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Composição poética de estrofes simétricas e caráter lírico. Originária da Grécia antiga, nas formas individual e coral.
Anacreonte
Desde os clássicos gregos e latinos, diversos tipos de ode foram cultivados pelos poetas, até o início do século XIX. Os escritores realistas, como Eça de Queirós, já se referem à ode com sarcasmo, como sinônimo de má poesia, mas na poesia moderna o gênero ressurgiu na obra de Fernando Pessoa, ou melhor, de seu heterônimo horaciano, Ricardo Reis.
Ode (que em grego antigo quer dizer "canto") é uma composição poética de estrofes simétricas e de caráter lírico. Na Grécia antiga apresentava-se sob duas formas: monódica, quando cantada pelo próprio autor; e coral, quando a obra era transformada em canto coletivo. A ode coral era parte integrante da tragédia grega, utilizada não apenas para dividir a ação, mas também para comentar os episódios da trama.
No fim do século VII a.C, surgiram na ilha de Lesbos, dois expoentes do mélos, o canto pessoal: Safo e Alceu. A obra de Safo, que se celebrizou pela poesia erótica, em 1073 foi queimada em público em Bizâncio e só alguns fragmentos foram preservados. Parte significativa, porém, da obra de Alceu -- cantos de amor, hinos, poesia política e canções báquicas - chegou até os tempos modernos. Em latim, o termo ode só foi empregado no século I a.C., na época de Horácio, que tem suas carmina ("cantos") universalmente conhecidas como odes.
Destinado a uma celebração coletiva que incluía poesia, canto e dança, o canto coral adquiria, em seus modelos originais, um caráter quase religioso. Considerado superior ao canto individual, tinha sempre por pretexto uma vitória, uma colheita, uma festa, um nascimento ou uma morte. O gênero veio a exigir um poeta "profissional", que se encarregava da letra, da música e da dança para cada ocasião. Na Grécia, eram numerosas as denominações dos cantos corais, que os alexandrinos classificavam por assunto (nupciais, fúnebres, de vitória etc.), pela composição do coro (para meninos, homens, mulheres) ou pelo movimento (para marchar, para dançar etc.).
Outra classificação, de origem supostamente alexandrina e conservada por Proclo, divide todas as formas líricas em três grupos: as dedicadas aos deuses (hino, peã, ditirambo, nomo, adonídea e hiporquema), as dedicadas aos homens (encômio, epinício, escólio ou canto báquico, canção de amor, epitalâmio, himeneu, treno e epicédio) e as dedicadas aos deuses e aos homens (partênio e canto rogatório). Nos tempos modernos, os teóricos dividiram as odes de diversos modos, um dos quais as situa conforme o tema: abrangem-se, assim, a ode sagrada, a filosófica ou moral, a heróica e a anacreôntica.
Entre os grandes autores do canto coral grego, celebrizou-se Píndaro, em cuja obra se encontra a origem da ode moderna. Quando compunha, Píndaro pensava não só na poesia, mas também na música e na dança que devia coreografar, o que lhe marcou os versos. Na antiguidade, conheceram-se 17 de seus livros, mas sobreviveram apenas quatro, de epinícios, com estrutura triádica: uma estrofe, uma antístrofe e um epodo, simplificação da estrofe.
Desde a publicação das obras de Píndaro em 1513, surgiu, por imitação, a ode moderna, que teria entre seus mestres o francês Pierre Ronsard, primeiro grande poeta moderno a compor odes pindáricas. Com liberdade crescente, foram também pindáricos os alemães Klopstock, Goethe e Hölderlin, os italianos Leopardi e Manzoni, os ingleses Shelley e Keats. Outro grande poeta clássico cuja influência se fez sentir na ode moderna foi o latino Horácio, com suas obras sem forma triádica, com motivo lírico e que repetem sempre a mesma estrofe. Sua influência chegou a Tennyson e, mais tarde, a Fernando Pessoa. Também imitadas há muito são as odes de Anacreonte, de estrutura menos elaborada e conteúdo mais ligeiro. |