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CRONOLOGIA - FÍSICA

480 a.C. – O sábio grego Leucipo afirma, pela primeira vez, que todas as substâncias são feitas de partículas microscópicas, chamadas átomos. Átomo, em grego, significa o que não pode ser dividido. Eles seriam então os menores "pedaços" de qualquer substância. Demócrito (460 a.C.-370 a.C.), discípulo de Leucipo, difunde o conceito, mas a maioria dos filósofos gregos, à época, rejeita a idéia. 

260 a.C. – O grego Arquimedes (287a.C.?-212 a.C.) faz algumas das grandes descobertas de sua época. Já se sabia que as alavancas mais compridas levantam pesos maiores, mas é ele que ensina a fazer o cálculo exato. Mostra que, dobrando o comprimento, se levanta um peso duas vezes maior. Triplicando-o, triplica-se o peso, e assim por diante. Ele descobre também que os corpos flutuam porque "empurram" um pouco de líquido para os lados. O líquido, então, tende a voltar para onde estava, empurrando o corpo para o alto. 

TRUQUE DOS ESPELHOS – Diz a lenda que Arquimedes teria queimado navios inimigos que tentavam ocupar sua cidade, Siracusa, usando um painel de espelhos capaz de direcionar a luz solar para um mesmo ponto. Os cálculos, porém, indicam tratar-se apenas de uma lenda. Espelhos com o tamanho adequado e na quantidade necessária para queimar a madeira de um navio não poderiam ser construídos nem manipulados com os meios disponíveis naquela época. 

1025 – O árabe Alhazen (965-1039), estudioso da ótica, torna-se o primeiro a propor que os olhos funcionam como lentes para captar a luz. Para ele, as pessoas vêem porque detectam a luz refletida pelos objetos, tal como se concebe hoje. Alhazen descobre ainda que as lentes curvas aumentam os objetos. 

1269 – O francês Pèlerin de Maricourt verifica que os ímãs têm dois pontos em que a força magnética é mais forte. Esses pontos seriam chamados de pólos magnéticos. Maricourt observa que um desses pólos atrai ímãs, enquanto o outro os afasta. As anotações do francês são consideradas os primeiros tratados escritos de acordo com o método científico moderno. 

1589 – O italiano Galileu Galilei (1564-1642) funda a física moderna ao descobrir a lei que determina a queda dos corpos. Na época se pensava que os objetos mais pesados caíam mais rápido, regra que havia sido criada mais de mil anos antes pelo grego Aristóteles. Galileu mostra que tudo cai com a mesma velocidade, seja uma pena, seja uma bola de ferro. A pena só desce mais devagar porque o ar reduz sua velocidade. No vácuo, onde não há resistência do ar, a pena e a bola de ferro chegariam juntas ao chão. par 

1648 – O francês Blaise Pascal (1623-1662) estuda a pressão criada pelo peso da água e dos gases. O peso do ar, por exemplo, diminui com a altura. Pascal mostra que, no alto de uma montanha, a pressão do ar é menor do que ao nível do mar. Outro exemplo é a água dentro de um balde. A água, diz o francês, pressiona as paredes do balde de dentro para fora, em todas as direções. E a direção da pressão faz um ângulo reto com as paredes do balde. Esse é o chamado Princípio de Pascal e é usado até hoje nos projetos de prensas hidráulicas. 

1657 – O inglês Robert Hooke (1635-1701) comprova a Lei de Galileu de que todos os corpos caem com a mesma velocidade. Ele usa uma bomba de ar para criar vácuo dentro de um cilindro de vidro vertical. Depois solta uma pena e uma moeda de metal de certa altura, dentro do cilindro. A moeda e a pena chegam ao fundo ao mesmo tempo. 

1662 – O irlandês Robert Boyle (1635-1701) demonstra que o ar pode ser comprimido. Ele injeta mercúrio líquido em um tubo lacrado, cheio de ar. Com a entrada do mercúrio, sobra um espaço menor para o ar, que é espremido em um volume menor. Boyle, em seguida, dobra o peso do mercúrio injetado. Com isso, o volume de ar fica duas vezes menor. Essa relação entre peso e volume é conhecida como a Lei de Boyle. 

1666 – O inglês Isaac Newton (1642-1727) descobre que a luz é composta de várias "luzes" diferentes, que são as cores. Ele faz um raio de sol passar por um prisma e observa que a luz, ao penetrar no vidro, é branca, mas, quando sai do outro lado, divide-se em raios de várias cores, como um arco-íris. Depois, colocando outro prisma na frente dos raios coloridos, vê que eles voltam a formar um único feixe branco. 

1678 – O holandês Christiaan Huygens (1629-1695) defende a idéia de que a luz se propaga como onda. Mas não consegue demonstrar, na prática, o que afirma. Abre-se, assim, uma polêmica com Isaac Newton, que, também sem prova conclusiva, defende que os raios luminosos são feitos de partículas, ou átomos, de luz. 

1687 – Isaac Newton (1642-1727) publica o livro Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, no qual apresenta as três leis que se tornam, daí para a frente, os mandamentos da física. Na prática, elas ainda estão em vigor. Só precisam ser corrigidas, segundo os postulados da Teoria da Relatividade, quando se lida com velocidades muito elevadas, da ordem de 1.000.000 km/h. No mesmo livro, Newton afirma que todos os corpos atraem uns aos outros pela força da gravidade, que é gerada pela massa dos próprios corpos. O Sol e os planetas se mantêm juntos sob a ação dessa força, que Newton ensina a calcular. 

AS LEIS FUNDAMENTAIS – As leis fundamentais de Newton continuam sendo um alicerce indispensável em todos os ramos da ciência atual. A primeira diz que todo corpo sempre tende a ficar parado ou a manter a velocidade que já tem. A segunda define que, se a velocidade muda, é porque há uma força em ação. Essa força é igual à massa do corpo multiplicada pela aceleração (que indica como a velocidade está crescendo ou decrescendo com o tempo). A terceira lei afirma que, se um corpo faz força sobre outro, como numa colisão, ele também sofre uma força igual à primeira, em sentido contrário. 

1738 – O matemático suíço Daniel Bernoulli (1700-1782) levanta a hipótese de que os gases são compostos de uma infinidade de partículas minúsculas, sempre em movimento. E que a temperatura de um gás reflete a velocidade dessas partículas Quanto maior o calor, mais rápido é o movimento. Essa idéia está correta, e hoje dizemos que as partículas são átomos. Naquela época, os conceitos de Bernoulli são vistos somente como especulações, e não como fatos comprovados. 

1752 – O político e pesquisador americano Benjamim Franklin (1706-1790) publica o resultado de suas observações sobre os raios. É o primeiro a propor que existem dois tipos de carga elétrica, a positiva e a negativa. Diz ainda que duas cargas de sinal contrário se atraem e as de mesmo sinal se repelem. 

1800 – O astrônomo inglês William Herschel (1738-1822) descobre que o Sol, além de luz, emite outro tipo de raio: os raios infravermelhos. Atualmente se sabe que, apesar de invisíveis, esses raios são também luz, porém de uma cor que os olhos não podem enxergar. São utilizados no controle remoto das TVs para mudar o canal ou aumentar o volume. 

1801 – O físico Thomas Young (1773-1829) dá uma demonstração prática de que a luz é uma onda. Ele mostra que é possível combinar duas ondas de água e produzir uma terceira, diferente das anteriores, e o mesmo pode ser feito com dois raios de luz. Logo, segundo ele, a luz também deve ser um tipo de onda. 

1811 – O italiano Amedeo Avogadro (1776-1856) sugere que, se dois gases têm o mesmo volume, a mesma pressão e a mesma temperatura, então eles são formados pelo mesmo número de átomos. A Hipótese de Avogadro marca um período de grande fortalecimento da idéia de que todas as substâncias – tudo o que existe, em suma – são feitas de partículas pequenas demais para ser vistas. São os átomos, sobre os quais os gregos antigos já haviam especulado mais de 2 mil anos antes, sem sucesso. O átomo só seria totalmente aceito no início do século XX, quando Einstein descobre um meio de observá-los, ainda que indiretamente. 

1820 – O físico dinamarquês Hans Oersted (1777-1851) dá a primeira demonstração prática de que as forças elétricas e magnéticas são parecidas. Oersted aproximou uma bússola de um fio eletrificado, mostrando que a corrente elétrica podia mover o ponteiro da bússola. Menos de um ano depois, André-Marie Ampère, francês, reforça a idéia de Oersted. Ele faz aparecer uma atração magnética entre dois fios eletrificados. 

1821 – O inglês Michael Faraday (1791-1867) completa as experiências de Oersted e Ampère sobre forças elétricas e magnéticas. Ele verifica, primeiro, que um fio circular, ao ser eletrificado, faz girar um ímã próximo. Depois revela que um ímã em movimento pode criar corrente elétrica num fio desligado. 

1822 – Com o livro Teoria Analítica do Calor, o matemático francês Jean-Baptiste Fourier (1768-1830) dá início ao estudo sistemático da propagação do calor por meio de diversas substâncias. Suas fórmulas descrevem o fluxo do calor e permanecem úteis até hoje. São conhecidas como transformações de Fourier. 

1824 – A termodinâmica, que é o estudo do calor, tem início numa tentativa de avaliar a eficiência das máquinas a vapor. O pioneiro nesse campo é o francês Nicolas-Leonard-Sadi Carnot (1796-1832). Para ele, o calor das caldeiras nunca é usado integralmente para produzir força e movimentar engrenagens, pois uma parte sempre se perde. Carnot ensina a calcular o rendimento máximo das máquinas. 

1843 – O físico britânico James Prescott Joule (1818-1889) mede, pela primeira vez, o equivalente mecânico do calor. Ele faz uma hélice metálica girar dentro de um tanque com água e verifica que a temperatura da água sobe. Ou seja, a rotação da hélice, que é energia em forma mecânica, vira calor. Hoje, a unidade de energia mecânica é chamada joule. Os cálculos mostram que 1 joule é equivalente a 0,24 caloria. 

1847 – A experiência de Joule mostrando que a energia mecânica vira calor leva à definição de uma das leis mais importantes da física: a de que a energia não pode ser criada nem destruída. É a chamada Lei de Conservação da Energia, ou Primeira Lei da Termodinâmica. Ela foi definida pelo alemão Hermann Ludwig Ferdinand von Helmholtz (1821-1894). 

1848 – Verifica-se que a temperatura dos corpos não pode diminuir indefinidamente. Existe um limite a partir do qual ela não cai mais. O inglês William Thomson, Lord Kelvin (1824-1907), determina esse ponto, denominado zero absoluto. O valor atual é de 273,15 graus Celsius negativos. Em homenagem a Thomson, a unidade de temperatura mais usada atualmente pela ciência é o Kelvin. 

1850 – O alemão Rudolf Julius Emanuel Clausius (1822-1888) cria a Segunda Lei da Termodinâmica. Ela diz que, sempre que a energia muda de forma, uma parte vira calor e não pode ser aproveitada . Nas hidrelétricas, por exemplo, uma queda-d’água faz girar um conjunto de ímãs, o que gera eletricidade. A energia mecânica de rotação vira energia elétrica. Mas não totalmente, porque, ao girar, os ímãs sofrem atrito e esquentam, desperdiçando energia na forma de calor. 

1859 – Ao estudar o brilho de substâncias incandescentes, o alemão Gustav Robert Kirchhoff (1824-1887) percebe que cada elemento químico emite luz a sua maneira. Cada um tem suas próprias cores, que aparecem se a luz é decomposta por um prisma. O conjunto de cores de um elemento chama-se linhas espectrais. Hoje sabemos que existem 92 átomos na natureza e cada um possui suas próprias linhas espectrais. 

1859 – O inglês James Clerk Maxwell (1831-1879) cria a Teoria Cinética dos Gases. Ela ensina a calcular a velocidade dos átomos de um gás em termos estatísticos. Por exemplo: usando as fórmulas de Maxwell pode-se descobrir que 50% dos átomos de um certo gás têm a velocidade de 2 mil quilômetros por hora; 30%, de 1,5 mil quilômetros por hora; e 20%, de mil quilômetros por hora. O conhecimento da velocidade média desses átomos permite a definição de sua temperatura. É um aprimoramento das especulações pioneiras de Daniel Bernoulli nesse campo. 

1865 – O inglês James Clerk Maxwell demonstra que as forças elétrica e magnética são a mesma coisa. Elas são efeitos diferentes de uma única força, chamada então de força eletromagnética. Mais do que isso, Maxwell revela, na mesma teoria, que a luz é apenas energia eletromagnética em movimento. Se colocarmos detectores no caminho de um raio luminoso, veremos que existe força elétrica e magnética dentro dele. Ou seja, Maxwell unifica três ciências: a eletricidade, o magnetismo e a ótica. 

POR DENTRO DOS FIOS – Do que é feita a eletricidade? O inglês William Crookes (1832-1919) concluiu que ela consiste em partículas microscópicas hoje chamadas de elétrons. Em suas experiências, ele emprega um tubo de vidro, de forma cilíndrica, no qual faz vácuo. Numa entrada do tubo introduz um fio ligado a uma bateria; na outra extremidade coloca uma placa de metal, também conectada à bateria. E verifica que a placa emite uma luz fraca e esverdeada. Deduz que há partículas saindo da ponta do fio na entrada do tubo. Elas viajam pelo vácuo até o outro lado e, ao bater na placa, criam o brilho. A conclusão não é definitiva , mas Crookes está certo. Tanto que seu aparelho, muito usado à época, funciona exatamente como os tubos de imagem das televisões atuais. Nessas, no lugar da placa de metal, fica a tela. 

1884 – A mecânica estatística, desenvolvida pelo alemão Ludwig Eduard Boltzmann (1844-1906), aprofunda a Teoria Cinética dos Gases, de Maxwell. As novas pesquisas fortalecem duas idéias que são decisivas para o progresso da física do século XX. A primeira é que todas as substâncias são feitas de átomos; portanto, ao estudar o comportamento dos átomos, é possível entender as propriedades gerais das substâncias, como a temperatura de um gás ou a quantidade de luz que ele emite ao ser aquecido. A segunda é que esse estudo deve ser feito de maneira estatística, por meio do cálculo de probabilidades. 

1888 – O alemão Heinrich Hertz (1857-1894) confirma a previsão de Maxwell de que a luz é composta de forças elétricas e magnéticas. Usando descargas elétricas, Hertz produz as primeiras ondas de rádio, uma das muitas formas de luz que os olhos não podem enxergar. Com base nessa experiência, torna-se possível pensar em novos meios de comunicação, como o rádio, o telégrafo sem fio e a televisão. 

1895 – Experiência do alemão Wilheim Konrad Röntgen (1845-1923) revela a existência dos raios X. Mais tarde se comprovaria que é uma forma de luz invisível aos olhos e superenergética. Röntgen chama os raios de X para salientar que a ciência nada sabia sobre eles até então. Por ser capaz de atravessar o corpo humano, deixando ver os ossos, eles viram manchete dos jornais no mundo inteiro. Hoje são empregados para fazer radiografias. 

1897 – Fica definitivamente demonstrado que a eletricidade corre nos fios na forma de partículas submicroscópicas, que são, então, batizadas de elétrons. O autor da prova é o inglês Joseph-John Thomson (1856-1940). 

1900 – É dado o primeiro passo para a criação da mecânica quântica, a mais importante teoria física do século XX, ao lado da Teoria da Relatividade. O estudo pioneiro é do alemão Max Planck (1858-1947). Ele estuda uma cavidade capaz de aprisionar certa quantidade de luz e tenta calcular a energia total concentrada lá dentro. Fica espantado porque suas contas só dão certo quando se supõe que a cavidade possui uma infinidade de minúsculos "pacotes" de luz. Planck chama esses pacotes de quanta. Em 1905, Einstein declara que os quanta são uma nova espécie de partículas: os átomos de luz. 

1905 – O alemão nascido na Suíça Albert Einstein (1879-1955) desenvolve a Teoria da Relatividade, modificando pela primeira vez fundamentos da física desde a época de Newton. A mais importante alteração trazida pela Relatividade é que o tempo deixa de ser absoluto. Significa, por exemplo, que, se um relógio está em movimento, o tempo para ele passa mais devagar que para um que esteja parado. 

1907 – A Teoria da Relatividade ganha uma formulação matemática mais elegante e mais prática nas mãos do alemão Hermann Minkowski (1864-1909), ex-professor de Einstein. Nas equações de Minkowski, o espaço não tem apenas largura, comprimento e altura, as três dimensões usuais. Há também uma quarta dimensão, que é o tempo. Impossível de imaginar, esse espaço de quatro dimensões tem sido comprovado exaustivamente desde 1919. 

1908 – Observa-se pela primeira vez de maneira indireta o tamanho dos átomos. A experiência, feita pelo francês Jean-Baptiste Perrin (1870-1942), comprova uma sugestão feita por Einstein, em 1905: de que as moléculas de água, praticamente do mesmo tamanho de um átomo, poderiam empurrar partículas bem pequenas, mas ainda visíveis ao microscópio. Perrin usou grãos de resina vegetal e, de fato, registrou e mediu os saltos que eles davam ao ser abalroados pelas moléculas (elas estão sempre em movimento frenético). Por meio dessas medidas, ele deduziu o tamanho das moléculas que empurravam os grãos de resina. Eram 100 mil vezes menores que 1 centímetro – exatamente o tamanho que se esperava. Só então a existência dos átomos passou a ser aceita. 

1911 – Os átomos deixam de ser os menores pedaços de matéria que existe. O físico de origem australiana Ernest Rutherford (1871-1937) verifica que o átomo tem um núcleo central, duríssimo, no qual fica concentrada quase toda sua massa. Ele sugere que o resto dessa massa, menos de 1 milésimo do total, gira em torno do núcleo na forma das já conhecidas partículas de eletricidade, chamadas elétrons. 

1913 – O dinamarquês Niels Bohr (1885-1962) dá a primeira descrição de um átomo por dentro. No centro fica um núcleo ínfimo, 100 mil vezes menor que o átomo todo. A sua volta giram os elétrons, mais ou menos como os planetas orbitam o Sol. Bohr ensina a calcular as órbitas dos elétrons, o que representa um avanço grande sobre o modelo atômico proposto por Rutherford. 

1916 – Albert Einstein amplia sua Teoria da Relatividade para englobar os efeitos da força da gravidade. Seu esquema teórico passa a se chamar Teoria da Relatividade Geral. Com ela, pela primeira vez, os físicos têm fórmulas que podem ser aplicadas ao Universo inteiro. É por meio dessas fórmulas que, mais tarde, se calcula a expansão das galáxias após uma grande explosão inicial, o Big Bang 

1919 – Realiza-se o primeiro teste da Teoria da Relatividade Geral. Uma equipe liderada pelo inglês Arthur Stanley Eddington (1882-1944) verifica que a luz de uma estrela distante sofre um pequeno desvio ao passar, em seu caminho rumo à Terra, muito perto do Sol. A física clássica, anterior a Einstein, não previa que a luz fosse afetada pela gravidade. O teste de Eddington é decisivo para a aceitação da nova teoria. 

1923 – O francês Louis-Victor-Pierre-Raymond de Broglie (1892-1987) demonstra que as partículas também agem como ondas. Ele descobre que o elétron aparece como uma partícula, ou seja, um concentrado de matéria, e, também, como onda, como se sua massa estivesse espalhada pelo espaço, oscilando. Com isso se completa o quadro que Einstein começara a montar ao dizer que as ondas luminosas podem comportar-se como partículas. 

1926 – Partindo da idéia de que as partículas, como o elétron, às vezes agem como ondas, o austríaco Erwin Schrödinger (1887-1961) cria uma nova imagem dos átomos por dentro. Os elétrons, agora, não se parecem mais com partículas girando em torno do núcleo atômico – da mesma forma que planetas orbitam o Sol . Em vez disso, tudo se passa como se a massa dos elétrons estivesse espalhada em volta do núcleo, ou seja, como se cada elétron fosse uma onda vibrando ao redor do núcleo. Os elétrons continuam também a ser vistos como partículas em órbita. Eles mudam de aspectos conforme as circunstâncias, ora aparecendo como partículas, ora como ondas. 

1927 – O físico norte-americano Clinton Joseph Davisson (1881-1958) demonstra que os objetos também agem como ondas, comprovando a teoria de Louis de Broglie. 

1927 – Define-se o Princípio da Incerteza, sobre o qual se baseia quase toda a física moderna. É o passo decisivo para o estabelecimento da mecânica quântica. O autor da definição é o alemão Werner Carl Heisenberg (1901-1976). De acordo com esse princípio, não é possível medir com absoluta precisão, ao mesmo tempo, a velocidade e a posição dos átomos. Ao medir uma velocidade, o cientista sempre perturba o átomo, tirando-o um pouco de sua posição. Esta, então, já não pode ser estimada com todo o rigor. E vice-versa: quando se tenta descobrir a posição do átomo, modifica-se sua velocidade, e a medição fica prejudicada. 

LIMITE DO CONHECIMENTO – A proposta de que os átomos e as partículas subatômicas obedecem ao Princípio da Incerteza provoca um abalo sem tamanho nas convicções do mundo científico no início do século. Heisenberg parece ter achado algo que não se imaginava possível desde que o homem começou a desvendar os mistérios do Universo. O princípio de Heisenberg só vale para coisas muito pequenas, mais de 1 milhão de vezes menor que 1 centímetro, mas com isso se divide o mundo em duas partes: o das coisas grandes e o das minúsculas. O que derruba outra convicção profunda: de que o mundo seria uma coisa só e obedeceria a um único conjunto de leis. 

1932 – O inglês James Chadwick (1891-1974) detecta o nêutron, a segunda partícula componente dos núcleos atômicos (a outra é o próton). No mesmo ano, o norte-americano Carl David Anderson (1905-) observa o pósitron, que é a antimatéria do elétron (significa que o elétron e o pósitron são idênticos em tudo, menos na carga elétrica, que é negativa no primeiro e positiva no segundo). O pósitron havia sido previsto, dois anos antes, pelo teórico inglês Paul Adrien Maurice Dirac (1902-1984). 

1934 – O italiano Enrico Fermi (1901-1954) descobre a força que mais tarde seria chamada de nuclear fraca. Ela é responsável por alguns tipos de desintegração atômica, como as que geram a energia do Sol. Fermi não tinha ainda uma teoria da força nuclear fraca. Apenas elaborou uma fórmula aproximada para calcular sua intensidade. 

1935 – Hideki Yukawa (1907-1981) descobre a força nuclear forte, que gruda os prótons e os nêutrons uns aos outros dentro dos núcleos atômicos. Como no caso da outra força nuclear conhecida, batizada de fraca, Yukawa não chega a formular uma teoria completa. 

1938 – O alemão-americano Hans Bethe (1906-) explica que a energia das estrelas é produzida por reações nucleares semelhantes às que provocam a explosão das bombas de hidrogênio. Nessas reações, quatro núcleos de hidrogênio se fundem para formar dois núcleos de hélio. 

1939 – Pela primeira vez se consegue partir um núcleo atômico, o do urânio. Na experiência os físico-químicos alemães Otto Hahn (1879-1968) e Lise Meitner (1876-1968) realizam afissão do núcleo do urânio. Suas experiências são concluídas nos Estados Unidos depois de fugir do nazismo. 

1947 – Descobrem-se os mésons , que são partículas subatômicas intermediárias entre os prótons, que ficam no núcleo dos átomos, e os elétrons, que giram em torno do núcleo e formam a periferia dos átomos. Os mésons, previstos em 1935 pelo japonês Hideki Yukawa (1907-1981), são detectados pela equipe do inglês Cecil Frank Powell (1903-1969). O brasileiro César Lattes – Encontradas as primeiras partículas subatômicas que não fazem parte dos átomos. Chamadas híperons , elas são bem mais pesadas que os prótons e os nêutrons, com os quais são feitos os núcleos dos átomos. Os híperons surgem em correntes elétricas de altíssima energia, nos laboratórios, e revelam algo que não se imaginava existir. Os primeiros a ver um híperon são os poloneses Marian Danysz e Jerzy Pniewaki. Hoje se conhecem centenas deles. 

1968 – Os americanos Steven Weinberg (1933-) e Sheldon Lee Glashow (1932-) e o paquistanês Abdus Salam (1926-) criam uma fórmula única para calcular os efeitos de duas forças fundamentais do Universo: a eletromagnética e a nuclear fraca. Depois elas passam a ser chamadas pelo nome comum de força eletrofraca. Espera-se, um dia, unificar duas outras forças: a gravitacional e a nuclear forte. Os três conquistam o Prêmio Nobel em 1979. 

1972 – Surge a teoria de que o próton e o nêutron, os componentes do núcleo atômico, são feitos de partículas ainda menores, chamadas quarks. O teórico americano Murray Gell-mann (1929-) tem a idéia dos quarks em 1961 e, onze anos depois, entrega uma teoria completa. É a cromodinâmica quântica, que explica não apenas a constituição de prótons e nêutrons como a dos mésons e dos híperons. 

\B RECEITA DO UNIVERSO – Em 1994 é detectado um dos dois únicos "tijolos" fundamentais da matéria – uma partícula subatômica chamada quark topo – que faltavam ser observados em laboratório. Com o topo, fica praticamente completo o quadro das doze partículas com as quais tudo o que existe no Universo é construído. O achado coube a uma grande equipe do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, o Cern, com sede na Suíça. Agora é certo que existem seis partículas da família dos quarks e seis da família dos elétrons (uma dessas últimas, chamada neutrino-tau, é a que falta ser detectada). Esses são os ingredientes do Universo. Com os quarks são feitas partículas como os prótons e os nêutrons, que, por sua vez, formam os núcleos dos átomos. Aí, núcleos mais elétrons dão átomos inteiros. Átomos isolados costumam-se amontoar para criar estrelas e galáxias, mas eles também grudam firmemente uns nos outros, compondo as moléculas – que também se agrupam na forma de rochas e organismos vivos. 

1975 – Em princípio, nada deveria sair de dentro de um buraco negro, que são os astros mais densos que podem existir no Universo. Mas, pela teoria do inglês Stephen Hawking (1942-), elaborada a partir de 1970 e aceita de maneira ampla pela comunidade científica cinco anos mais tarde, é possível que os buracos negros se evaporem e, com isso, percam pelo menos uma parte ínfima de massa. 

1983 – O ítalo-americano Carlo Rubbia (1934-) detecta em laboratório a partícula subatômica Z0 e confirma a existência da força eletrofraca, que é uma mistura das forças eletromagnética e nuclear fraca . A partícula Z0 transmite as duas forças ao mesmo tempo: ela tanto pode carregar força elétrica para prender um elétron a um próton (e assim formar o átomo de hidrogênio) como pode deflagrar uma reação nuclear fraca (do tipo das que mantêm o Sol aceso). Rubbia ganha o Prêmio Nobel em 1984. 

1987 – O alemão Johannes Georg Bednorz (1950-) e o suíço Karl Alex Müller (1927-) descobrem as chamadas cerâmicas supercondutoras, capazes de conduzir eletricidade com resistência zero. Ou seja, não há perda de energia. Desde o início do século se sabe que a supercondutividade ocorre em metais, como o níquel, mas apenas a cerca de 270 graus Celsius negativos. Nas cerâmicas, mais práticas, a resistência fica zero em condições mais amenas, de 96 graus Celsius negativos. 

1995 – Uma equipe do Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, o Cern, consegue montar o primeiro antiátomo de hidrogênio. A antimatéria é conhecida desde que o teórico inglês Paul Dirac previu a existência do antielétron, também chamado de pósitron . Mas, desde então, todos fracassam na tentativa de juntar um pósitron e um antipróton para construir um átomo inteiro. Com o sucesso do Cern, o próximo passo será fazer antiátomos maiores, com maior número de antiprótons e pósitrons.