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Linhas
gerais da teoria critica
A
pesquisa social levada a efeito pela
teoria critica, propõe-se como teoria da
sociedade entendida como um todo; daí, a
polemica constante contra as disciplinas
sectoriais.
Denunciando a separação e a oposição do
indivíduo em relação à sociedade como
resultante histórica da divisão de
classes, a teoria critica confirma a sua
tendência para a critica dialética da
economia política. O ponto de partida da
teoria critica é a análise do sistema da
economia de mercado: desemprego, crises
econômicas, militarismo, terrorismo, a
condição global das massas, não se
baseia nas possibilidades técnicas
reduzidas, como era possível no passado,
mas em relações produtivas já não
adequadas à situação atual.
A
industria cultural como sistema
O termo
Industria Cultural, surgiu para
substituir a expressão “cultura de
massa” nas notas anteriores à edição
definitiva da Dialética do Ilumisnismo.
Desde o inicio a interpretação corrente
é a de que se trate de uma cultura que
nasce espontaneamente das próprias
massas, de uma forma contemporânea de
arte popular.
A estratificação dos produtos culturais,
segundo a sua qualidade estética ou o
seu interesse, é perfeitamente adequada
à lógica de todo o sistema produtivo
A indenidade do domínio que a industria
cultural exerce sobre os indivíduos; <<
aquilo que a industria cultural oferece
de continuamente novo não e mais do que
a representação , sob formas sempre
diferentes, de algo que é sempre igual;
a mudança oculta um esqueleto, no qual
muda tão pouco como no próprio conceito
de lucro, desde que este adquiriu o
predomínio sobre a cultura. No sistema
da indústria cultural, o processo
imperativo integra cada elemento, desde
o enredo do romance que tem já em mira
as filmagens ate ao ultimo dos efeitos
sonoros.
Este sistema condiciona , evidentemente,
de forma total, o tipo e a função do
processo de consumo e a sua qualidade,
bem como a autonomia do consumidor. A
máquina da Indústria Cultural, ao
preferir a eficácia dos seus produtos,
determina o consumo e exclui tudo o que
é novo, tudo o que se configura como
risco inútil.
O
indivíduo na era da industria cultural
Na era
da Indústria Cultural, o indivíduo deixa
de decidir autonomamente. O homem
encontra-se em poder de uma sociedade
que o manipula e seu bel-prazer: o
consumidor não e soberano, como a
industria cultural queria fazer crer,
não é o seu sujeito mas o seu objeto. À
medida que as posições da Indústria
Cultural se consolidam, mais podem agir
sobre as necessidades do consumidor,
guiando-o e disciplinando-o. Divertir-se
significa estar de acordo[...];
significa sempre; não dever pensar,
esquecer a dor mesmo onde essa dor e
exibida.
A individualidade é substituída pela
pseudo-individualidade. O sujeito
encontra-se vinculado a uma identidade
sem reservas com a sociedade. Na época
atual, a Indústria Cultural é uma
estrutura social cada vez mais
hierárquica e autoritária, transformam a
mensagem de uma obediência irreflexiva
em valor dominante e avassalador.
A sociedade é sempre a vencedora e o
indivíduo não passa de um fantoche
manipulado pelas normas sociais. A
influência da Indústria Cultural, em
todas as manifestações, leva a alterar a
própria individualidade do consumidor,
que é como o prisioneiro que cede à
tortura por confessar seja o que for,
mesmo aquilo que não fez. Algo de
semelhante acontece com a resistência do
ouvinte de música ligeira ou popular, em
virtude da enorme quantidade de que agem
sobre ele . assim , a desproporção entre
a força de cada indivíduo e a estrutura
social concentrada que pesa sobre ele,
destrói a sua resistência e,
simultaneamente, provoca nele uma má
consciência motivada pela sua vontade de
resistir. Quando a música ligeira se
repete com tal intensidade que deixa de
parecer um meio para parecer um elemento
intrínseco ao mundo natural, a
resistência assume um aspecto diferente
porque a unidade da individualidade
começa a desmoronar-se.
A
qualidade do consumo dos produtos
culturais
Os
produtos da Indústria Cultural, desde o
mais típico, o filme sonoro, paralisam a
imaginação e a espontaneidade pela sua
própria constituição objetiva. São
feitos da tal modo que a sua adequada
apreensão exige não só prontidão de
instinto, dotes de observação e
competência especifica como também são
feitos para impedir a atividade mental
do espectador, se este não quiser perder
os fatos que lhe passam rapidamente pela
frente.
Construídos propositadamente para um
consumo descontraído, não comprometedor
cada um desses produtos reflete o modelo
do mecanismo econômico que domina o
tempo do trabalho e o tempo do lazer.
Cada espectador de um filme policial
televisivo sabe com absoluta certeza
como se chega ao fim. A tensão só é
mantida superficialmente e é impossível
obter um efeito sério. Pelo contrário o
espectador sente, durante toda a
emissão, que está num terreno seguro}
Por exemplo, a música ligeira ou popular
é feita de tal modo que o processo de
tradução da unicidade numa regra, está
já planificado e conseguido na própria
composição. A composição pelo ouve pelo
ouvinte. É desta forma que a música
ligeira despoja o ouvinte da sua
espontaneidade e fomenta reflexos
condicionados. Assemelha-se com tudo, e
por tudo, a um questionário de escolha
múltipla: que o preenche está limitado a
alternativas muito precisas e
previamente fixadas.
Enquanto na música clássica, todos os
elementos de reconhecimento são
organizados numa totalidade única, na
qual adquirem o seu sentido – assim
como, numa poesia, cada palavra adquire
o seu significado a partir da unidade e
da totalidade da poesia e não da sua
utilização cotidiana, mesmo que o
reconhecimento do significado
denotativo, nessa utilização, seja já um
pré-requisito da compreensão do seu
significado na poesia - , na música
ligeira, é precisamente a relação entre
o que se reconhece e o que é novo que é
destruída. O reconhecimento torna-se um
fim e não um meio. Nesse gênero de
música, reconhecimento e compreensão é
o ato através pelo qual o reconhecimento
leva a extrair algo de novo.
Os
efeitos dos mass media
A
estrutura multiestratificada das
mensagens reflete a estratégia da
manipulação da Indústria Cultual. Tudo
quanto ela comunica foi organizado pôr
ela própria com o objetivo de seduzir os
espectadores a vários níveis
psicológicos, simultaneamente. Com
efeito , a mensagem oculta pode ser mais
importante do que a que se vê , já que
aquela escapara ao controle da
consciência, não será impedida pelas
resistências psicológicas aos consumos e
penetrara provavelmente no cérebro dos
espectadores.
A maioria dos espetáculos televisivos
visa a produção ou , pelo menos, a
reprodução de muita mediocridade , de
inércia intelectual e de credulidade que
parecem adequar-se aos credos
totalitários, mesmo que a mensagem
explicita e visível dos espetáculos
possa ser antitotalitaria.
A manipulação do público – perseguida e
conseguida pela Indústria Cultural
entendida como forma de domínio das
sociedades altamente desenvolvidas –
passa assim para o meio televisivo,
mediante efeitos que se põem em prática
nos níveis latentes das mensagens.
Através do material que observa, o
observador é continuamente colocado, sem
o saber, na situação de absorver ordens,
indicações, proibições.
Os
gêneros
A
estratégia de domínio da Indústria
Cultural vem, portanto, de longe e
dispõe de múltiplas táticas. Uma delas
consiste na estereotipização.
Os estereótipos são um elemento
indispensável para se organizar e
antecipar as experiências da realidade
social que o sujeito leva a efeito.
Impedem o caos cognitivo, a
desorganização mental, constituem, em
suma, um instrumento necessário de
economia na aprendizagem. Como tal,
nenhuma atividade pode prescindir deles;
todavia, na evolução histórica da
Indústria Cultural, a função dos
estereótipos alterou-se e modificou-se
profundamente.
A divisão do conteúdo televisivo em
vários gêneros ( jogos, policiais,
comédia, etc.) conduziu ao
desenvolvimento de formas rígidas,
fixas, importantes porque definem o
modelo de atitude do espectador, antes
de este se interrogar acerca de qualquer
conteúdo específico, determinando assim,
em larga medida, o modo como esse
conteúdo é percebido.
Quanto mais os estereótipos se
materializam e fortalecem,
provavelmente, tanto menos as pessoas
modificarão as suas idéias preconcebidas
com o aumento da sua experiência. Quanto
mais dura e complicada e a vida moderna,
mais as pessoas se sentem tentadas a
agarrar-se a clichês que parecem
conferir uma certa ordem aquilo que, de
outra forma, seria incompreensível. |