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A
Síndrome de Down consiste em um grupo de
alterações genéticas, das quais a
trissomia do cromossomo 21 é a mais
representativa (no contexto da medicina,
uma não-disjunção, pela qual esta
síndrome é também conhecida), causando
graus de dificuldades na aprendizagem e
de incapacidade física altamente
variáveis. Esta doença genética deve o
seu nome a John Langdon Haydon Down, o
médico britânico que a descreveu.
O termo foi referido pela primeira vez
pelo editor do The Lancet, em 1961 [1].
Era, até à data, denominado como
mongolismo pela semelhança observada por
Down na expressão facial de alguns
pacientes seus e os indivíduos oriundos
da Mongólia. Porém, a designação mongol
ou mongolóide dada aos portadores do
síndrome ganhou um sentido pejorativo e
até ofensivo, pelo que se tornou banida
no seio científico.
As crianças com síndrome de Down
encontram-se em desvantagem em níveis
variáveis face a crianças sem a
síndrome; o QI duma criança afectada
raramente é superior a 60. Outra
característica frequente é a
microcefalia, um reduzido peso e tamanho
do cérebro. O progresso na aprendizagem
é também tipicamente afectado por
doenças e deficiências motoras, como
doenças infecciosas recorrentes,
problemas no coração, problemas na visão
(miopia, astigmatismo ou estrabismo) e
na audição.
Considerações técnicas
O
gene 21, que quando defeituoso acarreta
a Síndrome de Down.Das doenças
congénitas que afectam a capacidade
intelectual, a síndrome de Down é a mais
prevalente e melhor estudada. Esta
síndrome engloba várias alterações
genéticas das quais a trissomia do
cromossomo 21 é a mais frequente (95%
dos casos). A trissomia 21 é a presença
duma terceira cópia do cromossoma 21 nas
células dos indivíduos afectados. Outras
desordens desta síndrome incluem a
duplicação do mesmo conjunto de genes
(p.e., translocações do cromossoma 21).
Dependendo da efectiva etiologia, a
dificuldade na aprendizagem pode variar
de mediana para grave.
Os efeitos da cópia extra variam muito
de indivíduo para indivíduo, dependendo
da extensão da cópia extra, do
background genético, de factores
ambientais, e de probabilidades. A
Síndrome de Down pode ocorrer em todas
as populações humanas, e efeitos
análogos foram encontrados em outras
espécies como chimpazés e ratos.
A
Síndrome de Down poderá ter quatro
origens possíveis:
A
trissomia 21 poderá ser causada por um
fenómeno de não-disjunção meiótico.
Neste caso, a criança terá três cópias
de todos os genes presentes no
cromossoma 21. Esta é a causa apontada
em 95% dos casos observados de Síndrome
de Down.
O material extra poderá ser proveniente
de uma Translocação Robertsoniana, isto
é, o braço longo do Cromossoma 21
liga-se topo a topo com outro cromossoma
acrocêntrico (cromossomas 13, 14, 15, 21
ou 22), podendo haver assim
variabilidade na região extra. A mutação
pode ser uma mutação de novo e pode ser
herdada de um dos progenitores que não
apresenta a doença pois tem uma
translocação Robertsoniana equilibrada.
Por disjunção normal na meiose os
gâmetas são produzidos uma cópia extra
do braço longo do Cromossoma 21. Esta é
a causa de 2 - 3% das Síndromes de Down
observadas. É também conhecida como
"Síndrome de Down familiar".
O indivíduo pode ser um mosaico de
células com arranjo genético normal e
células com trissomia 21. Isto pode
acontecer de duas maneiras: Uma
não-disjunção numa divisão celular
durante as primeiras divisões do zigoto,
ficando assim essa célula com uma
trissomia 21, dando origem a mais
células iguais a si nas divisões
seguintes e as restantes células
permanecendo normais; ou então poderá
acontecer o contrário, um zigoto ou
embrião com Síndrome de Down sofrer uma
igual mutação, revertendo assim as
células para um estado de euploidia,
isto é, correcto número de cromossomas,
que não possuem trissomia 21. Existe,
obviamente, uma variabilidade na fracção
n.º de células doentes/n.º de células
sãs , tanto no total como dentro de um
próprio tecido. Esta é a causa apontada
em 1 - 2% dos casos analisados de
Síndrome de Down. Note-se que é provável
que muitas pessoas tenham uma pequena
fracção de células aneuplóides, isto é,
com número de cromossomas alterado.
Muito raramente, uma região do
Cromossoma 21 poderá sofrer uma fenómeno
de duplicação. Isto levaria a uma
quantidade extra de genes deste
cromossoma, mas não de todos, podendo
assim haver manifestações da doença.
Embora as pessoas com síndrome de Down
tenham características físicas
específicas, geralmente elas têm mais
semelhanças do que diferenças com a
população em geral. As características
físicas são importantes para o médico
fazer o diagnóstico clínico; porém, a
sua presença não tem nenhum outro
significado. Nem sempre a criança com
síndrome de Down apresenta todas as
características; algumas podem ter
somente umas poucas, enquanto outras
podem mostrar a maioria dos sinais da
síndrome.
-
Algumas das características físicas
das crianças com síndrome de Down
são:
- achatamento da parte de trás da
cabeça,
- inclinação das fendas palpebrais,
- pequenas dobras de pele no canto
interno dos olhos,
- língua proeminente,
- ponte nasal achatada,
- orelhas ligeiramente menores,
- boca pequena,
- tônus muscular diminuído,
- ligamentos soltos,
- mãos e pés pequenos,
- pele na nuca em excesso.
Aproximadamente cinqüenta por cento
de todas as crianças com a síndrome têm
uma linha que cruza a palma das mãos
(linha simiesca), e há, freqüentemente,
um espaço aumentado entre o primeiro e
segundo dedos do pé. Freqüentemente
estas crianças apresentam mal-formações
congênitas maiores.
As principais são as do coração (30-40%
em alguns estudos), especialmente canal
atrioventricular, e as mal-formações do
trato gastrointestinal, como estenose ou
atresia do duodeno, imperfuração anal, e
doença de Hirschsprung.
Alguns tipos de leucemia e a reação
leucemóide têm incidência aumentada na
síndrome de Down. Estimativas do risco
relativo de leucemia têm variado de 10 a
20 vezes maior do que na população
normal; em especial a leucemia
megacariocítica aguda ocorre 200 a 400
vezes mais nas pessoas com síndrome de
Down do que na população
cromossomicamente normal. Reações
leucemóides transitórias têm sido
relatadas repetidamente no período
neonatal.
Entre oitenta e noventa por cento das
pessoas com síndrome de Down têm algum
tipo de perda auditiva, geralmente do
tipo de condução. Pacientes com síndrome
de Down desenvolvem as características
neuropatológicas da doença de Alzheimer
em uma idade muito mais precoce do que
indivíduos com Alzheimer e sem a
trissomia do 21.
As
crianças com síndrome de Down necessitam
do mesmo tipo de cuidado clínico que
qualquer outra criança. Contudo, há
situações que exigem alguma atenção
especial.
Oitenta a noventa por cento das crianças
com síndrome de Down têm deficiências de
audição. Avaliações audiológicas
precoces e exames de seguimento são
indicados.
Trinta a quarenta por cento destas
crianças têm alguma doença congênita do
coração. Muitas destas crianças
terão que se submeter a uma cirurgia
cardíaca e, freqüentemente precisarão
dos cuidados de um cardiologista
pediátrico por longo prazo.
Anormalidades intestinais também
acontecem com uma freqüência maior em
crianças com síndrome de Down. Por
exemplo, estenose ou atresia do duodeno,
imperfuração anal e doença de
Hirschsprung. Estas crianças também
podem necessitar de correção cirúrgica
imediata destes problemas.
Crianças com síndrome de Down
freqüentemente têm mais problemas
oculares que outras crianças. Por
exemplo, três por cento destas crianças
têm catarata. Elas precisam ser tratadas
cirurgicamente. Problemas oculares como
estrabismo, miopia, e outras condições
são freqüentemente observadas em
crianças com síndrome de Down.
Outra preocupação relaciona-se aos
aspectos nutricionais. Algumas crianças,
especialmente as com doença cardíaca
severa, têm dificuldade constante em
ganhar peso. Por outro lado, obesidade é
freqüentemente vista durante a
adolescência. Estas condições podem ser
prevenidas pelo aconselhamento
nutricional apropriado e orientação
dietética preventiva.
Deficiências de hormônios
tireoideanos são mais comuns em crianças
com síndrome de Down do que em crianças
normais. Entre 15 e 20 por cento das
crianças com a síndrome têm
hipotireoidismo. É importante
identificar as crianças com síndrome de
Down que têm problemas de tireóide, uma
vez que o hipotireoidismo pode
comprometer o funcionamento normal do
sistema nervoso central.
Problemas ortopédicos também são
vistos com uma freqüência mais alta em
crianças com síndrome de Down. Entre
eles incluem-se a subluxação da rótula
(deslocamento incompleto ou parcial),
luxação de quadril e instabilidade de
atlanto-axial. Esta última condição
acontece quando os dois primeiros ossos
do pescoço não são bem alinhados devido
à presença de frouxidão dos ligamentos.
Aproximadamente 15% das pessoas com
síndrome de Down têm instabilidade
atlanto-axial. Porém, a maioria destes
indivíduos não tem nenhum sintoma, e só
1 a 2 por cento de indivíduos com esta
síndrome têm um problema de pescoço
sério o suficiente para requerer
intervenção cirúrgica.
Outros aspectos médicos importantes
na síndrome de Down incluem problemas
imunológicos, leucemia, doença de
Alzheimer, convulsões, apnéia do sono e
problemas de pele. Todos estes podem
requerer a atenção de especialistas.
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