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Inflação é
o aumento persistente dos preços e
envolve toda a economia de um país.
Isso, conseqüentemente, resulta numa
contínua perda do poder aquisitivo da
moeda local.
Em sua forma mais extrema (chamada
hiperinflação), os preços aumentam tanto
que as pessoas procuram não reter
dinheiro consigo, nem mesmo por poucos
dias, dada a rapidez com que o dinheiro
diminui o seu poder de compra. O caso
mais grave, de hiperinflação, ocorreu na
Alemanha logo após a primeira guerra
mundial. (Um trilhão por cento, entre
agosto de 1922 e novembro de 1923).
São quatro as principais teorias sobre a
origem da inflação: a quantitativa, a
keynesiana, a de custos e a estrutural.
Teoria quantitativa: Segundo a mais
antiga das teorias sobre a inflação, a
quantitativa, é a quantidade de dinheiro
circulante no sistema econômico -- base
monetária -- que determina o nível dos
preços. A razão entre a quantidade de
dinheiro e as transações anuais do
sistema (cuja inversa é a velocidade de
circulação da moeda) depende da
freqüência com que se pagam salários, da
estrutura da economia e dos hábitos de
poupança e consumo da população. Na
medida em que esses fatores permaneçam
constantes, o nível de preços será
diretamente proporcional ao fluxo de
dinheiro e inversamente proporcional ao
volume físico da produção. Essa teoria,
formulada por David Hume no século
XVIII, supõe que toda a capacidade
produtiva de um sistema se encontre
aproveitada. No intervalo entre as duas
guerras mundiais, a teoria quantitativa
caiu em descrédito, ao se comprovar que
a utilização da capacidade produtiva do
sistema econômico variava mais e com
maior freqüência do que o nível de
preços.
Teoria keynesiana: A teoria econômica de
Keynes afirma que a inflação deriva das
tentativas de consumir mais bens e
serviços do que o sistema econômico pode
produzir. Se os gastos do governo são
maiores do que a diferença entre a
produção e o consumo, diz-se que há uma
lacuna inflacionária. O mercado preenche
essa lacuna aumentando os preços até um
patamar em que a diferença entre a renda
e o consumo, em valor monetário, seja
suficiente para acomodar os gastos
públicos. Essa teoria foi invalidada
pela prática, nas décadas posteriores à
segunda guerra mundial, quando o
processo inflacionário se instalou em
vários países, sem prévia existência de
lacunas inflacionárias.
Inflação de custos: O terceiro enfoque
do problema inflacionário supõe que os
preços das mercadorias são determinados
por seus custos, ao passo que a provisão
de dinheiro é responsável pela demanda.
Nessas circunstâncias, o aumento dos
custos pode gerar uma pressão
inflacionária que se perpetua por meio
da "espiral preço-salário". Admite-se
que os assalariados e os capitalistas
aspiram a parcelas do produto nacional
que, somadas, ultrapassam o total
anualmente produzido, em situação de
pleno emprego. Da impossibilidade de
satisfazer os dois grupos ao mesmo tempo
surge o embate entre eles, que é a
origem da espiral preço-salário. Os
assalariados, quando insatisfeitos,
demandam aumentos salariais. Os
capitalistas atendem a essas exigências,
pelo menos em parte (geralmente após
longa negociação), e diminuem seus
lucros, num primeiro momento. Em
seguida, porém, aumentam os preços, para
neles embutir o aumento de custos da
produção. Com isso, diminui o poder de
compra dos assalariados, que irão,
novamente, reivindicar aumento de
remuneração.
Um recurso para reduzir a inflação,
segundo essa teoria, seria a manutenção
de uma porcentagem constante de
desemprego. O recurso é, porém,
invalidado na prática pelo fenômeno da
estagflação (conjuntura econômica em que
a estagnação ou declínio do nível de
produção e emprego se combinam com uma
inflação acelerada), fenômeno típico do
período que se seguiu à segunda guerra
mundial, que se tem acentuado em quase
todas as economias capitalistas
desenvolvidas depois da crise do
petróleo de 1973-1979.
Teoria estrutural: O enfoque estrutural
não é totalmente independente das três
teorias anteriores. Sua característica
principal é a ênfase no desajuste da
economia como causa do processo
inflacionário. Esse desajuste é
ocasionado, por exemplo, pela
resistência em reduzir os salários,
mesmo nas épocas de baixa produtividade,
ou pelo desequilíbrio da balança
comercial do país.
Inflação e pobreza: Segundo o economista
John Kenneth Galbraith, tanto a inflação
quanto os recursos que geralmente se
utilizam para combatê-la prejudicam os
mais fracos. A política monetária, de
controle inflacionário, age provocando
desemprego e deprimindo os preços dos
que exercem menos controle sob seus
rendimentos. A política tributária é um
pouco mais eqüitativa do que a
monetária, mas também restringe a
produção e o nível de empregos. Assim, o
fardo do controle da inflação sempre
fica nas costas dos mais fracos e nas
costas dos que perdem o emprego.
Há diversos índices que se utilizam para
medir a inflação. Para aferir a variação
dos preços dos produtos finais
consumidos pela população usa-se o
índice de custo de vida (ICV) ou o
índice de preços ao consumidor (IPC),
tomando por base os produtos de consumo
de uma família-padrão para toda a
sociedade ou certa classe. Para medir a
variação nos preços dos insumos e
fatores de produção e demais produtos
intermediários, usam-se índices de
preços ao produtor ou o índice de preços
no atacado (IPA). A inflação no Brasil
levou à criação de mais de trinta
índices diferentes para medir a inflação
e corrigir a desvalorização da moeda |
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