É raro a descrição
ocorrer isolada da
narração e
vice-versa. Tanto
que os conceitos de
descrição e narração
são mais
pressupostos
metodológicos do que
resultado da
observação
experimental dos
discursos.
Descrição é um
tipo de discurso que
dá ao receptor a
situação vigente do
universo narrativo
considerado que, não
raro, é o universo
de objetividades. É
o discurso sobre o
que é imutável ao
longo da ocorrência
dos fenômenos. É
discurso sobre o que
é.
Narrar é informar,
através do discurso,
sobre a mutação das
coisas. A narração
trata dos fatos, da
ação. Narrar é dizer
o que acontece.
Tipos de
descrição
Tradicionalmente,
as descrições são
classificadas pelo
assunto que abordam.
Nessa classificação,
dois tipos se
destacam: a
descrição geográfica
e o retrato. A
descrição geográfica
trata da aparência
das coisas não
humanas tal qual se
dão à percepção. O
retrato trata das
aparências do ser
humano, enquanto
indivíduo ou tipo,
tanto físicas como
de caráter e
ideologia.
Uma outra forma de
classificar as
descrições é pelo
critério da ordem,
com a qual
apresentam as partes
do discurso. Há
descrições
topográficas, de
background
progressivo, de
complexidade
crescente, em ordem
atenuante ou
agravante, conforme
o caso.
Os tipos de
ordenação são muitos
e incluem também o
caso da ausência de
ordem.
Um outro critério de
classificação é o
das características
do que se descreve
sobre o objeto. Há
descrições:
Classificatórias
- Organizam as
partes segundo uma
taxonomia.
Fisiológicas -
Explicam a função e
o funcionamento das
partes.
Organizacionais -
Explicam as relações
entre as partes.
Semelhanças da
descrição com a
narração
Descrição e narração
são categorias de
uma mesma classe.
Enquanto uma
explana, informa uma
situação, a outra
explana as mutações
da situação. Ambas
são referência a um
universo que pode
ser o universo
objetivo.
DESCRIÇÃO
SUBJETIVA X
DESCRIÇÃO OBJETIVA:
objetiva - quando o
objeto, ser, etc são
narradas/apresentadas
como realmente são
físicamente/na
realidade.
subjetiva - quando
há a interferância
da emoção, ou seja,
quando o
objeto/ser/etc, são
tranfigurados pela
emoção do autor.
No terreno objetivo
temos as informações
(dados do
conhecimento do
autor do texto:
livro comprado em
Lisboa), as
caracterizações
(dados que estão no
objeto de descrição:
livro vermelho). Já
no subjetivo, estão
as qualificações
(impressões
subjetivas sobre o
ser ou objeto: livro
interessante). O
ideal é que uma
descrição possa
fundir a
objetividade,
necessária para a
“pintura” ser a mais
verídica possível, e
a subjetividade que
torna o texto bem
mais interessante e
agradável. Sendo
assim, a descrição
deve ir além do
simples “retrato”,
deve apresentar
também uma
interpretação do
autor a respeito
daquilo que
descreve.