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A
cibercultura estuda as relações
sociais e a formação de comunidades em
ambientes de rede, que estão sendo
ampliadas frente a popularização da
Internet e de outras tecnologias que
possibilitam a interação entre pessoas.
Ela se interessa pela dinâmica política
e filosófica dos assuntos vividos por
seres humanos em rede bem como na
emergência de novas formas de
comportamento e expressão.
"As paixões nos remetem à produção, a
produção à subjetividade, a
subjetividade à potência do desejo, a
potência do desejo ao sistema de
enunciação, a enunciação à expressão,
indo da expressão subjetiva à superfície
do mundo pelo ato que se revela no
sentido, que é uma abstração. E essa
abstração é novamente desejo. Impressão
de eterno retorno. Mas o que conta é
menos essa circularidade dos signos do
que a multiplicidade dos círculos,
porque o signo não remete apenas ao
signo em um mesmo círculo, mas de um
círculo a outro ou de uma espiral a
outra." (Gilles Deleuze, Félix Guattari:
Mil Platôs, Vol. 2).
Em um mundo globalizado e multi-mediado
pelas telecomunicações, as pessoas
conectadas às redes tornam-se a
interface entre o real e o virtual,
direcionando-se para um processo no
qual, ao mesmo tempo em que se produz
uma espécie de diluição dos corpos em
uma massa desmaterializada, mesclada de
informações, essa mesma massa de dados
duplica sua existência como
tecno-presença e presença física
imediata. E é essa
duplicidade/multiplicidade o que
interessa entender, do ponto de vista da
produção cultural - ciber - ou seja como
utilizamos os instrumentos especialmente
desenvolvidos para a adequação a
situações de trânsito e deslocamento,
ferramentas de adaptação a um universo
urbano de contínua aceleração e que
afetam sensivelmente as formas de
percepção, visualização e comunicação.
Somos nós -
interconectados/digitalizados/rizomáticos/catalisadores
de heterogêneses caótico-fractalizadas/expostos
a novas geometrias - recodificando a
complexidade genética dos nossos sensos
perceptivos.
"O esquema mais geral da informática
admite, em princípio, uma informação
máxima ideal, e faz da redundância uma
simples condição limitativa que diminui
este máximo teórico para impedir que
seja recoberto pelo ruído. Dizemos, ao
contrário, que aquilo que é primeiro é a
redundância da palavra de ordem. A
redundância tem duas formas, frequência
e ressonância; a primeira concernente à
significância da informação, a segunda
concernente à subjetividade da
comunicação.
Ocorre que informação e comunicação se
separam; e, igualmente, que se destacam
uma significância abstrata da informação
e uma subjetivação abstrata da
comunicação. Não existe significância
independente das significações
dominantes nem subjetivação independente
de uma ordem estabelecida de sujeição.
Ambas dependem da natureza e da
transmissão das palavras de ordem em um
campo social dado.
Não existe enunciação individual nem
mesmo sujeito de enunciação. Entretanto,
existem poucos estudos sobre o caráter
necessariamente social da enunciação. O
caráter social da enunciação só é
intrinsicamente fundado se chegarmos a
mostrar como a enunciação remete, por si
mesma, aos agenciamentos coletivos.
Assim compreende-se que só há
individuação do enunciado, e da
subjetivação da enunciação, quando o
agenciamento coletivo o determina.
O discurso direto livre: não há
contornos distintivos nítidos, não há,
antes de tudo, inserção de enunciados
diferentemente individuados, nem encaixe
de sujeitos de enunciação diversos, mas
um agenciamento coletivo que irá
determinar como sua consequência os
processos relativos de subjetivação, as
atribuições de individualidade e suas
distribuições moventes no discurso. Não
é a distinção dos sujeitos que explica o
discurso indireto; é o agenciamento, tal
como surge livremente nesses discursos,
que explica todas as vozes presentes em
uma voz." |
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