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A tradição greco-romana, recolhida por filósofos e doutores da Igreja (Tertuliano, Santo Ambrósio e Santo Agostinho), é preservada pelos mosteiros. Floresce em cortes como a de Carlos Magno, onde surge o poema épico A canção de Rolando, narrando as lutas contra os sarracenos. São comuns os sermões, vidas de santos, relatos de milagres e a compilação anônima de sagas de tradição oral, como a Canção do Nibelungo, reunindo lendas da mitologia nórdica.
A literatura cortês, celebrando formas idealizadas de amor, em geral platônico e inatingível, surge, a partir do século XI, na poesia provençal, do sul da França, com Arnaud Daniel, Guilherme de Aquitânia, Marcabru, Peyre Cardenal ou Bernard de Ventadour. Da França se irradia para toda a Europa, através de trovadores como o alemão Walther von der Vogelweide, ou os reis dom Afonso X, o Sábio, da Espanha, e dom Dinis, de Portugal. Sua manifestação mais importante é O romance da Rosa, dos franceses Guillaume de Lorris e Jean de Meung. As cantigas de amor, de amigo ou "de escárnio e mal dizer" (sátiras) dos trovadores, feitas para serem cantadas, são recolhidas em cancioneiros: os mais famosos são os portugueses, da Ajuda, da Vaticana e o Colocci-Brancuti.
Novelas de cavalaria – As narrativas de aventuras guerreiras exaltam a valentia, a fidelidade ao soberano e a defesa dos fracos. Celebram também uma concepção mais realista do amor do que a literatura cortês. São exemplos de novela centrada em proezas militares as lendas celtas e bretãs do ciclo arturiano, relatando as peripécias do rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda; os poemas ingleses Beowulf e Sir Gawain e o Cavaleiro Verde; os espanhóis, Amadis de Gaula e Los cantares del mio Cid; os franceses, O romance de Alexandre e Lancelot, de Chrétien de Troyes; ou o russo Canto da batalha de Ígor. As várias versões da lenda de Tristão e Isolda, entre as quais a do alemão Gottfried von Strassburg, são uma da maiores contribuições para a novela de temática amorosa.
A assimilação das novelas de cavalaria pela Igreja, como instrumento doutrinário, faz surgir A demanda do Santo Graal, onde se descreve a busca, pelos cavaleiros da Távola Redonda, do cálice onde teria sido guardado o sangue de Cristo após a crucificação. A versão mais perfeita dessa história é a do alemão Wolfram von Eschenbach.
Pré-renascimento
Desde o século XIII, surgem manifestações precursoras do espírito humanista que marcará o Renascimento. O processo de depuração da teologia se deve a Santo Tomás de Aquino, cuja filosofia incorpora conceitos de Aristóteles; Francesco Petrarca, no Cancioneiro, glorifica o amor na sua poesia lírica e fixa a forma do soneto; Dante Alighieri faz a síntese da alma medieval com o espírito novo; Giovanni Boccaccio, no Decamerão, faz impiedosa radiografia da sociedade de seu tempo. Outros nomes importantes nessa fase de transição: os poetas franceses Guilherme de Orleãs, de delicado lirismo, e François Villon, cujo Grande testamento é um amargo testemunho sobre a condição humana nessa época; e Geoffrey Chaucer, cujos Contos de Canterbury, em versos, sintetizam os costumes e a cultura ingleses do século XV.
Dante Alighieri (1265-1321) nasce em Florença e por questões políticas é obrigado a se exilar, morrendo em Ravena. Em Sobre a língua do povo, escrita em latim para os eruditos da época, Dante defende o uso do italiano nas obras poéticas. E é nessa língua que ele escreve a Divina Comédia, considerada a primeira obra da literatura italiana. Esse relato, de uma viagem imaginária pelo inferno, purgatório e paraíso, é uma alegoria do percurso do homem em busca de si mesmo.
Giovanni Boccaccio (1313-1375) é filho de um mercador da região da Toscana, Itália. Seu pai o faz estudar em Nápoles e Florença. Boccaccio lê os clássicos latinos e escreve poesias. Decamerão, escrito em prosa, traz cem histórias curtas contadas por três moças e sete rapazes que se refugiam no campo para fugir da peste negra. Nas histórias se chocam os valores cristãos e o espírito libertino, sinais da transição para o renascimento. |