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Atualmente, os
distúrbios alimentares, que
compreendem a anorexia, a
bulimia e o transtorno do comer
compulsivo, estão alcançando
níveis epidêmicos e são
responsáveis por grande número
de mortes entre todos os
distúrbios psíquicos conhecidos.
Em cada grupo de 10 pessoas
doentes uma se suicida ou morre
em virtude de parada cardíaca ou
desnutrição (Ciência
Hoje,2000). As causas dos
distúrbios alimentares são
múltiplas, incluindo fatores
genéticos, ambientais e
comportamentais. A pressão de
uma sociedade cada vez mais
competitiva, o estresse e
experiências de vida
traumáticas, associadas ao culto
do corpo perfeito têm levado
muita gente, a maioria mulheres,
a maltratar seu organismo, seja
passando fome ou comendo em
excesso. Veja, a seguir, a
descrição detalhada de cada um
destes distúrbios.
É comum pensar-se
na Bulimia Nervosa como
consequência da Anorexia
Nervosa, porém observando seus
critérios diagnósticos, logo se
percebe tratarem-se de duas
patologias distintas, com grupo
epidemiológico diferente e
caracteres clínicos que nem
mesmo se completam.
Na Anorexia
Nervosa os casos se apresentam
com desnutrição grave, com perda
de peso superior a 15% ao
esperado para P/I. Na
adolescência, dado o rápido
crescimento dessa faixa etária,
só o fato de não alcançar o peso
correspondente a idade já
caracteriza um sinal de alerta.
Outros critérios, mesmo que não
acompanhados de desnutrição
importante, podem ser um sinal
de Anorexia Nervosa: medo
primário de engordar mesmo que
com peso inferior ao ideal para
a idade e estatura e distorção
da imagem corporal com
preocupação direcionada para uma
parte do corpo, totalmente
infundada. O paciente geralmente
limita suas refeições a
alimentos pouco calóricos e em
quantidades insignificantes e
nega sentir fome. No decorrer da
doença isola-se do convívio
social, limitando suas
atividades à escola, casa e
exercícios físicos.
Na Bulimia
Nervosa estima-se que 50% dos
casos ocorra antes dos 18 anos,
porém como seu diagnóstico é
muito difícil explica-se assim
sua incidência "maior" acima
dessa idade. Uma única
publicação estudando
adolescentes, mostrou que a
média de idade do início da
doença foi de 16.3 anos,
variando de 13 a 19 anos. Sua
principal característica são os
episódios de "binge-eating" ou "comer-compulsivo".
Esse comportamento é descrito
como uma ingestão de alimentos
muito calóricos, de forma
compulsiva, num espaço de tempo
inferior a duas horas, até o
limite da capacidade gástrica,
chegando a ingerir até 20.000
cal durante um episódio. Após
isso sobrevem um sentimento de
culpa que tenta ser compensado
com horas de exercício físico
exaustivo ou, literalmente, por
livrar-se da comida. Em 30% dos
casos há provocação de vômitos.
Alguns usam diuréticos ou
laxativos e uma porcentagem
pequena usa medicação indicada
para hipotireoidismo. Esses
episódios ocorrem com frequencia
de até 3 vezes por semana ao
longo de, no mínimo, 3 meses.
São pacientes sujeitos a grande
variação de peso, com ganhos e
perdas frequentes. Outros
comportamentos impulsivos podem
estar presentes nesses pacientes
como: roubar, gastar
desmesuradamente, abuso de
drogas, auto-mutilação e
promiscuidade. História de abuso
sexual pode estar presente em
até 50% dos casos .
Na Anorexia
Nervosa, aqueles pacientes que
esporadicamente usam algum tipo
de medicação para perder peso;
na Bulimia Nervosa, aqueles
pacientes que raramente usam
medicação para eliminar o
alimento, mas que submetem-se a
sessões exaustivas de exercícios
ou períodos de jejum.
É muito bom
redescobrir as formas do corpo à
medida que o ponteiro da balança
começa a descer, mas tem gente
que, mesmo sem nunca ter sido
gorda, alimenta um desejo
obsessivo de ficar magérrima!
O problema é que
essas pessoas não ficam só na
vontade de emagrecer. Elas
desenvolvem um tipo de rejeição
à comida que as faz perder o
controle. Isso é a anorexia
nervosa, uma disfunção que pode
aparecer sozinha ou em parceria
com a bulimia (compulsão pela
comida, seguida de culpa que faz
a pessoa utilizar métodos de
expulsão do que comeu, de seu
corpo).
A rejeição à
comida (anorexia, com incidência
de 1%) é classificada como um
transtorno alimentar e suas
vítimas são quase sempre (95%
dos casos) mulheres jovens, de
15 a 20 anos, excessivamente
preocupadas com a aparência e
mais sensíveis às influências
dos padrões de beleza em vigor
para firmar sua personalidade. A
doença também ataca mulheres na
faixa dos 30 e raramente as
acima dos 40. Porém não quer
dizer que a adolescente que
adora estar na moda esteja
sujeita a manifestar o problema.
Um dos primeiros sintomas é a
perda da noção que a pessoa tem
da sua imagem corporal, mesmo
magra ela se vê gorda, acredita
que precisa emagrecer ainda
mais, e que o melhor jeito é
parar de comer. Normalmente
essas mulheres não acreditam que
este medo de engordar possa ser
sinal de alguma disfunção. A
prática mostra que uma das
partes mais difíceis do
atendimento para tratar a
anorexia nervosa é convencer a
pessoa de que ela está doente.
Normalmente, essas pessoas só
são levadas à tratamento quando
a anorexia já está em nível
elevado, ou seja, quando os
sinais já são perceptíveis,
quando o emagrecimento já é
exagerado, aí é que os parentes
(pois a pessoa não se vê tão
magra) ou amigos próximos
percebem que já ultrapassou o
limite do normal.
A família sempre
deve insistir no tratamento
mesmo que a doente queira parar.
O atendimento especializado é a
única saída para controlar o
problema antes que o corpo exija
atendimento médico por causa de
uma emergência.
Sem tratamentos,
a anorexia nervosa:
·
Desgasta
emocionalmente.
·
Debilita os
órgãos.
·
Provoca
distúrbios associados à
desnutrição.
·
Lesa o aparelho
digestivo quando há vômitos
constantes.
·
Provoca arritmias
cardíacas.
Nas adolescentes,
os principais sinais da anorexia
são o enfraquecimento, a perda
de peso visível e a ausência de
menstruação.
·
Reidratar o
organismo, recomeçando a
alimentação à base de soros e
líquidos (o estômago reduzido
por não comer a tempos não
suporta alimentos sólidos).
·
Introduzir
gradualmente alimentos pastosos
até chegar aos sólidos.
·
A pessoa também
vai precisar reaprender a
conviver com os outros durante
as refeições, entrar em
supermercados, fazer compras, ir
a festas, participar dos almoços
com a família, enfim, voltar a
lidar com o lado social da
comida.
Quanto à
imposição, ela só é feita em
casos que já estão muito graves,
com perigo de morte (arritmia
cardíaca, vômitos espontâneos).
Para os demais casos ela deixou
de ser recomendada porque tira o
paciente da vida social, o que
dificulta ainda mais a sua
readaptação.
A psicoterapia é
muito importante para a eficácia
do tratamento. Através dela a
pessoa vai alterar os hábitos
adquiridos e voltou a comer. É
recomendado também que a família
do paciente participe de sessões
de terapia familiar em grupo
para auxiliar a paciente em seu
ambiente.
·
Preocupação
excessiva com a alimentação. A
pessoa passa a maior parte do
tempo pensando no medo de
engordar.
·
Sensação intensa
de culpa e uma ansiedade
desproporcional por
eventualmente ter saído um pouco
da dieta.
·
As pessoas dizem
que você está muito magra, suas
roupas estão cada vez mais
largas, mas você não se acha
magra e ainda quer perder peso.
·
Menstruação
irregular, ou não existente.
As estatísticas
revelam que 90% dos
pré-adolescentes com problemas
de bulimia e anorexia são filhos
de pais obesos ou excessivamente
preocupados em emagrecer.
Pessoas com
bulimia nervosa ingerem grandes
quantidades de alimentos e
depois eliminam o excesso de
calorias através de jejuns
prolongados, vômitos
auto-induzidos, laxantes,
diuréticos ou na prática
exagerada e obsessiva de
exercícios físicos.
Devido ao "comer
compulsivo seguido de
eliminação" em segredo, e ao
fato de manterem seu peso normal
ou com pouca variação deste,
essas pessoas conseguem muitas
vezes esconder seu problema das
outras pessoas por anos.
Assim como a
anorexia, a bulimia
caracteristicamente se inicia na
adolescência. A doença ocorre
mais freqüentemente em mulheres,
mas também atinge os homens.
Indivíduos com bulimia nervosa,
mesmo aqueles com peso normal,
podem prejudicar gravemente seu
organismo com o hábito freqüente
de comerem compulsivamente e se
"desintoxicarem" em seguida.
·
Interrupção da
menstruação.
·
Interesse
exagerado por alimentos e
desenvolvimento de estranhos
rituais alimentares.
·
Comer em
segredo.
·
Obsessão por
exercício físico.
·
Depressão.
·
Ingestão
compulsiva e exagerada de
alimentos.
·
Vômitos ou uso de
drogas para indução de vômito,
evacuação ou diurese.
·
Alimentação
excessiva sem nítido ganho de
peso.
·
Longos períodos
de tempo no banheiro para
induzir o vômito.
·
Abuso de drogas e
álcool.
Personalidade:
pessoas que desenvolvem bulimia
quase sempre consomem enormes
quantidades de alimentos,
geralmente sem valor nutritivo,
para diminuir o estresse e
aliviar a ansiedade. Entretanto,
com a extravagância alimentar,
surgem a culpa e depressão.
Pessoas com
profissões ou atividades que
valorizam a magreza, como
modelos, bailarinos e atletas,
são mais suscetíveis ao
problema.
Quanto mais cedo
for diagnosticado o problema,
melhor. Quanto mais tempo
persistir o comportamento
alimentar anormal, mais difícil
será superar o distúrbio e seus
efeitos no organismo.
O apoio e
incentivo da família e dos
amigos podem desempenhar
importante papel no êxito do
tratamento. O ideal de
tratamento é que a equipe
envolva uma variedade de
especialistas: um clínico, um
nutricionista, um psiquiatra e
um terapeuta individual, de
grupo ou familiar.
É um dos
transtornos alimentares que se
assemelha à bulimia, pois
caracteriza-se por episódios de
ingestão exagerada e compulsiva
de alimentos e, no entanto,
difere da bulimia, pois as
pessoas afetadas não produzem a
eliminação forçada dos alimentos
ingeridos (tomar laxantes e/ou
provocar vômitos).
Pessoas com esse
transtorno sentem que perdem o
controle quando comem. Ingerem
grandes quantidades de alimentos
e não param enquanto não se
sentem "empanturradas".
Geralmente
apresentam dificuldades em
emagrecer ou manter o peso.
Quase todas as pessoas com esse
transtorno são obesas e
apresentam história de variação
de peso. São propensas a vários
problemas médicos graves
associados à obesidade, como o
aumento do colesterol,
hipertensão arterial e diabetes.
É um transtorno
mais freqüente em mulheres.
·
Comer em segredo.
·
Depressão.
·
Ingestão
compulsiva e exagerada de
alimentos.
·
Abuso de drogas e
álcool.
O êxito é maior
quando diagnosticados
precocemente. Precisa de um
plano de tratamento abrangente,
em geral, um clínico,
nutricionista ou um terapeuta,
para lhe dar apoio emocional
constante, enquanto o paciente
começa a entender a doença de
uma forma de terapia que ensine
os pacientes a modificar
pensamentos e comportamentos
anormais, que em geral, são mais
produtivas.
Na calada da
noite
A ingestão
exagerada e compulsiva de
alimentos, característica da
bulimia e do comer compulsivo
foi batizada, em inglês, com o
nome de binge eating
(orgia alimentar). Elas
geralmente ocorrem na calada da
noite, longe do olhar de censura
de outras pessoas, e são
acompanhadas por uma sensação
subjetiva de perda de controle,
seguida de culpa.
Assim como ocorre
na compulsão pelo álcool, pelas
drogas, pelo sexo, ou em outras
formas de dependência, as causas
profundas do comer compulsivo
continuam a ser um mistério para
os estudiosos.
Indivíduos obesos
têm maior risco de doenças
cardíacas e alguns tipos de
câncer (estômago/intestino)
Como
diagnosticar:
|
Anorexia |
Bulimia |
|
A.
Recusa em manter o
peso na proporção
normal para idade e
estatura |
A.
Episódios
recorrentes de
comer-compulsivo |
|
B.
Medo intenso de
engordar, mesmo que
com peso abaixo do
normal |
B.
Comportamento
compensatório
inadequado: Vômitos,
laxantes,
diuréticos, jejum,
exercícios |
|
C.
Auto-avaliação
alterada do peso e
forma do corpo |
C.
Ambos episódios com
ocorrência média de
ao menos 2 x /
semana, por 3 meses |
|
D.
Amenorréia |
D.
Auto-estima
influenciada pelo
peso e forma corpo |
Atualmente já se
descreve o que poderia ser
chamado de "comportamento de
risco" para desenvolver um
distúrbio alimentar. Em geral,
os pacientes bulêmicos ou
anoréticos, muito antes da
doença estabelecida, já
apresentavam alguma alteração do
comportamento: hábito de fazer
dieta mesmo quando o peso é
proporcional a estatura, crítica
constante a alguma parte do
corpo, e insatisfação, mesmo ao
perderem peso, com diminuição
gradativa de suas atividades
sociais.
É importante
lembrar que todas essas
modalidades de comportamento são
de avaliação muito difícil
quando se trata de adolescente,
visto que nessa faixa etária,
isolamento, problemas de
relacionamento, preocupação com
o corpo, distorção da
auto-imagem, aumento do apetite,
modismos alimentares, etc., são
característicos e esperados,
fazendo parte da chamada
"Síndrome da adolescência
normal".
Os distúrbios
alimentares são classificados
como condições psiquiátricas
associadas a complicações
médicas de alta
morbi-mortalidade. As
complicações clínicas dependem
do tipo de controle de peso
utilizado pelo paciente e do
tempo de evolução do quadro.
Suas complicações
envolvem diferentes orgãos e
sistemas, que por sua vez
respondem de forma
característica ao grau de
desnutrição alcançado.
No aparelho
cardiovascular ocorre redução da
massa cardíaca associada a
diminuição da pressão arterial e
frequencia cardíaca. A
bradicardia pode ser intensa e
chegando a parada, sendo muitas
vezes indicação de internação(11).
O trato gastrointestinal
apresenta retardo do
esvaziamento gástrico e
constipação intestinal. Pode
haver alterações das enzimas
hepáticas, degeneração gordurosa
do figado e necrose hepática
focal. Sua instalação no período
pré-puberal é causa de baixa
estatura e atraso da maturação
sexual(12,13,14). A
associação entre disfunção
hipotalâmica, redução da
porcentagem de gordura corporal,
caquexia e exercícios físicos
excessivos pode ser causa tanto
de amenorréia primária quanto
secundária. A osteopenia é
secundária ao hipogonadismo
hipotalâmico com baixo
estrogênio, levando, nos casos
mais graves, a fraturas
patológicas e compressão
vertebral(15,16).
Ainda, a alteração hipotalâmica
pode afetar os centros
termo-reguladores, de regulação
da saciedade e a concentração
urinária. Há também hipoglicemia
por deficiência de precursores
para a gliconeogênese;
hipoplasia de medula óssea com
leucopenia e anemia. Alterações
dermatológicas secundárias a
desnutrição são semelhantes as
observadas no marasmo: pele
seca, cabelos quebradiços,
alopécia e unhas descamativas.
Com exceção da baixa estatura
quando o comprometimento é na
fase pré-puberal, todas essas
alterações são reversíveis com a
realimentação adequada e
recuperação da massa corpórea.
Suas principais
complicações clínicas são
decorrentes da forma como o
paciente elimina o excesso de
comida após o episódio de "comer-compulsivo".
Os vômitos repetidos podem
determinar quadros de esofagite,
gastrite, Síndrome de
Mallory-Weiss, esôfago de Barret,
hipertrofia de glândulas
salivares e desgaste do esmalte
dentário. Pneumotorax,
pneumomediastino e fratura de
costela podem ocorrer por
vômitos vigorosos. Catárticos e
laxativos podem causar
esteatorréia, pancreatite aguda,
hiperamilasemia e elevação da
aldosterona sérica. O sinal de
Russel (lesão no dorso da mão
pelo trauma repetido dos dentes
incisivos na provocação dos
vômitos) é patognomônico.
Raramente o paciente apresenta
comprometimento importante do
estado nutricional.
Distúrbios
alimentares continuam sendo um
importante problema para o
hebeatra. Esse especialista deve
estar atento para o diagnóstico
dessas condições, visto que a
intervenção precoce determina
melhora do prognóstico, sem
contudo confundir o que pode ser
o comportamento normal do
adolescente ou mesmo de outras
doenças (síndrome de
má-absorção, tumores cerebrais,
distúrbios hormonais, depressão,
esquizofrenia, etc.) com os
padrões aberrantes de
alimentação e preocupação com a
aparência encontrados nessas
patologias. A imagem perfeita e
inatingível do belo representado
pela magreza, cada vez mais
veiculada pela mídia, bem como a
profusão de publicações leigas
sobre dietas para os mais
variados fins, contribuem para o
aumento da incidência desses
distúrbios, especialmente nos
países desenvolvidos e entre as
classes sociais mais
favorecidas. Embora a anorexia e
a bulimia nervosa sejam
atualmente consideradas como de
etiologia primariamente
psiquiátrica, a frequencia e
gravidade de suas complicações
médicas requerem pronta
participação do clínico. A
instituição cuidadosa de uma
dieta balanceada, sem provocar
aumentos bruscos de peso, que
pode ser um fator de ansiedade
no paciente anorético, requer a
participação de nutricionista
capacitada. Nenhuma proposta
terapêutica será efetiva sem o
acompanhamento psicológico, seja
psicanálise, terapia
comportamental, terapia familiar
ou a associação de dois ou mais
métodos. Fica clara, então, a
necessidade de uma equipe
multidisciplinar integrada para
o atendimento e apoio a esses
pacientes, cujo período longo de
seguimento ás vezes apresenta-se
como um desafio e as vezes como
verdadeiro pesadelo.
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