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O
português é uma das
línguas oficiais da
Comunidade Européia
desde 1986, data em que
Portugal torna-se membro
da instituição. Em 1994,
é criada a Comunidade
dos Países de Língua
Portuguesa, que reúne
Angola, Cabo Verde,
Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal e
Brasil.
A língua falada no
Brasil colonial não
acompanha as mudanças
ocorridas durante o
século XVIII no
português falado na
metrópole: além de
manter-se fiel à maneira
de pronunciar da época
da descoberta, o
português falado no
Brasil sofre fortes
influências indígenas e
africanas e, mais tarde,
de imigrantes europeus
que se instalam no
centro-sul. Isso explica
a presença de
modalidades fonéticas
tão distintas quanto as
do nordestino, do
mineiro ou do gaúcho,
mesmo conservando uma
rara uniformidade. A
língua portuguesa no
Brasil, apesar de falada
em uma imensa extensão
territorial, manteve sua
unidade, variando apenas
em questões superficiais
de léxico e modalidades
de pronúncias regionais.
Língua indígena
– A língua de contato
entre o colonizador e os
povos indígenas do
litoral é o tupi mais
precisamente o dialeto
tupinambá. Os jesuítas
estudam a língua,
traduzem orações cristãs
para a catequese e ela
se estabelece como
língua geral, ao lado do
português, na vida
cotidiana da colônia. Na
metade do século XVIII,
o tupi tem sua
utilização proibida por
uma Provisão Real de
1757. Nessa época, o
português se fortalece
com o afluxo de grande
número de pessoas da
metrópole. Com a
expulsão dos jesuítas do
país (1759), o português
fixa-se definitivamente
como o idioma do Brasil.
Herança tupi
– Da língua indígena, o
português incorpora
principalmente palavras
referentes à flora
(abacaxi, buriti,
carnaúba, mandacaru,
mandioca, sapé, taquara,
peroba, imbuia,
jacarandá, ipê, cipó,
pitanga, maracujá,
jabuticaba, caju), à
fauna (capivara, quati,
tatu, sagüi, caninana,
sucuri, piranha,
araponga, urubu, curió,
sabiá), a nomes
geográficos (Aracaju,
Guanabara, Tijuca,
Niterói,
Pindamonhangaba,
Itapeva) e a nomes
próprios (Jurandir,
Ubirajara, Maíra).
Influência africana
– O iorubá, falado pelos
negros vindos da
Nigéria, deixa o
vocabulário ligado ao
candomblé (nomes de
divindades como Exu,
Iansã) e à cozinha
afro-brasileira (vatapá,
abará, acarajé). O
quimbundo angolano
fornece palavras da vida
cotidiana (caçula,
cafuné, molambo,
moleque) e termos
relativos à escravidão
(bangüê, senzala,
mocambo, maxixe, samba).
A presença política
de Portugal na Ásia hoje
limita-se a Macau, mas
os portugueses já
controlaram regiões mais
extensas, que incluíam
partes da Índia, da
Indonésia, do Sri Lanka
e da Malásia. Entre os
séculos XVI e XVIII, o
português serve de
língua franca nos portos
da Índia e sudeste da
Ásia, estabelecendo a
comunicação entre povos
de línguas diferentes.
Entretanto, o único
lugar onde o português
sobrevive na sua forma
oficial é Goa, na Índia,
onde está sendo
gradualmente substituído
pelo inglês. Em Damão e
Diu (Índia), Java
(Indonésia), Macau
(possessão portuguesa,
de população
predominantemente
chinesa), Sri Lanka e em
Málaca (Malaísia) são
faladas variedades de
crioulo idiomas que
derivam de grande
simplificação da língua
que os origina. Mantêm
do português basicamente
a base lexical
(vocabulário), diferindo
muito no aspecto
gramatical.
Na África, o
português é a língua
oficial de cinco países:
São Tomé e Príncipe,
Cabo Verde,
Guiné-Bissau, Moçambique
e Angola. Nesses países,
ele é utilizado na
administração, no
ensino, na imprensa e
nas relações
internacionais. Esse
português regional
distancia-se cada vez
mais da língua
portuguesa falada na
Europa, aproximando-se
em muitos casos do
português falado no
Brasil. As línguas
nacionais ou crioulos
que existem nesses
países – muito
diferentes entre si –
são utilizados nas
situações da vida
cotidiana e resultam de
uma grande
reestruturação do
português, provocada
pelo contato com as
línguas locais.
São Tomé e Príncipe
– A língua oficial é o
português, devido à
colonização, mas a
maioria da população das
ilhas fala hoje mais os
dialetos locais forro e
moncó, além de línguas
de Angola.
Cabo Verde
– O português é a língua
oficial e de instrução,
mas fala-se um dialeto
crioulo que mescla o
português arcaico a
línguas africanas. Há
duas variedades, a de
Barlavento e a de
Sotavento.
Guiné-Bissau
– Dados de 1983 revelam
que 44% da população
fala o dialeto crioulo,
semelhante ao de Cabo
Verde, enquanto apenas
11,1% utiliza o
português. O restante da
população fala inúmeros
dialetos africanos.
Moçambique –
O português é a língua
oficial falada por 25%
da população, mas apenas
1,2% considera como
língua materna. A
maioria dos moçambicanos
fala línguas do grupo
banto.
Angola – Em
1983, 60% dos moradores
declaram que o português
é sua língua materna. A
língua oficial convive
com o bacongo, o
quimbundo, o ovibundo e
o chacue. |