
Na maioria das vezes, o
objetivo que leva à instalação de ar condicionado é dar ao
homem um ambiente mais propicio a seu bem-estar. Por outro
lado, trata-se de um meio válido de defesa contra infecções
e contra a poluição do ar dos grandes aglomerados humanos em
recintos fechados. Serve de ajuda no tratamento terapêutico
de muitas doenças; nas industrias, é um fator para aumento
da produção, através de maior rendimento dos trabalhadores,
colocados num meio mais confortável.
Por condicionamento do ar
entende-se um conjunto de tratamentos do ar que vai penetrar
em determinado local, conferindo-lhe certas condições de
temperatura e umidade. Os tratamentos podem ser muito
diferentes, pois as condições desejadas variam de acordo com
o local servido. Um armazém para conservação de gêneros
alimentícios, por exemplo, necessita de condições diferentes
das exigidas para uma loja comercial de grandes dimensões,
um escritório, ou a sala de projeção de um cinema.
Essas diferentes
necessidades fizeram surgir numerosos sistemas de
condicionamento de ar, distinguindo-se pelo tamanho,
construção e aparelhagem de controle. Todavia, o princípio
de funcionamento não varia substancialmente de um para
outro, desde os pequenos até os grandes.

No organismo dos animais
superiores - e, em particular, no organismo humano - ocorre
uma série de transformações químicas mediante as quais o
alimento ingerido é convertido em energia térmica e
mecânica. Essa produção de calor depende de muitos fatores.
Um deles é a troca constante de calor entre o corpo e o
ambiente. Essa troca depende das condições do ar em que o
corpo se acha imerso, variando com a diferença de
temperatura entre a superfície do corpo e o ambiente, com a
ventilação, etc.
Em temperaturas do ar
próximas à do corpo, o calor produzido pelo organismo não é
eliminado com facilidade, e o indivíduo sente sensação de
opressão. Nessas épocas quentes, uma atmosfera muito úmida -
saturada de vapor de água - é tão prejudicial quanto o
excessivo calor ambiente, pois não permite a evaporação do
suor. Por esse motivo, o condicionamento do ar deve regular
não só a temperatura mas, também, a quantidade de vapor
contido no ar.
Além da temperatura e a
umidade, existe um terceiro fator que influencia o estado do
ar: a ventilação. Os três não são independentes; eles
interagem de tal modo que, no condicionamento do ar, a
variação de um deve ser compensada com a variação apropriada
dos outros dois, para que o organismo esteja sempre em
estado de suficiente conforto.

Num grande sistema de ar
condicionado existem vários estágios. No entanto, as
instalações nem sempre incluem todos os componentes que nas
unidades menores, são combinados numa caixa. O ar entra
primeiramente numa seção, onde se mistura com o ar reciclado
do próprio ambiente, pois é necessária apenas uma certa
proporção de ar fresco. Em seguida, o ar misturado passa
através de seção de filtragem que poderá ter duas etapas. A
primeira retira a poeira grossa, por meio de um material
fibroso, geralmente a lã de vidro, na forma de tela que é
substituída quando suja. A seguir, o filtro do segundo
estágio, que é geralmente do tipo eletrostático, remove as
partículas mais finas, como as de fumaça de cigarro. Nesse
filtro usa-se uma voltagem alta para carregar eletricamente
as partículas de poeira, que então são atraídas para uma
grelha de chapas carregadas com polaridade oposta. Ao passar
através de dois conjuntos de tubulações, o ar tem sua
temperatura controlada. Por um deles circula água quente ou
vapor, e pelo outro água gelada ou um fluido refrigerante.
Dentro da área que deve ser
ventilada existe um sensor de temperatura que é ajustado ao
valor desejado. A diferença entre a temperatura pretendida e
a do ambiente determina automaticamente se serão usados os
tubos de aquecimento ou de refrigeração. O estágio seguinte
é o filtro de odor, feito de carvão ativado, uma substância
capaz de absorvera as moléculas de odor existentes no ar. O
carvão tem que ser reativado periodicamente, por meio de
aquecimento, para expulsar o material absorvido.
A umidade desejada é
produzida pela injeção, no ar, de vapor ou de finíssimas
gotículas de água, por um vaporizador. Isso também é
controlado por um sensor, situado dentro do ambiente. No
caso de umidade excessiva, o método usual é fazer com que o
ar seja esfriado e depois reaquecido, se necessário, no
estágio de controle de temperatura, para que a umidade se
condense nos tubos de refrigeração.

Do menor ao maior sistema
são usados os mesmos princípios. As unidades para um
ambiente pequeno contêm um simples filtro lavável, um
compressor de refrigeração e um aquecedor elétrico de ar.
Nos ambientes maiores, usam-se unidades mais potentes e,
freqüentemente, a seção de refrigeração (compressor e
condensador) é colocada fora do edifício.