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Recurso poético caracterizado pela igualdade de sons finais de duas ou mais palavras, em geral dispostas simetricamente, que estabelece a forma estrófica de um poema.
Poesia
Usada em poesia e ocasionalmente em prosa, para produzir sons que toquem a sensibilidade do leitor ou ouvinte, a rima jamais caiu em completo desuso, embora tenha sido periodicamente rejeitada pelos adeptos do verso clássico.
Rima é a igualdade de sons finais de duas ou mais palavras, em geral dispostas simetricamente, que unifica ou estabelece a forma estrófica de um poema. As rimas podem ser consideradas quanto ao seu tipo e quanto à posição que ocupam no verso ou na estrofe.
Quanto ao tipo, podem ser más, quando não combinam exatamente, como em nus/azuis; pobres ou vulgares, quando são muito comuns, como em amor/flor; boas, quando fogem às duas categorias anteriores, como em inverno/paterno; ricas ou opulentas, quando são raras, ou as palavras que rimam não pertencem à mesma categoria gramatical, como em lágrima/consagre-ma; e assonantes, quando as sílabas átonas finais apenas se assemelham, como em altos/alvos. As rimas em que às vogais abertas correspondem vogais fechadas, como em bela/estrela, são também chamadas visuais; as rimas em que as grafias não se correspondem, como em brilha/Sicília, são ditas rimas auditivas.
Do ponto de vista da posição que ocupam no verso, as rimas finais são as mais freqüentes, mas há também rimas internas. Quanto à posição que ocupam na estrofe, as rimas podem ser alternadas, quando os versos ímpares rimam entre si e os pares entre si; opostas, quando o primeiro verso rima com o quarto e o segundo com o terceiro; paralelas, quando os versos rimam dois a dois, e deslocadas, quando há versos sem rima intercalados entre dois versos rimados. Os versos sem rima são chamados brancos ou soltos.
Nas línguas neolatinas, e no Ocidente em geral, a rima se desenvolveu a partir dos textos romanos. Sabe-se que foi freqüente nas fórmulas populares da Roma antiga. Os poetas e prosadores utilizaram recursos para evitá-las e existem exemplos de textos nos quais Cícero, Virgílio e Horácio procuram escapar à homofonia. A rima foi usada com mais freqüência nas canções e versos religiosos do latim medieval, a partir do século IV. No Renascimento, a rima foi às vezes atacada como bárbara. Mais tarde, autores como Milton julgaram-na dispensável sempre que houvesse um ritmo bem marcado nos versos. Shakespeare costumava entremear estrofes rimadas com versos sem rima em seus dramas.
No século XX, o verso livre, cultivado pelos movimentos modernistas, em geral ignorou a rima. Alguns poetas, entretanto, continuaram a usá-la, com técnicas novas e mais complexas. Há várias formas poéticas que dependem da rima, como o soneto, o rondel, a sextina, a balada, a terza rima etc. Entre as virtudes da rima conta-se sua propriedade mnemônica e outras mais requintadas, como a simetria e a surpresa, assinaladas por Baudelaire.
Versificação
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