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Os domínios dialetais da România do século XX

            Os dialetos aqui abordados serão: Português, espanhol, italiano, suíço, sardos e muitos outros, seus traços típicos, fonéticos e morfológico, seguido de um breve comentário sobre a Península Ibérica.

             A língua portuguesa, que tem como origem a modalidade falada do latim, desenvolveu-se na costa oeste da Península Ibérica, atuais Portugal e região espanhola da Galiza, ou Galícia, incluída na província romana da Lusitânia. A partir de 218 a.C., com a invasão romana da península, e até o século IX, a língua falada na região é o romance, uma variante do latim que constitui um estágio intermediário entre o latim vulgar e as línguas latinas modernas, português, castelhano, francês, etc.

            No século XX, a distância entre as variantes portuguesa e brasileira do português aumentou em razão dos avanços tecnológicos do período: não existindo um procedimento unificado para a incorporação de novos termos à língua, certas palavras passaram a ter formas diferentes nos dois países (comboio e trem, autocarro e ônibus, pedágio e portagem). Além disso, o individualismo e nacionalismo que caracterizam o movimento romântico do início do século intensificaram o projeto de criação de uma literatura nacional expressa na variedade brasileira da língua portuguesa, argumento retomado pelos modernistas que defendiam, em 1922, a necessidade de romper com os modelos tradicionais portugueses e privilegiar as peculiaridades do falar brasileiro. A abertura conquistada pelos modernistas consagrou literariamente a norma brasileira.

Os domínios dialetais na România do século XX - Península Ibérica
România

            România é o conjunto dos territórios sujeitos a Roma. Os povos latinizados que habitavam essas regiões se autodenominavam romanus para distinguir-se dos bárbaros, ou seja, daqueles que não agiam segundo os costumes romanos e tampouco falavam dialetos latinos. A propósito, depois da invasão dos bárbaros e do enfraquecimento e decadência do império, formou-se por todo território latinizado uma quantidade de romanços ou romances, nomes que receberam as variantes lingüísticas locais do latim vulgar, constituídas entre o século V e o século IX. Nesse contexto, quase sempre em razão de hegemonia político-social associada ao poder de agregar a si outros territórios, um dos romances foi-se impondo sobre os demais. Em geral, pelo fato de acompanhar a expansão do poder central, um romanço absorvia outros coexistentes nas regiões circundantes. De um lado, onde havia um sentimento lingüístico alimentado por uma consciência regionalista, a tendência era resistir e manter a vitalidade da língua local. Por outro lado, onde não vigorava um sentimento forte e tampouco uma consciência lingüística, as línguas locais eram fadadas a desaparecer. Desse modo se formaram as línguas nacionais que distinguem-se hoje no território europeu da România moderna onze áreas dialetais, como:

  • na Península Ibérica: dialetos português, espanhóis e catalães;
  • na Gália antiga: dialetos franceses, provençais e franco-provençais;
  • na Itália e Suiça Meridional: dialetos réticos, galo-itálicos, italianos e sardos;
  • na Península Balcânica: dialetos romenos.

    I- Os dialetos portugueses

            Os dialetos portugueses são falados num território correspondente ao Estado português. Neles estão presentes as maiorias dos traços fonéticos.

Exemplos.

  1. roda, pode (<rotam, potel);
  2. ouro, oiro (< aurum);
  3. mau, ter, nu (malum, tenere, nudum);
  4. eira, soube (<aream, sapui);
  5. dobro x dobra, morto x morta como x come;
  6. lago, lodo, lobo (<lacum, lutuum, lupum);
  7. chave, chorar, chor (clavem, plorare, florem);
  8. inchar, encher (<inflare, implere);
  9. olho (<oc[ u ]lum;
  10. oito (<octo), muito (<multum);
  11. boca (<bucca);
  12. estar (<stare), escola (<schola), espírito (<spiritu).

            Reconhecem-se nesses exemplos alguns traços típicos da fonética histórica portuguesa.

  1. conserva-se o vocalismo latino em oposição às línguas que ditongam e o breves, como:
  • o castelhano (rueda, puede);
  • o italiano (ruota, può)
  • o francês (roue, peut);
  1. o ditongo au passa a ou que alterna com oi;
  2. há vogais e ditongos nasais;
  3. perdem-se d, n, e l intervocálicos;
  4. as semivogais j e w causam antecipações;
  5. é frequente a metafonia, fenômeno pelo qual as vogais tônicas assumem timbre aberto ou fechado em harmonia com a vogal final da palavra;
  6. sonorizam-se as oclusivas surdas intervocálicas;
  7. simplificam-se as geminadas;
  8. st, sp, sk, recebem um i protético que passa a - e.

             Os dialetos portugueses têm também uma morfologia peculiar: merecem ser lembrados:

  1. a terminação do plural sai em - s;
  2. a aplicação da terminação -a, típica dos femininos, a palavras originárias da 3ª declinação inclusive depois de formada a língua, os particípios passados com valor ativo: sou desconfiado, significa "eu desconfio" e não " desconfiam de mim";
  3. o infinitivo pessoal: foi pena eles terem partido tão de repente, a ponto de não termos podido acompanhá-los.

Português propriamente dito:

1- Dialetos continentes
- Interamnense (alto, minhoto, baixo minhoto, baixo duriense);
- Trasmontano (raiano, alto duriense, subdialeto ocidental e central);
- Beirão (alto-beirão, baixo-beirão, subdialeto ocidental de Coimbra e Aveiro);
- Meridional (estremenho, alentejano e algarvio).

2- Dialetos insulares açoriano e madeirense)

3- Dialetos ultramarinos (brasileiro, indo-português e vários falares crioulos)

4- Dialetos judeu-portugues

            Codialetos:

            Galego, Riodonorês, Mirandês e Guadramilês

            Por muito tempo, o ponto mais discutido dessa classificação foram os codialetos. Entende-se hoje tratar-se de variedades de transição, que combinam características fonéticas e morfológicas típicas dos dialetos portugueses com outras típicas dos dialetos espanhóis (leoneses) vizinhos.

         II- Os dialetos espanhóis

            As características mais marcantes dos dialetos espanhóis, falados no centro da Península, estão tipicamente representadas no castelhano, o mais importante de todos eles, e são de ordem fonética:

  1. ditongação de e em o em sílaba aberta ou fechada: terram > tierra, petram > piedra, bonum > bueno, porta >puerta.

Eventualmente o ditongo se reduz em seguida: frontem > friente > frente; castellum > castiello > castillo;

  1. a conservação das vogais, que faz com que um bom número de palavras terminem em vogal:
  2. a passagem ¦ > h > f : filium>hijo>hijo (onde o h já não é pronunciado);
  3. A tendência a resolver em ll [ l ] os grupos formados por consoante + l: plenum, clavem, flammam > lleno, llave, llama;
  4. A sonorização das consoantes surdas intervocálicas, e sua posterior passagem a africadas: lupum > lobo hoje pronunciado [lob o];
  5. A simplificação das geminadas: bucca > bica;
  6. A palatização das consoantes longas – ll – e – nn - : annum, caballum > año, caballo (pronunciado [kab al o];
  7. A criação de uma africada a partir do grupo –ct-, lt-, via –it-: lacte > laite > leite > leche, multum > (pronúnicas [let¦ e] e [mut¦ o];
  8. A passagem do grupo lj – à fricativa [x], via [l , 3].

            Além do castelhano, fazem parte hoje do sistema dos dialetos espanhóis:

  1. o galego (falado na Galizia);
  2. o leonês ( falado a noroeste do Reino da Espanha, numa região que corresponde imperfeitamente à província de León);
  3. o aragonês (falado a nordeste, numa área que tem por centro a cidade de Huesca);
  4. o estremenho
  5. o andaluz.

     III- Os dialetos catalães

            A região oriental do território espanhol, compreendendo a Catalunha, Valência (até Alicante e Cartegena) e uma parte da província de Aragão fala dialetos catalães. Também se falam dialetos catalães nas Ilhas Baleares e na República de Andorra; além Pireneus, em território francês, fala-se um dialeto catalão no departamento de Roussillon.

            Quanto as características dos dialetos catalães, uma das mais notáveis é que o artigo não deriva de ille mas de ipse: os artigos do catalão são: es, as, sos, ses. Da fonética, pode-se ter alguma idéia através de palavras como:

  1. pell (< pellem);
  2. 2- mort (< mortem);
  3. leit (< lactem);
  4. feit (< factum);
  5. llop (< lupum);
  6. sercol (< circulum);
  7. yents (<gentes);
  8. lli (< linum);
  9. ple (<plenum);
  10. leo (<leonem);
  11. clau (<clavem);
  12. llom (<lombum).

            Por suas características, o catalão constitui um sistema de dialetos à parte, que não há vantagem em tratar nem como o espanhol, nem com o provençal ou o francês. Fica claro, contudo, que pelo catalão se passa do íbero-romance ao galo-romance.

     IV- O franco-provençal

            A área dos dialetos franco-provençal compreende:

  1. na França – o monte Jura, a Savóia e as regiões de Grenoble e Lyon;
  2. Suiça Francesa (Suisse Romande);
  3. Itália, alguns vales alpinos com certa extensão, principalmente os de Aosta, de Lanzo e do rio Orco.

A proposta de reconhecer os dialetos franco-provençais como um sistema à parte, no mesmo nível que o francês e o occitano, reflete a dificuldade de enquadrá-los por suas características fonéticas tanto num como noutro grupo.

Os dialetos franco-provençais são falados numa região em que as comunicações são particularmente difíceis e são bastante semelhantes ente si dos dois lados dos Alpes.

      V- Os dialetos da Gália

            O antigo território da Gália Transalpina compreende três sistemas dialetais: o dos dialetos franceses, o dos dialetos provençais e o dos dialetos franco-provençais.

            Para os dialetos franceses e provençais, têm-se utilizado às vezes as denominações "langue d' oil" e "langue d'oc" ( ou "occitano"), que identificam os dois sistemas a partir da palavra que exprime a afirmação nos próprios dialetos:

  1. oil – que é a antepassado do francês oui;
  2. oc – essas denominações são mais exatas do que "francês" e "provençal", porque em sentido estrito o provençal é apenas um dialeto do grupo occitano; além disso, por francês se entende às vezes o dialeto de Paris, que é apenas um dos dialetos de oil. Quanto aos dialetos franco-provençais, a tese de que constituem um grupo à parte, proposta no começo do século por Ascoli, encontrou resistência em alguns romanistas importantes, os que não aceitam a autonomia do dialeto franco-provençal, e preferem a denominação mais neutra "dialetos do sudeste da França).

       VI- A langue d'oil

            Os dialetos da langue d'oil ocupam o norte da França e a Bélgica de fala neolatina, acima de linha que vai do estuário do rio Garonne até o monte Jura.

            A área da langue d'oil era ocupada, no passado, por uma série de dialetos com características próprias, mas a situação se alterou fortemente nos últimos séculos pelo prestígio crescente do dialeto de Paris, cuja expansão e transformação em língua nacional provocou a absorção dos dialetos vizinhos.

            A absorção do dialeto d'oil pelo francês é fato consumado numa grande área da frança do norte, suficientemente extensa para abranger as cidades de Châlons, Tours, Orléans, Bouges e Dijon.

            A característica mais geral do francês, em contraste não só com os demais falares da Gália, mas com toda a România, é o avanço extremo que nele tiveram certas tendências fonéticas encontráveis na România Ocidental. È comum que em toda a România Ocidental a sonorização das oclusivas surdas, em algumas regiões da Ibéria a consoante intervocálica sonoro passa a fricativa. Em francês, esse processo prosseguiu com a queda das próprias consoantes; surgiram assim encontros vocálicos que por sua vez sofreram a monotongação.

       VII- A langue d'oc

            O limite que separa os dialetos d'oil dos dialetos d'oc não é exatamente uma linha e sim uma faixa, no interior da qual se cruzam várias isoglossas. Essas isoglossas correspondem a algumas divisas que cortaram a França em duas partes ao longo de sua história.

            O norte foi a área efetivamente habitada pelos francos, que se limitaram à ocupação militar no sul, habitado pelos visigodos. Com isso, o norte foi bilingüe até o reinado de Clodoveu.

            O norte foi também a região do direito consuetudinário, em aposição ao direito escrito do sul: por isso, o sul teria cultivado mais a fundo a latim literário, que funcionou como um fator de conservadorismo lingüistico.

       VIII- Os dialetos da Itália e da Suíça Meridional

            No território atualmente ocupado pela República Italiana pela Córsega e no sul da Suíça, é costume reconhecer três grandes sistemas dialetais:

  1. os dos dialetos sardos;
  2. o dos dialetos réticos;
  3. o dos dialetos italianos.

            Um fato peculiar a respeito desses dialetos, no confronto com as outras regiões da România, é a sua maior vitalidade, embora sejam falados concomitantemente com uma língua oficial, sendo:

  1. italiano na República Italiana;
  2. francês na Córsega;
  3. alemão na Suíça.

            Esses dialetos mantêm em relação a ela uma forte autonomia; outros traço é a forte variedade de estrutura, as diferenças estruturais são sensíveis, não só quando se comparam dialetos de grupos distintos, mas também quando se confrontam os de um mesmo grupo.

       IX- Os dialetos réticos

            Como província lingüística, a Récia sofreu sua principal perda territorial no século V com a invasão dos alamanos, mas mesmo depois das grandes migrações de povos na Alta Idade Média o reto-romance foi-se retraindo, pela pressão contínua que exerceram os dialetos alemães ao norte e os italianos ao sul.

            A variedade mais oriental do rético é falada no cantão suiço dos grisões, e compreende algumas subvariedades entre as quais o sobressilvano e o engadino, mas nem todo o cantão dos grisões é da fala românica: em sua capital, Chur, fala-se um dialeto alemão).

            Algumas das variedades dialetais do rético dos grisões foram usadas no passado para fins literários e desde 1938 foram reconhecidas como a quarta língua oficial da Confederação Helvética – ao lado do alemão, do francês e do italiano.

            É difícil apontar características fonético-históricas, morfológicas do rético que sejam simultaneamente comuns a todos os seus dialetos e suficientes para distingui-los dos dialetos galo-itálicos e demais dialetos românicos.

       X- Os dialetos galo-itálicos e vênetos

            Os dialetos galo-itálicos são classificados em piemonteses, lombardos, lígures, da Emília e Romagna.

           Traços dos dialetos pelo piemontês:

  1. a sonorização das oclusivas surdas intervocálicas;
  2. a presença de y e f ;
  3. a palatização dos grupos cl, gl, pl, bl;
  4. a palatização de ct;
  5. a queda de todas as vogais finais exceto a;
  6. a redução de todas as geminadas, inclusive ll e nn
  7. a queda das vogais átonas, pré e postônicas.

        XI- Os dialetos do centro e do sul da Itália e toscanos

            Ao sul da linha La Spezia-Rimini, cabe distinguir os dialetos toscanos, nos quais se baseia o italiano literário, dos dialetos centrais e meridionais.

            Os dialetos centrais e meridionais, desde as marcas até o extremo sul da península, incluindo a Sicília, são divididos em três grupos:

  1. marcas, Úmbria e Lácio;
  2. Abruzos, norte das Pulhas, Molise, Campânia e Lucânia;
  3. Salento, Calábria e Sicília.

            Algumas características comuns:

  • A redução de nd e mb a nn e mm: quando > quanno; camba > camma;
  • A pronúncia de pl a kj: plus > kjù;
  • A pronúncia lábil das vogais finais;
  • A redução de b inicial a v: bucca > vocca.

        XII- Os dialetos sardos

            Com uma história política pouco ligada à Itália continental, a Sardenha teve poucos contatos com os dialetos italianos; o latim vulgar da Sardenha desenvolveu falares caracterizados por uma fonética fortemente conservadora.

            As principais variedades do sardo são de norte a sul:

  1. o galurês – falado no extremo norte da ilha, assemelha-se aos dialetos próximos da Córsega, que são por sua vez uma variedade do toscano.
  2. O campidanês – falado na metade sul, compartilha alguns traços com os dialetos da Itália meridional.
  3. logudorês - falado numa faixa entre o centro e o norte da ilha, tem sido encarado como o sardo típico.

           Características Fonéticas:

  1. o tratamento diferenciado de e longo e i breve, de o longo e u breve;
  2. a conservação do i semivogal – precedendo vogal – que não se palataliza: lat. Iugum > iugu;
  3. a conservação do valor velar de c antes antes de e e i (cerasea > kariasa);
  4. a conservação dos grupos cl, gl, bl e fl;
  5. a passagem de l a r (lat. plangere > prangere);
  6. a passagem de qu > b, gu > g;
  7. a passagem gn > nn (lat. lignum > linnu);
  8. a conservação das surdas intervocálicas.

       XIII- Os dialetos do romeno

            Extinto o dalmático, o latim levado à Península Balcânica sobrevive em um número considerável de palavras recebidas por empréstimo pelo albanês, e nos dialetos romenos e dividem-se em quatro grupos:

      1- O daco-romeno – falado no atual território da república Romena, na República Soviética da Moldávia e partes do Banato e da Bucóvina, que pertencem politicamente à Iugoslávia.

    2- O macedo-romeno ou meglenítico, falado por algumas comunidades espalhadas pela Macedônia grega, pela Dobrúgia e pela Ásia Menor.

    3- O megleno-romeno, falado em umas poucas cidades da Ístria.

            Os dialetos dos quatro grupos são bastante diferentes ente si, impossibilitando a comunicação entre falantes não cultos; também são bastante diferentes entre si pelo número de pessoas que falam.

            A atual localização dos dialetos romenos e a presença de características fônicas e lexicais que lembram o romeno nos empréstimos latinos do albanês sugerem que o proto-romeno não se formou no atual território da Romênia, e sim no território correpsondente ao antigo reino da Sérbia, na margem direita do Danúbio. Assim, a Dácia teria sido alvo de uma segunda conquista por parte de populações romanas.

           Os traços dos dialetos romenos que são comuns aos grupos de dialetos:

     1- conservação da distinção entre o longo e u breve – ao passo que o proto-romeno acompanha a România Ocidental na transformação de i breve em e fechado;

     2- ct > pt, cs > os;

  1. proposição do artigo;
  2. formação do futuro com volo;
  3. a palatalização das velares quando seguidas de e e i;
  4. a redução de a a a, pronunciado [ ], em sílaba átona;
  5. a passagem de a a i pronunciado [i ] quando seguida de n ou de m;
  6. a passagem a -r- dp -l- intervocálico;
  7. a labialização completa de qu e gu (>p,b).

Exemplos:

  1. lupum > lup;
  2. sudore > sudiare;
  3. nocte > noapte;
  4. quale > care;
  5. coxa > coapsa;
  6. decem > zece;
  7. fugit > fuge;
  8. gente > ginte;
  9. herba > iarba
  10. hora > oara;
  11. lactuga > laptuka;
  12. lingua > limba;
  13. lana > lina;
  14. anima > inima
  15. aqua > apa.

       XIV- O dalmático

            A última variedade de dalmático – o dialeto da ilha de Veglia ou veglioto, foi extinto desde o final do século XIX. Outras informações do dalmático forma levantadas através de documentos escritos no passado e de um informante. As pesquisas sobre o dalmático lançam luzes sobre uma antiga continuidade dialetal entre a Itália e a Dácia.

Península Ibérica

            Na distribuição geográfica dos dialetos ibéricos, os romanistas julgam reconhecer os reflexos de dois processos de conquista: de um lado, a própria conquista da Ibéria pelos romanos; de outro lado, a "Reconquista", nome pelo qual se indicam as guerras travadas entre os árabes e os cristãos a partir do fim do primeiro milênio, que redundaram na expulsão dos árabes e na consolidação das monarquias cristãs.

     a- A penetração romana na Ibéria se deu segundo duas direções:

     1º - pelo Golfo de Valência, os romanos dominaram as regiões que acabaram por constituir a província chamada Hispania Citerior: Tarraconense e Galícia; pelo Golfo de Cádiz, dominaram as regiões que viriam a constituir a Hispania Ulterior: Bética e Lusitânia. Os dois movimentos de romanização estão distanciados não só no tempo, mas também no tipo de latinização resultante: ao passo que a presença romana na Hispania Citerior teve um caráter militarista e vulgar, na Hispania Ulterior, que foi colonizada pela aristocracia e administrada durante século pelo Senado, um importante fator de romanização foram as escolas, que teriam existido até um grau superior. Essa circunstância é freqüentemente lembrada como explicação para uma característica típica dos dialetos hoje falados na antiga Hispania Ulterior, seu caráter marcadamente arcaico. De fato, esses dialetos conservam os ditongos au e ai, que se reduziram a o e e no resto da Ibéria; além disso, os dialetos portugueses, correspondentes à antiga Hispania Ulterior, preservaram o encontro consonantal - mb - que passou a - m - no domínio do castelhano. São exemplos sempre lembrados dessas diferentes evoluções

palomba > port. Paomba > poomba > poma

esp. Paloma

aurum > port. ouro

esp. oro

jan (u) arium > janairo > port. Janeiro

esp. enero

     b- Por outro lado, a distribuição dos dialetos portugueses, espanhóis e catalães em três faixas na direção norte-sul corresponde às três frentes em que se deu ao longo dos séculos X e XV a reconquista cristã do centro-sul da península. Esses três movimentos foram liderados pelas monarquias de Leão e Castela ( no centro), de Portugal ( a oeste) e de Aragão ( a leste); partiram dos Montes Cantábricos, e alcançaram, em épocas diferentes, a Andaluzia, a Algarve e a região valenciana.

Romanização da Península 

            A romanização da Península não se deu de maneira uniforme, mas pouco a pouco o latim foi se impondo, fazendo praticamente desaparecer as línguas nativas. Os povos que habitavam a Península eram numerosos e apresentavam língua e cultura bastante diversificadas. Havia duas camadas de população muito diferenciadas: a mais antiga - Ibérica - e outra mais recente - os Celtas, que tinham seu centro de expansão nas Gálias. Muito pouco se conservou das línguas pré-romanas. Há resquícios apenas na área do vocabulário.
            Quando se deu a queda do Império Romano, a Península Ibérica estava totalmente latinizada. Nesse quadro de mistura étnica, o latim apresentava feições particulares, mesclado de elementos celtas e ibéricos, basicamente no vocabulário.

Bibliografia

ILARI, Rodolfo. Lingüística Românica. São Paulo: ÁTICA, 2000. 3ª Edição.
PINTO, Edith Pimentel. História da Língua Portuguesa. São Paulo: ÁTICA, 1988. Série Fundamentos.
COUTINHO, Ismael de Lima. Pontos da Gramática Histórica. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1974. 6ª Edição.

 

 

 

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