas às situações e as razões para ser pagodeiro ou
gostar de pagode, irei partir para a parte final deste pequeno
manifesto; a consideração.
O pagode e
os pagodeiros podem ser considerados as fezes da cultura baiana,
mas eles são brasileiros, produzem algo nacional, inteligível,
ao contrário de bandas internacionais que invadiram o Brasil nos
últimos anos que cantam algo que as pessoas (inclusive eu) não
conseguem entender absolutamente nada. Atualmente milhões, isso
mesmo, milhões de jovens exaltam os ídolos americanos e as suas
respectivas músicas como se fosse parte do mesmo ambiente vital.
Será que os jovens brasileiros que gostam de pagode, um estilo
exclusivamente nacional, devem ser discriminados, enquanto os
outros jovens que gostam de música americana e vestem-se como
americanos devem ficar ilesos? Esta contradição é algo simples
de se explicar, e até mesmo é um exemplo cristalino da
desigualdade que aflige o no país. Como a maioria dos pagodeiros
é negra e pobre, eles são mais vulneráveis a este tipo de
preconceito e intolerância, o que mostra como o nosso país e a
nossa província (caros soteropolitanos) ainda é racista, e
preconceituosa. Não venho aqui defender os pagodeiros, nem ao
menos atacá-los apenas defendo o que é do Brasil e para o
brasileiro, e isso não é ufanismo, e sim uma espécie de
nacionalismo romântico de Gonçalves Dias. Esqueçam os malditos
americanos, que apoiaram o maior genocídio que o nosso país já
viu, americanos este que também apóiam uma megaempresa que
manipula o pensamento da população, procure em todos os cantos,
seja Internet, jornal, bate-papo com os colegas na rua, algo
diferente ao habitual. Em atitude como esta me desprendi da
banda Legião Urbana por um período e encontrei algumas pérolas
aqui mesmo em Salvador, como por exemplo à banda Scambo. O
título deste manifesto deveria ser outro, Manifesto Nacionalista
Musical , mas aí a atração seria um pouco menor. Aos pagodeiros
ficam os meus pêsames por sua estagnação cultural e também
indico a peregrinação por pérolas da nossa cultura musical.
Evoluam, deliberem acerca da situação e do ambiente em que vocês
vivem, deixem de lado um pouco esta vulgaridade e voluptuosidade
para que possam não ser mais discriminados pela burguesia, e não
se enganem quando verem esta mesma burguesia indo a alguma de
suas apresentações, eles querem apenas mostrar que são iguais a
vocês, mentira. O que fica para todos é que devemos valorizar o
Brasil, não idolatrar ou assistir artistas americanos que nada
servem a nossa cultura (com algumas exceções, como Kurt, Bono,
John Lennon), por favor não considerem o meu discurso ufanista
pois posso ser confundido com os malditos militares que saíram
ileso do crime que cometeram a nós que somos jovens (obrigado
Elis) e hoje compactuam com a burguesia e seus políticos podres.
P.S: Fica
explicitado e justificado este manifesto, que nada mais foi que
um “desabafo” para todos, e que sem dúvida servirá para uma
deliberação de todos que até aqui leram este escrito. Agradeço a
todos os pagodeiros que colaboram a conclusão deste escrito e a
todos os autores e compositores brasileiros que serviram como
conselheiros para o desenvolvimento.
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