Capitalismo é comumente definido
como um sistema de organização
de sociedade baseado na
propriedade privada dos meios de
produção e propriedade
intelectual, e na liberdade de
contrato sobre estes bens
(livre-mercado). Desta forma,
ele não é um sistema
propriamente dito, já que não é
instalado diretamente.
"Capitalismo" é o nome que se dá
às atitudes econômicas
decorrentes naturalmente numa
sociedade que respeita a
propriedade privada e a
liberdade de contrato. As
pessoas quando sujeitas a estas
condições, com o intuito de
satisfazer seus desejos e/ou
necessidades, tendem
espontaneamente a dirigir seus
esforços no sentido de acumular
capital, o qual é então usado
como moeda de troca a fim de
adquirir os serviços e produtos
desejados. Como se percebe, o
nome veio a calhar, pois informa
diretamente uma das principais
características imanentes, que é
o acúmulo de capital (embora
nenhum indivíduo seja obrigado
legalmente a acumulá-lo). O
capital, por sua vez, pode ser
adquirido e/ou expandido
basicamente pelo trabalho
produtivo e o comércio, mas como
o primeiro também pode se
enquadrar na classificação de
comércio, a rigor e em última
instância, o acúmulo se dá pelo
comércio voluntário. O
Capitalismo, segundo seus
defensores, é o meio mais
eficiente e eficaz de
prosperidade, desenvolvimento e
eliminação de pobreza nas
sociedades, devido ao seguinte
argumento central: cada
indivíduo, por depender
basicamente do seu próprio
esforço, por ter direito a
acumular e desfrutar dos
produtos gerados por este
esforço, por ter de assumir e
colocar em risco seu próprio
patrimônio é altamente motivado
a utilizar seus recursos
(materiais e intelectuais) da
melhor forma (mais eficiente)
possível, e a melhor possível é
a que gera maior riqueza para a
sociedade, já que os indivíduos
dependem de transações
voluntárias.
Capitalismo é o sistema
econômico que se caracteriza
pela propriedade privada dos
meios de produção e pela
liberdade de iniciativa dos
próprios cidadãos.
No sistema capitalista, as
padarias, as fábricas,
confecções, gráficas, papelarias
etc., pertencem a empresários e
não ao Estado. Nesse sistema, a
produção e a distribuição das
riquezas são regidas pelo
mercado, no qual, em tese, os
preços são determinados pelo
livre jogo da oferta e da
procura. O capitalista,
proprietário de empresa, compra
a força de trabalho de terceiros
para produzir bens que, após
serem vendidos, lhe permitem
recuperar o capital investido e
obter um excedente denominado
lucro. No capitalismo, as
classes não mais se relacionam
pelo vínculo da servidão
(período Feudal da Idade Média),
mas pela posse ou carência de
meios de produção e pela livre
contratação do trabalho e/ou
tabalhadores.
São chamados capitalistas os
países cujo modo de produção
dominante é o capitalista. Neles
coexistem, no entanto, outros
modos de produção e outras
classes sociais, além de
capitalistas e assalariados,
como artesãos e pequenos
agricultores. Nos países menos
desenvolvidos, parte da
atividade econômica assume
formas pré-capitalistas,
exemplificadas pelo regime da
meia ou da terça, pelo qual o
proprietário de terras entrega a
exploração destas a parceiros em
troca de uma parte da colheita.
Outros elementos que
caracterizam o capitalismo são a
acumulação permanente de
capital; a geração de riquezas;
o papel essencial desempenhado
pelo dinheiro e pelos mercados
financeiros; a concorrência, a
inovação tecnológica
ininterrupta e, nas fases mais
avançadas de evolução do
sistema, o surgimento e expansão
das grandes empresas
multinacionais. A divisão
técnica do trabalho, ou seja, a
especialização do trabalhador em
tarefas cada vez mais
segmentadas no processo
produtivo, é também uma
característica importante do
modo capitalista de produção,
uma vez que proporciona aumento
de produtividade. O modelo
capitalista também é chamado de
economia de mercado ou de livre
empresa.
A primeira fase de expansão
do capitalismo confunde-se com a
revolução industrial, cujo berço
foi a Inglaterra, de onde se
estendeu aos países da Europa
ocidental e, posteriormente, aos
Estados Unidos. A evolução do
capitalismo industrial foi em
grande parte conseqüência do
desenvolvimento tecnológico. Por
imposição do mercado consumidor
os setores de fiação e tecelagem
foram os primeiros a usufruir os
benefícios do avanço
tecnológico. A indústria
manufatureira evoluiu para a
produção mecanizada,
possibilitando a constituição de
grandes empresas, nas quais se
implantou o processo de divisão
técnica do trabalho e a
especialização da mão-de-obra.
Ao mesmo tempo em que se
desencadeava o surto industrial,
construíram-se as primeiras
estradas de ferro, introduziu-se
a navegação a vapor, inventou-se
o telégrafo e implantaram-se
novos progressos na agricultura.
Sucederam-se as conquistas
tecnológicas: o ferro foi
substituído pelo aço na
fabricação de diversos produtos
e passaram a ser empregadas as
ligas metálicas; descobriu-se a
eletricidade e o petróleo; foram
inventadas as máquinas
automáticas; melhoraram os
sistemas de transportes e
comunicações; surgiu a indústria
química; foram introduzidos
novos métodos de organização do
trabalho e de administração de
empresas e aperfeiçoaram-se a
técnica contábil, o uso da moeda
e do crédito.
Na Inglaterra, Adam Smith e
seus seguidores desenvolveram
sua teoria liberal sobre o
capitalismo. Na França, após a
revolução de 1789 e as guerras
napoleônicas, passou a
predominar a ideologia do
laissez-faire, ou do liberalismo
econômico, que tinha por
fundamentos o livre comércio, a
abolição de restrições ao
comércio internacional, o
livre-câmbio, o padrão-ouro e o
equilíbrio orçamentário. O
liberalismo se assentava no
princípio da livre iniciativa,
baseado no pressuposto de que a
não regulamentação das
atividades individuais no campo
socioeconômico produziria os
melhores resultados na busca do
progresso.
A partir da primeira guerra
mundial, o quadro do capitalismo
mundial sofreu importantes
alterações: o mercado
internacional restringiu-se; a
concorrência americana derrotou
a posição das organizações
econômicas européias e impôs sua
hegemonia inclusive no setor
bancário; o padrão-ouro foi
abandonado em favor de moedas
correntes nacionais, notadamente
o dólar americano, e o movimento
anticolonialista recrudesceu.
Os Estados Unidos, depois de
liderarem a economia capitalista
mundial até 1929, foram
sacudidos por violenta depressão
econômica que abalou toda sua
estrutura e também a fé na
infalibilidade do sistema. A
política do liberalismo foi
então substituída pelo New Deal:
a intervenção do estado foi
implantada em muitos setores da
atividade econômica, o ideal do
equilíbrio orçamentário deu
lugar ao princípio do déficit
planejado e adotaram-se a
previdência e a assistência
sociais para atenuar os efeitos
das crises. A progressiva
intervenção do estado na
economia caracterizou o
desenvolvimento capitalista a
partir da segunda guerra
mundial. Assim, foram criadas
empresas estatais, implantadas
medidas de protecionismo ou
restrição na economia interna e
no comércio exterior e aumentada
a participação do setor público
no consumo e nos investimentos
nacionais.
A implantação do modo
socialista de produção, a partir
de 1917, em um conjunto de
países que chegou a abrigar um
terço da população da Terra,
representou um grande desafio
para o sistema de economia de
mercado. As grandes nações
capitalistas passaram a ver o
bloco socialista como inimigo
comum, ampliado a partir da
segunda guerra mundial com a
instauração de regimes
comunistas nos países do leste
europeu e com a revolução
chinesa. Grande parte dos
recursos produtivos foi
investida na indústria bélica e
na exploração do espaço com fins
militares. Essa situação
perdurou até a desagregação da
União Soviética, em 1991, e o
início da marcha em direção à
economia de mercado em países
como a China.
Crítica ao
capitalismo:
A mais rigorosa crítica ao
capitalismo foi feita por Karl
Marx, ideólogo alemão que propôs
a alternativa socialista para
substituir o Capitalismo.
Segundo o marxismo, o
capitalismo encerra uma
contradição fundamental entre o
caráter social da produção e o
caráter privado da apropriação,
que conduz a um antagonismo
irredutível entre as duas
classes principais da sociedade
capitalista: a burguesia e o
proletariado (o empresariado e
os assalariados).
O
caráter social da produção se
expressa pela divisão técnica do
trabalho, organização metódica
existente no interior de cada
empresa, que impõe aos
trabalhadores uma atuação
solidária e coordenada. Apesar
dessas características da
produção, os meios de produção
constituem propriedade privada
do capitalista. O produto do
trabalho social, portanto, se
incorpora a essa propriedade
privada. Segundo o marxismo, o
que cria valor é a parte do
capital investida em força de
trabalho, isto é, o capital
variável. A diferença entre o
capital investido na produção e
o valor de venda dos produtos, a
mais-valia (lucro), apropriada
pelo capitalista, não é outra
coisa além de valor criado pelo
trabalho.
Segundo os Marxistas, o
sistema capitalista não garante
meios de subsistência a todos os
membros da sociedade. Pelo
contrário, é condição do sistema
a existência de uma massa de
trabalhadores desempregados, que
Marx chamou de exército
industrial de reserva, cuja
função é controlar, pela própria
disponibilidade, as
reivindicações operárias. O
conceito de exército industrial
de reserva derruba, segundo os
marxistas, os mitos liberais da
liberdade de trabalho e do ideal
do pleno emprego.
A experiência
Marxista:
Depois de setenta anos de
vigência, e muitas dificuldades
internas decorrentes,
principalmente, da instalação de
burocracias autoritárias no
poder, os regimes socialistas
não tinham conseguido
estabelecer a sociedade justa e
de bem-estar que pretendiam seus
primeiros ideólogos. A União
Soviética, maior potência
militar do planeta, exauriu seus
recursos na corrida
armamentista, mergulhou num
irrecuperável atraso tecnológico
e finalmente se dissolveu em
1991. A Iugoslávia socialista se
fragmentou em sangrentas lutas
étnicas e a China abriu-se,
cautelosa e progressivamente,
para a economia de mercado.
O
capitalismo, no entanto, apesar
de duramente criticado pelos
socialistas (marxistas), mostrou
uma notável capacidade de
adaptação a novas
circunstâncias, fossem elas
decorrentes do progresso
tecnológico, da existência de
modelos econômicos alternativos
ou da crescente complexidade das
relações internacionais.
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O
capitalismo e sua história
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