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AQUI e confira a entrevista em aúdio :: |
Professora, licenciada em Letras com grego
pela Universidade Católica do Salvador e
bacharel em Língua e Literatura Grega pela
Universidade Federal da Bahia. Maria José
conversou com o Ponto do Saber e nos falou
sobre discurso, liberdade de imprensa,
comportamento da juventude perante a
pós-modernidade e,é claro, sobre literatura.
Não havia um ambiente melhor para
realizarmos essa entrevista do que em uma
sala de aula, onde essa grande profissional
passa o saber para felizardos alunos que, em
sua maioria, a admiram.
Ponto - Primeiramente, a senhora poderia
fazer um breve histórico acadêmico de sua
vida?
M.José- Eu sou licenciada em Letras pela
Universidade Católica do Salvador, sou
bacharel em língua grega e literatura grega
pela Universidade Federal da Bahia,
especialista em Análise do Discurso pela
UCSAL. Membro do Núcleo de Estudos da
Análise do Discurso pela Universidade
Católica do Salvador.Meu trabalho sempre foi
dentro da UCSAL, trabalho docente e como
membro do núcleo,eu faço atualmente uma
pesquisa sobre a fábula grega,da
Antiguidade,a fábula grega antiga à
contemporaneidade.Comparação de textos.
Ponto - Como a senhora enxerga a “popização”
dos discursos?Discursos que antes só eram
discutidos na academia e que agora estão
escancarados para a incolor, inodora e
insípida “massa”?
M.José - Os discursos são muitos com seus
diferentes efeitos e sentidos. A chamada
“popização” pode ser vista como uma das
formas de democratização dos diferentes
discursos, principalmente os mais
cristalizados socialmente.
Ponto - Como fazer com que a juventude pense
em Filosofia, Literatura, Arte, em um mundo
imagético, fast e high-tech?
M.José-Através do exercício constante da
discussão e especificamente da livre
expressão. A juventude assim pode praticar a
filosofia, a literatura e a arte mesmo no
mundo predominantemente imagético.
Ponto - Mas essas formas imagéticas, não
seriam como uma forma de distração, fazendo
com que a juventude “se perca”, se assim
podemos dizer, nessa forma e deixe para trás
Filosofia, Literatura, Arte e outras coisas
que poderiam beneficiar o seu
desenvolvimento intelectual.
M.José - Não. Não.O desenvolvimento das
técnicas ajuda inclusive a qualidade das
produções da juventude, muito ao contrário
as técnicas podem até requintar as
construções literárias e propriamente
não-literárias.
Ponto - Orkut, MSN, Google, download,
offline, online são palavras que constituem
o vocabulário da juventude pós-moderna.
Esses elementos que, em teoria, se dizem de
compartilhamento e integração, colaboram
essencialmente para isso ou é apenas um
discurso ideológico que encobre a criação de
uma realidade semelhante a do romance 1984
de George Orwell?
M.José - Orkut, MSN, Google, Yahoo
constituem hoje um vocabulário da sociedade
mundial e não apenas do que você está
chamando de “juventude pós-moderna” e
realizam um compartilhamento e integração em
diferentes níveis. Aí é que está a questão,
você escolhe onde e com quem você quer se
plugar.É uma questão de responsabilidade
social.Veja, Sócrates, um filosofo grego que
não deixou escritos, o que conhecemos de
Sócrates é pelo discurso de Platão, hoje
você pluga um minúsculo pendrive no seu
computador e num extraordinário trabalho de
armazenamento do saber é possível discutir
com Sócrates, é possível discutir com
Platão.Nós, você tão jovem, eu muito menos
jovem,estamos aqui conversando dessa
forma.Estamos em plena era do Orkut, em
plena era do MSN e nós estamos aqui
discutindo e praticando a filosofia
crítica.Então uma técnica não anula a outra.
Ponto - O surgimento de livros de
auto-ajuda, a pastificação pós-moderna
literária nos faz pensar no falecimento de
uma literatura de excelente qualidade. O
desenvolvimento da comunicação que nos
prende ao computador,TV e dvd e nos afasta
dos livros e da realidade “off” seria os
“carrascos” da qualidade literária?
M.José- A questão não é limitar a qualidade
de expressão,mas desenvolver a
responsabilidade e a ética.Construir e
praticar um ethos societário, o que nós
estamos tentando fazer aqui agora, você e
eu,Alesson.
Ponto - Até que ponto devemos pensar que não
podemos limitar a liberdade de expressão dos
meios comunicativos, pois temos casos em que
ofensas bárbaras,como a desse ano de um
jornal francês para com os árabes,causam
polêmicas no mundo?
M.José - Até hoje nenhuma forma de
extermínio produziu frutos desejados.
Exterminar uma fonte, um meio de comunicação
para que? Outros poderão vir inclusive
outros globais poderão se formar. Em lugar
de se procurar o culpado, o que reproduziria
um velho discurso da culpa, melhor seria
praticar a análise crítica, uma das formas
maiores da comunicação humana, umas das
maiores funções da comunicação humana,
construir o que chamaria de, como já foi
dito, de um ethos societário, de
compartilhamento e prática da discussão,
prática da reflexão da análise crítica. Isso
é o mais importante.
Ponto - A partir do ano de 2005, os
estudantes de Letras se propuseram a criar
um café cultural com a intenção de integrar
os estudantes de Letras da UCSAL, desde os
calouros até os veteranos. E nesse ano, os
estudantes criaram um site que se propõem a
unir não apenas os estudantes da UCSAL, mas
de outras faculdades. Como a senhora enxerga
esse projeto inserido em uma sociedade cuja
principal regra é a seleção natural, ou
melhor, cada um por si?
M.José - Quero dar os parabéns ao grupo de
ter tido essa idéia. Num momento em que
existe um certo individualismo em nossa
sociedade.Eu acho que é importantíssimo esse
ato de compartilhar essa idéia é uma idéia
feliz em que eu me sinto também honrada de
estar participando desse trabalho de vocês.
Quero agradecer de terem se lembrado de mim
pra isso e espero que outros professores
também sejam convidados pra que cada dia
mais isso possa se desenvolver e ter um
sentido forte de discussão, de união, de
repartição do saber da vida acadêmica.
Ponto - A gente falou de Sócrates, de
internet e outras coisas e no site, o slogan
do site é “o conhecimento a um clique de
você”, como a senhora vê uma pessoa viver em
um mundo nessa dualidade em que o
conhecimento se baseia na Antigüidade, mas
utilizando mouse,teclado,mp4 para obter esse
conhecimento?
M.José - O mundo não se baseia somente na
Antigüidade, o mundo pode até fazer,
trabalhar num nível de uma remanência e de
revisitar a Antigüidade modificando-a,
transformando ou até fazendo outra coisa.
Nesse movimento dinâmico que está uma
comunicação mais aberta e mais até
sedimentada na revisitação da Antigüidade.
Ponto - A senhora falou sobre ethos, ética e
me fez pensar sobre como um intelectual, um
professor pode falar sobre ética em um país
cercada por tanta corrupção?Como disse a
candidata Heloísa Helena “por um banditismo
que já está há doze anos no poder”.
M.José - Existem pessoas sim que tem ética.
O fato de existir alguns acontecimentos que
possam aparentar a negação disso, existe sim
uma ética e eu acho que vai em conta o que
existe também de bom.
Ponto - Quais são as suas preferências
literárias, brasileira e mundial?
M.José - No âmbito brasileiro eu tenho uma
grande admiração por Machado de Assis, uma
grande admiração por Guimarães Rosa e Helena
Parente. No âmbito mundial, é claro, aprecio
a literatura grega, eu aprecio Homero, eu
aprecio Píndaro e aprecio também Jorge Luís
Borges na literatura argentina.
Ponto - Qual seria uma frase que a senhoria
gostaria que estivesse no site?
M.José - “Conhece-te a ti mesmo”. A frase
socrática que estava lá na porta de Delfos.
Gnothi Seauton (ΓνωθιΣεαυτον). Eu acho que é isso aí, o conhecimento de si mesmo leva ao conhecimento
do outro.
Ponto-Muito obrigado e nós agradecemos a
senhora por todas as perguntas respondidas.
M.José - Eu é que agradeço Alesson. Foi
emocionante e muito gratificante ter essa
oportunidade de falar para vocês que foram
meus alunos e também para os colegas de
universidade.Qualquer observação que queiram
fazer,inclusive sobre esta entrevista eu
estou disponível para isso.
Professora, licenciada em Letras com grego
pela Universidade Católica do Salvador e
bacharel em Língua e Literatura Grega pela
Universidade Federal da Bahia. Maria José
conversou com o Ponto do Saber e nos falou
sobre discurso, liberdade de imprensa,
comportamento da juventude perante a
pós-modernidade e,é claro, sobre literatura.
Não havia um ambiente melhor para
realizarmos essa entrevista do que em uma
sala de aula, onde essa grande profissional
passa o saber para felizardos alunos que, em
sua maioria, a admiram.
Ponto - Primeiramente, a senhora poderia
fazer um breve histórico acadêmico de sua
vida?
M.José- Eu sou licenciada em Letras pela
Universidade Católica do Salvador, sou
bacharel em língua grega e literatura grega
pela Universidade Federal da Bahia,
especialista em Análise do Discurso pela
UCSAL. Membro do Núcleo de Estudos da
Análise do Discurso pela Universidade
Católica do Salvador.Meu trabalho sempre foi
dentro da UCSAL, trabalho docente e como
membro do núcleo,eu faço atualmente uma
pesquisa sobre a fábula grega,da
Antiguidade,a fábula grega antiga à
contemporaneidade.Comparação de textos.
Ponto - Como a senhora enxerga a “popização”
dos discursos?Discursos que antes só eram
discutidos na academia e que agora estão
escancarados para a incolor, inodora e
insípida “massa”?
M.José - Os discursos são muitos com seus
diferentes efeitos e sentidos. A chamada
“popização” pode ser vista como uma das
formas de democratização dos diferentes
discursos, principalmente os mais
cristalizados socialmente.
Ponto - Como fazer com que a juventude pense
em Filosofia, Literatura, Arte, em um mundo
imagético, fast e high-tech?
M.José-Através do exercício constante da
discussão e especificamente da livre
expressão. A juventude assim pode praticar a
filosofia, a literatura e a arte mesmo no
mundo predominantemente imagético.
Ponto - Mas essas formas imagéticas, não
seriam como uma forma de distração, fazendo
com que a juventude “se perca”, se assim
podemos dizer, nessa forma e deixe para trás
Filosofia, Literatura, Arte e outras coisas
que poderiam beneficiar o seu
desenvolvimento intelectual.
M.José - Não. Não.O desenvolvimento das
técnicas ajuda inclusive a qualidade das
produções da juventude. Muito ao contrário
as técnicas podem até requintar as
construções literárias e propriamente
não-literárias.
Ponto - Orkut, MSN, Google, download,
offline, online são palavras que constituem
o vocabulário da juventude pós-moderna.
Esses elementos que, em teoria, se dizem de
compartilhamento e integração, colaboram
essencialmente para isso ou é apenas um
discurso ideológico que encobre a criação de
uma realidade semelhante a do romance 1984
de George Orwell?
M.José - Orkut, MSN, Google, Yahoo
constituem hoje um vocabulário da sociedade
mundial e não apenas do que você está
chamando de “juventude pós-moderna” e
realiza um compartilhamento e integração em
diferentes níveis. Aí é que está a questão,
você escolhe onde e com quem você quer se
plugar.É uma questão de responsabilidade
social.Veja, Sócrates, um filosofo grego que
não deixou escritos, o que conhecemos de
Sócrates é pelo discurso de Platão, hoje
você pluga um minúsculo pendrive no seu
computador e num extraordinário trabalho de
armazenamento do saber é possível discutir
com Sócrates, é possível discutir com
Platão.Nós, você tão jovem, eu muito menos
jovem, não jovem estamos aqui conversando
dessa forma.Estamos em plena era do Orkut,
em plena era do MSN e nós estamos aqui
discutindo e praticando a filosofia
crítica.Então, uma técnica não anula a outra
Ponto - O surgimento de livros de
auto-ajuda, a pastificação pós-moderna
literária nos faz pensar no falecimento de
uma literatura de excelente qualidade. O
desenvolvimento da comunicação que nos
prende ao computador,TV e dvd e nos afasta
dos livros e da realidade “off” seria os
“carrascos” da qualidade literária?
M.José- A questão não é limitar a qualidade
de expressão,mas desenvolver a
responsabilidade e a ética.Construir e
praticar um ethos societário, o que nós
estamos tentando fazer aqui agora, você e
eu,Alesson.
Ponto - Até que ponto devemos pensar que não
podemos limitar a liberdade de expressão dos
meios comunicativos, pois temos casos em que
ofensas bárbaras,como a desse ano de um
jornal francês para com os árabes,causam
polêmicas no mundo?
M.José - Até hoje nenhuma forma de
extermínio produziu frutos desejados.
Exterminar uma fonte, um meio de comunicação
para que? Outros poderão vir inclusive
outros globais poderão se formar. Em lugar
de se procurar o culpado, o que reproduziria
um velho discurso da culpa, melhor seria
praticar a análise crítica, uma das formas
maiores da comunicação humana, umas das
maiores funções da comunicação humana,
construir o que chamaria de, como já foi
dito, um ethos societário, de
compartilhamento e prática da discussão,
prática da reflexão da análise crítica. Isso
é o mais importante.
Ponto - A partir do ano de 2005, os
estudantes de Letras se propuseram a criar
um café cultural com a intenção de integrar
os estudantes de Letras da UCSAL, desde os
calouros até os veteranos. E nesse ano, os
estudantes criaram um site que se propõem a
unir não apenas os estudantes da UCSAL, mas
de outras faculdades. Como a senhora enxerga
esse projeto inserido em uma sociedade cuja
principal regra é a seleção natural, ou
melhor, cada um por si?
M.José - Quero dar os parabéns ao grupo de
ter tido essa idéia. Num momento em que
existe um certo individualismo em nossa
sociedade. Eu acho que é importantíssimo
esse ato de compartilhar essa idéia é uma
idéia feliz em que eu me sinto também
honrada de estar participando desse trabalho
de vocês. Quero agradecer de terem se
lembrado de mim pra isso e espero que outros
professores também sejam convidados pra que
cada dia mais isso possa se desenvolver e
ter um sentido forte de discussão, de união,
de repartição do saber da vida acadêmica.
Ponto - A gente falou de Sócrates, de
internet e outras coisas e no site, o slogan
do site é “o conhecimento a um clique de
você”, como a senhora vê uma pessoa viver em
um mundo nessa dualidade em que o
conhecimento se baseia na Antigüidade, mas
utilizando mouse,teclado,mp4 para obter esse
conhecimento?
M.José - O mundo não se baseia somente na
Antigüidade, o mundo pode até fazer,
trabalhar num nível de uma remanência e de
revisitar a Antigüidade modificando-a,
transformando ou até fazendo outra coisa.
Nesse movimento dinâmico é que está uma
comunicação mais aberta e mais até
sedimentada na revisitação da Antigüidade.
Ponto - A senhora falou sobre ethos, ética e
me fez pensar sobre como um intelectual, um
professor pode falar sobre ética em um país
cercada por tanta corrupção?Como disse a
candidata Heloísa Helena “por um banditismo
que já está há doze anos no poder”.
M.José - Existem pessoas sim que tem ética.
O fato de existir alguns acontecimentos que
possam aparentar a negação disso,existe sim
uma ética e eu acho que vai em conta o que
existe também de bom.
Ponto - Quais são as suas preferências
literárias, brasileira e mundial?
M.José - No âmbito brasileiro eu tenho uma
grande admiração por Machado de Assis, uma
grande admiração por Guimarães Rosa e Helena
Parente. No âmbito mundial, é claro, aprecio
a literatura grega, eu aprecio Homero, eu
aprecio Píndaro e aprecio também Jorge Luís
Borges na literatura argentina.
Ponto - Qual seria uma frase que a senhoria
gostaria que estivesse no site?
M.José - “Conhece-te a ti mesmo”. A frase
socrática que estava lá na porta de Delfos.
Gnothi Seauton (ΓνωθιΣεαυτον). Eu acho que é isso aí, o conhecimento de si mesmo leva ao conhecimento
do outro.
Ponto-Muito obrigado e nós agradecemos a
senhora por todas as perguntas respondidas.
M.José - Eu é que agradeço Alesson. Foi
emocionante e muito gratificante ter essa
oportunidade de falar para vocês que foram
meus alunos e também para os colegas de
universidade. Qualquer observação que
queiram fazer,inclusive sobre esta
entrevista eu estou disponível para isso.