Jubiabá e a vulgar e medíocre
literatura amadiana
Por Alesson Vinícius
Finalmente, em virtude de uma exigência acadêmica, tive a
oportunidade de conhecer a literatura amadiana a qual eu já fui
criticado, por nacionalistas burralóides, de não ter lido algum
livro de Amado antes.
O livro ao qual me fez ter cognoscibilidade da literatura do
escritor baiano foi Jubiabá, livro que começou a ser escrito em
meados de 1934 na cidade de Conceição de Feira e foi lançado em
setembro de 1935.
É um “romance” algo tosco, narrando a vida de Antonio,
Balduíno (Baldo), órfão do morro, depois cria de casa abastada e
, sucessivamente, vadio, lutador de boxe, trabalhador rural,
atleta de circo, afinal operário. Os vários episódios, ligados
pela figura central, vão mostrando o povo colorido da Bahia,
destacando-se personagens pitorescos, como o pai- de santo
Jubiabá, velho quase centenário, que encarna a alma da sua raça
e protege Antônio Balduíno. Este nutre a vida toda uma fixação
amorosa pela filha dos benfeitores,Lindinalva, que deixa ainda
adolescente e reencontra, muitos anos mais tarde, na maior
degradação , depois de seduzida pelo advogado Barreiras,
Balduíno assiste à morte e adota o seu filho . A intenção
central do livro, além da visão romanesca da vida popular, é
sugerir o lento amadurecimento do protagonista, rumo à
consciência política. É um romance característico do "realismo
socialista", com alguns ingredientes sensuais e apimentados do
cenário baiano.
Durante toda obra, Amado insiste em criar um estereótipo
racista dos homens e mulheres pretos, que no livro são
apresentados, respectivamente, como malandros e putas. Talvez
Amado tenha lido demais dos livros de Gilberto Freyre e sua
epistemologia racista que dizia em um de seus livros que a
mulher preta é sensual e mais gostosa e que por isso seduzia os
senhores de engenho no tempo da escravidão. Veja o que nos fala
o professor, Luciano Lima, doutor em Letras (UFBA): “Deve-se
registrar que alguns conceitos de Gilberto Freire sobre a
identidade nacional, como a cultura sensual dos trópicos e a
mistura das três raças se fazem presentes na concepção do Brasil
de Jorge Amado.”
Coloquei aspas na palavra “romance” lá no início do artigo,
por considerar o livro do escritor baiano, uma historinha para
ser contada do que para ser lida, afinal Amado não utiliza
nenhuma particularidade literária, ou seja, não trata a
linguagem de forma especial ou de qualquer outra forma. A sua
exacerbada vulgaridade e simplicidade torna o livro medíocre. A
obra fica superficial, pois Amado não faz com que o leitor
mergulhe na psique dos personagens e que ele mesmo(o leitor)
possa tirar suas conclusões sobre aqueles(os personagens). O
escritor nos dá tudo pronto, simples e determinado.
Apesar de ter achado o livro medíocre, a leitura é agradável
e extremamente fácil e possui seus pontos positivos como a
história de Zumbi dos Palmares, e o negro que é descrito nos
aspectos pitorescos da sua cultura, como a capoeira, a
culinária, as festas, os rituais do candomblé. Ele é narrado em
sua exterioridade.
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