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Abrange
as narrativas orais e a literatura de
cordel – geralmente vendida pelos
autores nas feiras e nas ruas – e os
desafios, duelos verbais acompanhados de
música.
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Mitos das narrativas orais
Os
relatos da literatura oral se perpetuam
pela palavra falada ou pelas cantorias.
São casos (causos, no dialeto rural),
lendas, anedotas e mitos de criação
coletiva, muitas vezes recolhidos por
estudiosos. Os principais personagens
fazem parte do folclore e têm origem
indígena ou européia.
Boitatá
– Gênio protetor dos campos.
Aparece sob a forma de enorme serpente
de fogo, que mata quem destrói as
florestas. O padre José de Anchieta, em
1560, é o primeiro a mencionar o boitatá
como personagem de mito indígena
brasileiro. Esse é o nome dado pelos
índios ao fenômeno do fogo-fátuo.
Boto
– Mito amazônico. É o pai das
crianças de paternidade ignorada.
Descrito como rapaz bonito, bem-vestido,
boêmio e ótimo dançarino. Nos bailes,
encanta as moças, leva-as para igarapés
afluentes do Amazonas e as engravida.
Antes da madrugada, mergulha no rio e se
transforma em boto. Chamado também de
boto tucuxi.
Caipora
– Segundo a mitologia tupi,
um personagem das florestas, com a
propriedade de atrapalhar os negócios de
quem o vê. Quando um projeto sai errado,
se diz que seu autor viu o caipora, ou
caapora. Em algumas regiões, é um
indiozinho de pele escura. Em outras,
uma indiazinha feroz. É descrito também
como criança de uma perna só e cabeça
enorme.
Cuca
– Influenciada pela bruxa de origem
européia, é uma velha feia que ameaça
crianças desobedientes, em especial as
que não querem dormir à noite.
Curupira
– Mito conhecido de vários
índios sul-americanos. Na Venezuela, o
chamam de Máguare. Na Colômbia, Selvage.
Os incas peruanos o denominam
Chudiachaque. A cabeça também varia: em
alguns lugares, ele é careca, em outros
tem cabeleira vermelha. Mas todos o
descrevem como um anão com os pés às
avessas calcanhar para frente, dedos
para trás. Seu rastro engana os
caçadores inescrupulosos, fazendo com
que eles se percam na floresta. Não
varia, também, sua função de ente
protetor das árvores e dos animais.
Iara
– Tem as mesmas
características das sereias: mulher da
cintura para cima, peixe da cintura para
baixo, canto irresistível aos ouvidos
dos homens, que atrai para a
profundidade das águas, onde habita.
Lobisomem
– Homem aparentemente comum, vive e
trabalha como os demais da comunidade.
Nas noites de lua cheia se transforma em
um lobo, ou em um homem com cabeça de
lobo e mata quem cruza o seu caminho.
Antes do dia clarear readquire forma
humana.
Matintapereira
– Segundo a mitologia tupi, é uma
pequena coruja que canta à noite para
anunciar a morte próxima de uma pessoa.
Descrevem-na também como mulher grávida
que deixa o feto na rede de quem lhe
nega fumo para o cachimbo.
Mula-sem-cabeça –
Personagem monstruosa em que se
transforma a mulher que tem relações
sexuais com padres ou compadres.
Acredita-se que a metamorfose se dá nas
noites de sexta-feira, quando o galope
da mula-sem-cabeça assombra pessoas da
comunidade.
Negrinho
do pastoreio – Na
tradição gaúcha, uma espécie de anjo
bom, ao qual se recorre para achar
objetos perdidos ou conseguir graças. É
o negrinho escravo que o dono da
estância pune injustamente, açoitando-o
e depois amarrando-o sobre um
formigueiro. Mas seu corpo aparece
intacto no dia seguinte, como se não
tivesse sofrido nenhuma picada, e sua
alma passa a vaguear pelos pampas.
Saci-pererê – Negrinho de uma
perna só, fuma cachimbo e cobre a cabeça
com carapuça vermelha. É inofensivo: se
diverte assustando gado no pasto, dando
nó em rabo de cavalo e criando pequenas
dificuldades domésticas.
É um
gênero derivado do romanceiro europeu
que se desenvolve desde o tempo de
Carlos Magno. O nome "cordel" vem dos
varais improvisados com cordinhas para
pendurar os folhetos com versos que
relatam acontecimentos dramáticos do
cotidiano, da história política, ou
reproduzem lendas e histórias. Os
folhetos são impressos em papel barato e
ilustrados com xilogravuras e
encontrados principalmente no Nordeste e
nas cidades onde houve grande migração
de nordestinos. Os próprios artistas
costumam vendê-los nas feiras e ruas.
No início do século, estudiosos do
folclore brasileiro temiam que o cordel
principal fonte de informação das
populações mais pobres do interior
desaparecesse com o aumento das tiragens
dos jornais, o que acabou não
acontecendo. Mas há adaptações,
principalmente em São Paulo, onde vive a
maior comunidade de nordestinos do
Brasil. Surge o cordel industrializado,
impresso em gráfica, em papel de melhor
qualidade e com conteúdo mais literário.
Temas
principais – As grandes
enchentes, as vidas dos artistas mais
populares, as façanhas de Lampião
(Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938)
e seus cangaceiros, a epopéia do rei
Carlos Magno e os Doze Pares de França
são alguns dos temas dos cordéis de
maior tiragem. Um dos campeões de vendas
é A morte de Getúlio Vargas. Lançado
logo após o suicídio de Getúlio, em
agosto de 1954, vendeu 70 mil exemplares
em 48 horas. Um dos poetas de cordel
mais conhecidos é o pernambucano Leandro
Gomes de Barros (1865-1918), autor de
mais de mil títulos.
O
desafio, praticado em várias regiões do
país, é uma das expressões mais
identificadas com a arte popular.
Acompanhados em geral por violas e
rabecas, no Nordeste, ou violão e
sanfona, no Sul, cantadores fazem um
duelo em versos, com temas improvisados.
No Nordeste as estrofes são chamadas de
repentes, e os desafiantes, repentistas. |